Living Colour @ Tropical Butantã – São Paulo/SP (14/06/2019)

Muitas bandas gostam de bater carteira no Brasil e uma delas é o sensacional Living Colour que veio aqui no Tropical Butantã para comemorar os 30 anos do álbum de estreia da banda, o clássico “Vivid”, onde executaram na íntegra para deleite do bom público presente, mesmo com o show iniciando mais de 22h.

Antes aconteceu o show do Remove Silence, banda formada por Hugo Mariutti e Fábio Ribeiro, ambos integrantes do Shaman, mas somente o tecladista permaneceu.

A banda brasileira fez um hard rock bem decente com o teclado de Fábio se destacando. Outro ponto de destaque foi o cover de “Enjoy the Silence” do Depeche Mode.

A espera finalmente terminou e lá veio o Living Colour com a sua formação clássica desfilando todo o seu funk metal e com vários outros ritmos sempre executados de uma maneira técnica impressionante.

Além disso, a banda sempre foi conhecida pelas suas letras de cunho político, ainda mais os problemas raciais vividos nos Estados Unidos desde o passado até o presente, muitas músicas soam atuais demais.

No entanto, eles vieram com 3 músicas antes do “Vivid”, sendo 2 covers: “Preachin’ Blues” do lendário bluesman Robert Johnson e “Who Shot Ya” do rapper Notorius B.I.G., que foi uma homenagem para a vereadora Marielle Franco morta há mais de 1 ano e sem um desfecho do culpado pelo crime.

Para fechar uma ótima novidade que foi a poderosa “Freedom of Expression” do último trabalho da banda: “Shade”.

Agora sim a introdução para “Cult of Personality” começar o que na minha opinião é o melhor disco do Living Colour e essa música não tem como não levantar o local, com todos cantando o refrão.

Um dos meus bateristas favoritos nesta mistura de funk (o verdadeiro claro) e rock é William Calhoun, que sabe dosar a técnica com muita energia e “I Want to Know” é uma prova real do que falo, basta quem não foi no show assistir ao vídeo.

O riff de Vernon Reid em “Middle Man” é outro fator de destaque no “Vivid”, que mostra um heavy metal bem suingado com o vocal estilo soul music de Corey Glover.

Já a linda “Open Letter (To a Landlord)” é uma balada que tem aquela quebrada no final, com um solo matador de guitarra.

Todos os clássicos sendo tocados de maneira impecável, inclusive “Funny Vibe”, com destaque para o baixista Doug Wimbish.

Quase no final da execução veio um dos grandes hits da banda: “Glamour Boys”, clipe que aparecia a exaustão na televisão e tocada nas rádios todos os dias tamanho sucesso que fez. Com a finalização de “Which Way to America?” veio o momento do bis.

No entanto, Calhoun fez antes um solo de bateria e usando muitos elementos não ficando no tradicional, ele poderia ficar quanto tempo quisesse, que não tornaria cansativo o momento.

Com o início meio orquestrado, todo mundo já sabia que era a espetacular “Love Rears Its Ugly Head”, um senhor funk que remete aos anos 70, o boom deste tipo de som no Estados Unidos.

Outra música famosa ao extremo e esperada foi “Elvis Is Dead”, onde Glover cantou no meio da pista e por ele teria sido assim o show todo tamanho o carisma e carinho pelo público brasileiro.

Para encerrar um show tão fantástico, nada como “Type” e todo o seu peso em mais de seis minutos. Todos tinham esperança de mais algum petardo, mas infelizmente foi um senhor gran finale. Que voltem quantas vezes quiserem ao Brasil, serão sempre bem vindos.

Setlist:

1. Preachin’ Blues (Robert Johnson cover)
2. Who Shot Ya? (The Notorious B.I.G. cover)
3. Freedom of Expression (F.O.X.)
4. Cult of Personality
5. I Want to Know
6. Middle Man
7. Desperate People
8. Open Letter (To a Landlord)
9. Funny Vibe
10. Memories Can’t Wait (Talking Heads cover)
11. Broken Hearts
12. Glamour Boys
13. What’s Your Favorite Color? (Theme Song)
14. Which Way to America?

Encore:

15. Drum Solo
16. Love Rears Its Ugly Head
17. Elvis Is Dead
18. Type

Line-up:

Corey Glover – Vocal
Vernon Reid – Guitarra
Doug Wimbish – Baixo
William Calhoun – Bateria

Texto: Alessandro Rossi

Giancarlo Rossi

Editor-Chefe em Imprensa do Rock
Cursando Rádio e TV. Escuta todas as vertentes do Rock e do Metal. E Adora Cinema.
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