Lollapalooza Brasil 2016: megafestival reuniu atrações de peso em dois dias de pura música

Bad Religion_Camila Cara_010

Com infraestrutura primorosa, a quinta edição do Lollapalooza Brasil deste ano, reuniu atrações de peso; proporcionando ao público intensas emoções, diversão e muita música, indo do puro rock, passando pelo heavy metal, punk, hip hop, eletrônico, indie, pop e alternativo, nos dias 12 e 13 de março, no Autódromo de Interlagos, na capital paulista.

Texto Por: Sara Ferrer
Fotos gentilmente concedidas por: Camila Cara e MROSSI
Agradecimento pelo credenciamento: T4F
Edição: Victor Santos

Foram ao todo 54 atrações, e um total de 160 mil pessoas que compareceram para prestigiar os diversos artistas divididos em quatro palcos: Skol, Onix, Axe e Trident at Perry’s, além do espaço dedicado às crianças, o Kidzapalooza, com programação especial. Garantindo lazer e interação, localizados em pontos estratégicos, a galera pôde desfrutar de atividades como roda-gigante, carrossel e cama elástica; além de lanchonetes distribuídas por todo evento, espaços de compras e lazer, além do espaço gourmet com o Chef’ Stage.

Eagles of Death Metal_Camila Cara_003

Eagles of Death Metal – Lollapalooza 2016 © Por: Camila Cara

Primeiro dia de festival, indo direto ao palco Onix, que recebeu os brasileiros do Dônica, e os americanos do Eagles of Death Metal, a banda islandesa Of Monsters and Men foi a terceira a se apresentar; trouxe um repertório sutil, suave e envolvente. Com telões em tom de sépia, a tarde nublada e o vento frio contribuíram para dar um toque melancólico na apresentação, que teve sucessos como “King and Lionheart”, “Mountain Sound”, “Crystals”, “Dirty Paws”; encerrando com “Little Talks” e “Six Weeks”. Nanna Bryndís, voz e violão, canta e encanta; fez performances dançantes, interagiu com o público, correu pelo palco, agradeceu e emocionou.

Mumford and Sons_Camila Cara_007

Mumford and Sons – Lollapalooza 2016 © Por: Camila Cara

Porém o destaque da noite ficou com os ingleses do Mumfords & Sons. Em sua primeira passagem pelo país, o grupo presenteou a todos com grandes sucessos, além de clássicos de sua carreira, acertando em cheio na escolha da setlist; fazendo o público vibrar logo nos acordes de “Babel” e “Little Lion Man”. Impressionante a presença de palco de Marcus Mumford e companhia, tamanha a versatilidade e conexão entre os músicos, a entrega na música pela música. É um tipo de indie folk, folk rock cativante.

Uma verdadeira constelação fez-se presente em “Believe” no momento flash mob do show. Isabel foi a fã sortuda que subiu ao palco após “Hot Gates”, com a responsabilidade de ser ‘tradutora’ e saiu contente com o souvernir que ganhou do vocalista, um pandeiro meia-lua, em seguida, o sucesso “I Will Wait” cadenciada e envolvente, por fim “The Wolf” com a gafe de uma fã que burlou a segurança e conseguiu subir no palco sem ser convidada, e foi retirada pelos seguranças… loucuras à parte, o M&S considerou aquele público e show o melhor de sua carreira. Que bom! Quem sabe eles voltam mais vezes, incluindo o Brasil em sua rota permanente.

Tame Impala - Lollapalooza 2016 © Por: Camila Cara

Tame Impala – Lollapalooza 2016 © Por: Camila Cara

O rock psicodélico fabricado pelos australianos do Tame Impala com forte influência dos anos 70 embalou o público no palco Skol, com seus sintetizadores e cada compasso transmitindo energia; canções como “Let It Happen”, “Mind Mischief”, “The Moment”, “Elephant” e “The Less I Know The Better” esquentaram o pessoal, proporcionando uma verdadeira viagem no espaço, naquela tarde fria em que e a chuva ameaçou, mas não apareceu até o cair da noite.

Após longos seis anos de espera, eis que chega o tão aguardado rapper Eminem, para encerrar a noite no palco principal; uma multidão aguardava ansiosa para vê-lo.

Marina And The Diamonds - Lollapalooza 2016 © Por: Camila Cara

Marina And The Diamonds – Lollapalooza 2016 © Por: Camila Cara

E simultaneamente, para encerrar a noite de sábado no palco Axe, Marina Diamandis. A cantora galesa cancelou sua participação no ano passado, mas finalmente desembarcou em São Paulo, para a alegria de seus diamantes (como denomina seus fãs). Mesmo contrastando com a multidão que curtia o ‘dono’ da noite: Srº Eminem, Marina & The Diamonds também garantiu boa quantidade de espectadores.

Marina And The Diamonds - Lollapalooza 2016 © Por: Camila Cara

Marina And The Diamonds – Lollapalooza 2016 © Por: Camila Cara

Trajando roupa brilhosa e colada ao corpo, exibindo sua boa forma física, a vocalista apresentou sua setlist dividida em três atos, contemplando seus respectivos discos “The Family Jewels”, “Electra Heart” e “Froot”, como faz em shows fechados. Suas músicas calcadas no pop com conteúdo revigorado, dançante, como em “I’m not a Robot”, “Oh, No!”, “How to be a heartbraker”, “Primadonna”, “Froot”, “Forget” e “Blue”, garantiram a euforia dos fãs durante aproximadamente 1h10 de show. Marina despediu-se agradecendo, afirmando que este foi um de seus melhores shows.

Também passaram pelos palcos do Lollapalooza: Bad Religion, Vintage Trouble, The Joy Formidable, Cold War Kids, Halsey, Die Antwoord, e no palco dedicado ao eletrônico, nomes como Alok e Kaskade, dentre outros.

Enquanto o país marcou a data do dia 13 de março, um domingo tipicamente familiar para descansar em casa ou protestar contra a atual situação política do país na Avenida Paulista… também tinha mais um dia de Lollapalooza. Dessa vez com uma banda liderada por uma mulher, a poderosa Florence Welch, que comanda a Florence + The Machine encerrando esta edição no palco principal, além de nomes importantes como Noel Gallagher’s High Flying Birds, Planet Hemp, Zedd, Jack Ü e Alabama Shakes.

Os rapazes do Walk The Moon atraíram um bom público para o palco Onix, que apreciaram e se divertiram ao som de “Jenny”, “Sidekick”, “Avalanche”, “Up 2 U” e “Tight Rope”. Nicholas, vocalista e tecladista, incentivou todos a dispersarem sua energia negativa, com “I Can Lift a Car” e a inusitada participação dos ‘Meninos do Morumbi’ na percussão, deram um toque especial na apresentação em “Different Colors” e abrasileirado em “Work This Body”, prolongando a canção repleta de batuque sambístico. Os singles “Shut Up and Dance” e “Anna Sun” encerraram o show curto e rápido dos meninos, porém contagiante.

Twenty One Pilots - Lollapalooza 2016 © Por: Camila Cara

Twenty One Pilots – Lollapalooza 2016 © Por: Camila Cara

A irreverência do hip hop misturado ao eletro e indiepop do duo Twenty Øne PilØts reinava no palco Skol. Tyler Joseph e Josh Dun chegaram mascarados executando “Heavydirtysoul” e “Stressed Out”, desfazendo-se do figurino e acrescentando outras peças no decorrer do show. Os presentes participaram ativamente, cantando em ritmo de “Guns for Hands” e em “We Don’t Believe What’s On TV” com seu Yeah! Yeah! Yeah! Tyler foi erguido pelos seguranças em cima da grade, pertinho dos fãs, correu pelo palco, subiu nas estruturas, Josh tocou “Ride” com a bateria sobre o público. Loucura total! A dupla despediu-se agradecendo e esperando reencontrar todos em breve, sob chuva de papeis picados e fumaça.

E a expectativa era alta pelo Noel Gallagher’s High Flying Birds, o eterno ex-Oasis que contemplou seus dois discos lançados em carreira solo, iniciando com “Everybody’s on the Run”, o público saudou-os ao subir no palco, e seguiu com “Lock All The Doors” e “In The Heat of Moment”, dedicou a “You Know We Can’t Go Back” aos fãs do Oasis, porém foram justamente as faixas do extinto grupo que entoaram no local, como “Digsy’s Dinner”, “Wonderwall’ e “Don’t Look Back Na Anger”, a essa altura a garoa fina caía sobre o Autódromo dando um clima titpicamente britânico ao show.

Florence And The Machine - Lollapalooza 2016 © Por: Camila Cara

Florence And The Machine – Lollapalooza 2016 © Por: Camila Cara

Enfim chegou a hora tão aguardada: Florence + The Machine subir ao palco principal. Florence Welch chegou com pés descalços e figurino simples, porém com forte presença de palco e olhar marcante. A doçura de sua voz hipnotiza, e teve todas suas quinze canções entoadas pelo público, começando sua setlist com “What The Water Gave Me”, “Ship to Wrick” e “Shake It Out”.

Teve espaço para “Sweet Nothing”, música que fez em parceria com Calvim Harris, e “You’ve Got The Love”, cover do The Source. Dedicando aos fãs, afirmando que esta música “É muito importante para mim, e quero que seja para vocês também agora” veio “How Big, How Blue, How Beautiful”, e a pedido destes “No Light, no light”.

“Dog Days Are Over” e “What Kind of Man” protagonizaram o ápice do show; teve abraços, lenços erguidos no ar, teve emoção e muita! Florence é cuidadosa com seus súditos; a todo momento a artista corria pelo fosso do palco, se conectava artisticamente com um fã escolhido por meio do olhar… a música fluía e a mágica de Florence Welch reinou sublime e encantadora. Ao final de “Drumming Song” os fogos de artifício deram encerramento oficial desta edição do Lollapalooza.

Assim foi o Lollapalooza deste ano, uma mistura de emoções que só quem esteve presente pôde sentir-se arrepiar, emocionar, extravasar, curtir e compartilhar. Pura diversidade! Nos vemos no ano que vem!

Victor Santos

Victor Santos

Editor-Chefe em Imprensa do Rock
Victor Santos é editor-chefe do Imprensa do Rock e Diretor Geral do Programa Unimetal. Desde 2011, vem trazendo conteúdo de qualidade para os amantes da música e do cinema.
Victor Santos