Metallica: nomeado embaixador do ‘Record Store Day 2016’

metallicarecordstoreday2016Metallica é apoiador de longa data do ‘Record Store Day’, e o momento é perfeito para a banda ser nomeado embaixador da edição deste ano.

O grupo desempenhou um papel fundamental na inauguração do ‘Record Store Day’ em abril de 2008, quando realizaram uma apresentação especial na loja Rasputin Music, em Mountain View, Calif., desta forma, concedendo aos inexperientes do evento alguma influência superstar. Agora, oito anos mais tarde, eles vão usar todo seu status mais uma vez para ajudar a promover o Record Store Day 2016, que inclui mais de 1.400 lojas participantes só nos EUA.

Porém, dando as coisas um pouco de sentimento internacional, este ano o Record Store Day vai dar seu apoio a toda aquela França que sofreu perdas trágicas no ano passado, durante o ataque terrorista no Le Bataclan. A banda decidiu compartilhar sua própria performance de 2003 no Le Bataclan para um lançamento especial no Record Store Day. Chega em conjunto com as reedições de Kill ‘Em All e Ride the Lightning, que também serão lançados em 16 de abril deste ano para combinar com o Record Store Day.

Liberté, Égalité, Fraternité, Metallica! – Live at Le Bataclan Paris, França – 11 de junho de 2003 é uma gravação ao vivo; e a banda, o Record Store Day e lojas de discos indie estarão doando rendimentos das vendas para beneficiar o “Fondation de France’s Give for France charity” [tradução literal: Fundação da França – Doe caridade à França]. A série de nove canções foi remixada e estará disponível em CD exclusivamente para o varejo independente e via Metallica.com. Veja a lista completa de faixas abaixo e saiba mais sobre a caridade aqui!.

Enquanto isso, o Metallica tem filmado um vídeo para o Record Store Day que pode ser visto em seu site. Além disso, Lars Ulrich deu uma longa declaração sobre a importância das lojas de discos e o papel que tiveram em sua vida. Leia seu comentário completo abaixo.

“Por razões que nunca entendi muito bem, o departamento de rock da Bristol Music Center era no porão da loja de quatro andares, porém caminhando para seu fim. Eu nunca soube o que me esperava. Eu nunca soube que o sonho novo soaria estridente nos alto-falantes. Tudo o que eu sabia era que algo incrível iria acontecer, porque é sempre assim. Era tudo sobre as possibilidades e as possibilidades eram infinitas. Como uma criança numa loja de doces, exceto a minha versão do que era… uma criança em uma loja de discos. A partir dos anos 70 até o início de meados dos anos 80, o departamento de rock em Bristol Music Center, em Copenhague, Dinamarca foi a parte mais significativa da minha vida, além da escola e da família, e provavelmente muitas vezes ligada a direita de lá com ambos. Meu pai tinha começado a me levar lá tão cedo quanto eu conseguia lembrar, e nas primeiras excursões, a vontade de ir para outro mundo. Crescendo eu pensei que o meu pai era o cara mais legal, e não havia lugar mais ‘próximo nível’ do que sua sala de música, que abrigava uma das coleções mais vastas da cidade nos anos 60. Subindo nesse espaço no piso superior era realmente como ir a uma loja de discos em si. Havia milhares de registros, espalhados por todo lugar – nas prateleiras, nos móveis, nas prateleiras ao lado do toca-discos. Charlie Parker, Miles Davis, John Coltrane, The Doors, The Rolling Stones, Janis Joplin… a lista é interminável. E depois que meu pai me arrastou para ver Deep Purple em 1973, adquiri o álbum Fireball no dia seguinte, e comecei a tentar acumular uma coleção digna a de meu pai.

Ken e Ole, que eram os caras responsáveis pelo departamento de Rock em Bristol, eram meus heróis. O que quer que eles recomendavam,  instantaneamente se tornou um deve ter. Em 1979, quando fui convidado a voltar para o apartamento de Ken para verificar sua coleção de discos pessoal, foi uma das coisas mais emocionantes da minha vida naquele período. Depois que me mudei para os Estados Unidos no início dos anos 80, eles tornaram-se minha salvação para o hard rock Europeu, e os pacotes que eles me enviavam mensalmente foram os elementos mais revigorantes que apareceram na minha caixa de correio. Eu sentava durante horas com meus registros; ouvia, olhava, imaginava, transportando-me a alguma outra dimensão, como a música me envolveu e me levou tão longe quanto a minha imaginação era capaz de me levar. E as capas! Essas capas para discos me manteve firme com as bandas, músicos, letras e imagens que estavam sendo arremessadas em minha direção. Eu mantive anotações sobre o que gostaria de ouvir, e quantas vezes eu os ouvia. Em outras palavras, eu estava obcecado. Eu vivia e respirava em um universo de discos, dia sim, dia não. Rapaz, como eu sinto falta daqueles dias!

Como os tempos mudaram, os discos infelizmente desempenharam um papel significativamente diferente na vida da maioria das pessoas jovens e tornaram-se primeiramente um nicho particular. Mas há sinais de esperança. Meu filho de dezessete anos, pediu um toca-discos para o seu aniversário há dois anos atrás, e tenho feito meu melhor como pai, alimentando-o com os clássicos desde então. Este processo atingiu seu pico emocional (e eu ainda tenho olhar-enevoado!) quando ele colocou Machine Head do Deep Purple e Made in Japan em sua mais recente lista de desejos de Natal, no bom formato de vinil velho. Que momento! Talvez tudo vai dar certo, afinal de contas…

Como a música se torna acessível através da internet ou em lojas de aeroportos de tamanho gigantesco de varejo, é mais importante do que nunca – na verdade vital – que todos nós, fanáticos continuemos a trazer à luz a importância dos discos, e apoiar ao máximo as lojas de discos independentes. A boa notícia é, claro, que o vinil está tendo um mensurável retorno. Mas isso não é o suficiente para descansarmos sobre nossa glória. Todos nós devemos manter o vínculo continuamente em conjunto e gritar o mais alto que pudermos, instruindo nossas crianças, levantar a bandeira e bater os tambores (!) com o melhor de nossa habilidade.

Para a música. Para o vinil. Para as lojas de discos independentes. Para pessoas como eu e você que vivem e respiram música vinte e quatro horas por dia.

A propósito, eu ainda quero saber por que o departamento de Rock era no porão do Music Center Bristol. É claro que meu lado cínico se pergunta se tem alguma coisa a ver com o fato de que o rock, de alguma forma, é percebido pelos puristas musicais auto-nomeados como uma forma inferior de música? nem sequer me fale sobre isso! Agora, vamos nos concentrar em ter uma loja de discos com um porão para reclamar sobre, em primeiro lugar e talvez vamos terminar essa conversa outro dia…”

– Lars Ulrich

MetallicaMarque na sua agenda: 16 de abril é o dia do Record Store Day deste ano.
Para saber mais sobre o Record Store Day e as lojas participantes, clique aqui!.

Via: Loudwire.com
Tradução: Sara Ferrer
Edição: Victor Santos

Victor Santos

Victor Santos

Editor-Chefe em Imprensa do Rock
Victor Santos é editor-chefe do Imprensa do Rock e Diretor Geral do Programa Unimetal. Desde 2011, vem trazendo conteúdo de qualidade para os amantes da música e do cinema.
Victor Santos