Micka: “queremos ‘transportar’ o espectador para os anos 80 com o documentário Brasil Heavy Metal”

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mickamichaelisbrasilheavymetalO Imprensa do Rock entrevistou Ricardo Michaelis “Micka”, idealizador do projeto “Brasil Heavy Metal”, um documentário que contará a história do Heavy Metal brasileiro, dentro dos anos 1980 a 1989. Vejam o que Micka nos contou sobre esse lindo projeto.

Primeiramente, gostaríamos de parabenizar você pela ideia fantástica de fazer esse documentário, tão importante para a cena do metal brasileiro que é o Brasil Heavy Metal.

Realmente nossa história do metal é negligenciada pela grande mídia do país. É uma grande honra poder ajudar de alguma forma, na divulgação dessa beleza de projeto. Como você disse: “Vamos mostrar ao Brasil o que uma multidão pode fazer”!

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“esperamos poder ‘transportar’ o espectador para aquele período entre 80 e 89 com o Brasil Heavy Metal” – Micka

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Apresentar a história do Heavy Metal Brasileiro, em um país que possui uma cultura tão eclética, e na qual o Metal não é predominante, mesmo tendo muitos adeptos, por meio de seu longa-metragem é um desafio, não? Qual foi sua motivação, o que mais te incentiva a querer contar a história da cena aos fãs e público em geral?

Micka: A radical modificação do comportamento, tecnológica, cultural… Com o Brasil Heavy Metal esperamos poder “transportar” o espectador para aquele período entre 1980 e 1989. Em alguns momentos parece uma eternidade, em outros parece que foi ontem. A grande maioria dos jovens não consegue imaginar um mundo sem internet, smartphone. Já imaginou usar um mimeógrafo para fazer o panfleto de divulgação do show de sua banda? Ops, o que será um mimeógrafo? Bem… nossos amigos Eduardo Bonadia e Toninho Pirani da Rock Brigade souberam como fazer disso uma indústria!

mickabrasilheavymetal2Sabemos que a indústria cinematográfica não é muito forte no país. Qual foi sua maior dificuldade em produzir esse longa-metragem, e como você a superou?

Micka: Usamos a infra-estrutura da IDEIA HOUSE (nossa produtora), com nossa experiência, equipamentos e equipe e com isso fomos caminhando nos intervalos entre os trabalhos. Investimos nossos próprios recursos e isso sempre será uma grande dificuldade e por esta razão não houve 100% de tempo dedicado a apenas um projeto.

Como surgiu a ideia de fazer o crowdfunding? Como os leitores desse entrevista podem fazer parte dessa história?

Micka: O heavy metal brasileiro nunca teve o merecido apoio, tanto da imprensa como de investidores. Sempre foi uma batalha individual, cada banda trabalhando sozinha até conseguir alguém que apoie e ajude a promover.

Quem melhor do que o fã para fazer isso? Por isso surgiu a ideia do crowdfunding onde o verdadeiro headbanger, aquele que entende que as coisas só caminham com a união de forças torna-se um “patrocinador” e faz acontecer.

E não trata-se de uma “vaquinha”, empréstimo ou ajuda, e sim uma grande troca onde ao contribuir você recebe uma recompensa de alta qualidade, especial, exclusiva e somente quem participar da campanha terá a recompensa e poderá ter seu nome eternizado na história, pois ao término não haverá mais produtos em lojas, sites, em nenhum lugar… apenas para os fãs que participarem agora!

E é muito simples participar – acesse o site do Brasil Heavy Metal.

Você assistirá aos vídeos, teasers, trechos de depoimentos, making of e verá todas as recompensas. E pode participar de todas as formas: cartão de crédito, parcelar em 3x, depósito, boleto… Estamos na reta final e previsão de término na última semana de Março.

Brasil Heavy Metal: Confira o vídeo “Contribua agora” e participe deste movimento!Já que o longa trás a história da música pesada no país, não posso deixar de comentar o fato das bandas Angra e Sepultura, conhecidas mundialmente e que levam as cores verde e amarela mundo afora, participarem recentemente do tão tradicional Carnaval de Salvador, ambas em cima de um trio elétrico. Um verdadeiro marco para a cena. O que você tem a dizer a respeito?

Micka: Acompanhei um pouco desta polêmica. Reconheço e admiro ambas as bandas mas prefiro concentrar-me nos assuntos relacionados especificamente ao projeto.

Muitos fãs de Heavy Metal são, em sua maioria, marginalizados pela grande massa. Porém, o estilo ainda percorre nas elites brasileira (não só estreitando no Metal, mas falando de Rock como um todo). Tanto um quanto outro possuem paradoxos em seu movimento cultural. O que contribui para o preconceito se tornar preconceito em sua opinião?

Micka: Preconceito houve na década de 80, no início, no surgimento. O mesmo aconteceu com o movimento punk. As pessoas não conseguiam entender um garoto de 16 anos com as calças rasgadas, cabeludo ou moicano, camiseta preta, jaqueta de couro no calor, cinto com tachas, as tatuagens começando a surgir… Hoje não creio que haja marginalização pois está exposto e até glamourizado.

Você conhece um outro projeto chamado: “Levante do Metal Nativo”? O que acha dessa ideia?

Micka: Não conheço mas o nome é bacana.

Como foi gravar o videoclipe da música tema do filme com tantos vocalistas consagrados?

Micka: Foi maravilhoso e extremamente trabalhoso. Quem assiste tem a impressão que foi tudo gravado no mesmo dia em um só lugar. Mas não foi assim! Montamos uma unidade móvel e transportamos o cenário, iluminação…

As sessões foram em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, além de recebermos alguns artistas de outras cidades e alguns de outros estados.

Hoje é o vídeo clipe de heavy metal brasileiro cantado em português mais assistido na história. Agradeço a todos!

Esse documentário nos trará a história do metal nacional até 1989. Podemos esperar um segundo, terceiro, quarto… sobre as outras décadas?

Brasil-Heavy-Metal-BoxMicka: O foco é terminarmos esse e vibrarmos juntos. A história a partir de 1990 é muito importante com bandas sensacionais e um novo panorama. Vamos juntos fechar este ciclo e depois pensaremos nisso.

Conte-nos como acha que está a recepção dos fãs brasileiros de metal com esse projeto?

Micka: A recepção para o Brasil Heavy Metal tem sido fantástica e estamos muito próximos a nossa meta inicial. Já atingimos 85% e avançando! Porém, acredito que temos como avançar em número de contribuições.

Será que não existem 1000, 2000 headbangers em todo o país dispostos a contribuir? Estou certo que sim e esperamos ultrapassar nossa meta!

Qual sua declaração de amor ao Heavy Metal Brasileiro [não vale dizer que é o filme, hein! (risos)]?

Micka: Minhas memórias de adolescente. E poder compartilhar com todos um pouco daqueles anos mágicos. Tem um momento do filme em que o meu amigo Marcello Pompeu (Korzus) diz: “…eu não consigo dizer pra vocês o quanto de legal que era ser headbanger naquela época…”

Pauta: Sara Ferrer e Paula Alecio
Edição: Victor Santos

Victor Santos

Victor Santos

Editor-Chefe em Imprensa do Rock
Victor Santos é editor-chefe do Imprensa do Rock e Diretor Geral do Programa Unimetal. Desde 2011, vem trazendo conteúdo de qualidade para os amantes da música e do cinema.
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