Living Colour @ Tropical Butantã – São Paulo/SP (11/05/2018)

Um dos shows mais esperados do ano, finalmente aconteceu. Simplesmente pelo fato de uma das melhores bandas de todos os tempos, LIVING COLOUR, ter passado pelo Brasil em apenas uma única apresentação, realizado no Tropical Butantã em São Paulo. E eu, tive a honra de presenciar esse acontecimento histórico, que com certeza, acabou sendo, uma das melhores experiências que eu já vivenciei pelo mundo do Rock. Corey Glover (vocais), Vernon Reid (guitarra), Will Calhoun (bateria) e Doug Wimbish (baixo). Precisa falar mais alguma coisa quando se ouve nomes como esses?!

As expectativas estavam enormes e a cada dia, a cada momento, não via a hora desse grande dia chegar. E quando finalmente aconteceu, foi algo acima do esperado. As expectativas ultrapassaram e o quarteto de Nova Iorque, fizeram uma extraordinária apresentação em São Paulo. Cada música executada, cada riff, cada solo de guitarra, às grandes cadenciadas na bateria, os vocais fantásticos do Corey, tudo era perfeito no show. Graças ao grande carisma e claro, às ótimas performances que cada integrante da banda realizaram em palco, que é um talento puro e de deixar qualquer um surpreendido pelas suas grandes técnicas. Promovendo seu mais recente disco, “Shade”, lançado no ano passado, a banda fez um repertório não só com as músicas desse novo álbum, como também, aos grandes clássicos que marcaram a história do LIVING COLOUR.

Com o Tropical Butantã, praticamente lotado e inúmeras vibrações do público, as luzes se apagam e começa a tocar de fundo, “Runnin’ With the Devil” do Van Halen. Dentro de alguns minutos, o LIVING COLOUR sobe ao palco, iniciando “Preachin’ Blues” do “Shade” (2017). Cover do Robert Johnson, foi um ótimo início de show. O quarteto, com seus talentos supremos, já se mostraram super empenhados. Um ritmo bem gostoso e contendo excelentes riffs e solos de guitarra feitos pelo Vernon Reid, a voz poderosa e impecável do Corey Glover, já impressionava a todos que estavam presentes. Sem contar o baixo eficiente do Doug Wimbish e o divino Will Calhoun na bateria. Depois de um “olá”, saudando os fãs brasileiros, veio “Middle Man”, do clássico disco, “Vivid” de 1988. Bem empolgante e com seus riffs energéticos, o Corey executou metade da canção, sentado em uma das caixas de som, ficando ainda mais perto dos fãs. Um pequeno solo do Vernon na guitarra para dar início a “Desperate People”, canção com uma pegada mais pesada, puxando para o Hard Rock. Alguns gritos de “Living Colour”, “Living Colour”, e iniciarem “Freedom of Expression (F.O.X.)”. A frenética “Funny Vibe”, foi a próxima. Uma das melhores composições da história da banda. Um andamento super acelerado e pesado na bateria em sua introdução e cair para um ritmo mais suave na guitarra, vindo de seus riffs funkeados e um ótimo refrão com a galera cantando junto. Para depois, ela indo e voltando seus ritmos variados durante a execução.

Partindo para o terceiro álbum de estúdio da banda, “Stain” de 1993, veio “Wall”, com uma ótima introdução no baixo feita pelo Doug e vale destacar também, seu excelente refrão bem composto com o Corey pedindo para o público cantar junto essa maravilhosa parte da música. E ao final dela, o Corey, com seus lindos vocais, ficou repetindo o refrão várias vezes até diminuir o ritmo e finalizá-la. A voz dele, é algo fora do comum, é para deixar qualquer um emocionado. A excelente e bem harmoniosa “Memories Can’t Wait”, cover do Talking Heads, obteve uma pequena falha na guitarra do Vernon durante a execução, com isso, o Doug e o Will, tiveram que continuar a música fazendo suas harmonias. Mas isso, não interferiu no show, porquê, o problema foi resolvido e voltamos a escutar a guitarra poderosa do Vernon. A galera levou tão na boa, que quando o defeito foi solucionado, o público ainda aplaudiu e voltaram a tocar. E por falar no Vernon, que performance fantástica. Seus grandes riffs, seus impressionantes solos frenéticos, seu carisma, mostrou o quanto ele é fora de série quando se fala em talento. O Corey apresentou a talentosa banda, saindo todos bastante aplaudidos e tocaram “Ignorance Is Bliss”. “Who Shot Ya?”, cover do rapper americano, The Notorious B.I.G., veio na sequência. Vocais voltados para o hip hop com um andamento pesado e intenso. A linda e atraente “Open Letter (To a Landlord)”, com certeza, emocionou a todos que estavam no Tropical Butantã. Muito disso, pelos excepcionais vocais do Corey, que para variar, nos cativando e dando um show em sua performance carismática. Foi lindo de ver, todos cantando esse extraordinário refrão que possui a música. Que momento fascinante e magnífico da noite.

Após, o Corey introduziu o grande baixista, Doug Wimbish e sozinho no palco, realizou “Swirl”, composição do seu álbum solo, “CinemaSonics” de 2008. Um som extremamente atraente acompanhado por uma belíssima harmonia. Bastante prestigiado pelo público, foi de se impressionar pelas suas grandes habilidades. Em seguida, o clássico “Glamour Boys”, outra que entra no pódio das melhores composições da banda, foi executada. Extremamente empolgante e marcante, foi aquele som cativante que deixou todos ainda mais entusiasmados e ainda mais felizes. Depois, executaram a vibrante “Who’s That” e a maravilhosa “Love Rears Its Ugly Head”. Bem ritmada, a galera cantando os refrões e os integrantes com suas magníficas performances, realizando esse poderoso hit da banda. Com um andamento veloz, veio outro clássico, “Type”, sem dúvidas, uma fantástica composição. Além de ter ficado mais frenética e mais acelerada, obteve mais adaptações ao decorrer dela. Seu ritmo diminuiu ao decorrer da música, alterando principalmente nas linhas vocais e até nos últimos refrões. Juntamente, emendaram um trecho de “Police and Thieves” do Junior Murvin, ao final da canção. E além disso, também no final, o Corey deu um outro show nos vocais, cantando extremamente rápido, sem travar e sem perder o ritmo. Que banda maravilhosa não?! Acaba de finalizar um clássico para vir outro na sequência, “Cult of Personality”, talvez, o maior clássico da banda. Ter assistido ao vivo essa perfeita execução, é algo inexplicável. Foi um dos momentos mais significativos e históricos do show. Que maravilha. Riffs perfeitos, solos perfeitos, vocais perfeitos, tudo foi perfeito. Assistir uma banda como é o LIVING COLOUR, é de ficar fascinado, comovente e muito emocionado. Que talento esse quarteto possui.

A energética “Time’s Up” e “Get Up (I Feel Like Being a) Sex Machine”, cover do James Brown, foram as próximas. Sendo essa última, um dos maiores clássicos do funk, mega agitada e dançante, foi totalmente prazeroso e divertido. Empolgou a galera, que até cantaram as estrofes da canção juntos com o Corey. Logo em seguida, o excepcional, Will Calhoun, ficou sozinho no palco para realizar um incrível solo de bateria. Com uma duração de aproximadamente 10 minutos, ele nos brilhou e nos impressionou novamente, pelas suas habilidades extremas e cativantes. Ao decorrer do solo, usou um pad eletrônico, sendo bem iluminadas, tocou com baquetas azuladas e esverdeadas, e ao final, ele saiu da bateria, foi para a frente do palco, tocando um aFrame, apenas com as mãos. Além de talentoso, a sua criatividade em compor um solo, é totalmente incrível. Chegando para o final do espetáculo, executaram mais um cover, o clássico “Rock and Roll”, da clássica banda Led Zeppelin. Um dos maiores hinos da história do Rock, LIVING COLOUR executou de maneira impecável. E para finalizar, um pequeno trecho da música “What’s Your Favorite Color? (Theme Song)”, onde o Corey cantava esse trecho e a galera respondia “Living Colour”. Isso, algumas vezes, para encerrarem esse extraordinário, emocionante, histórico, fenomenal e fascinante show, realizado em São Paulo.

Explicar uma experiência como foi essa, é bem complicado. Pode perguntar a qualquer um que teve o privilégio em assistir ao show do LIVING COLOUR. Certeza que a resposta será a mesma. Ou talvez, a pessoa ter ficado sem palavras ao final do espetáculo, como eu fiquei. Uma duração totalmente imperceptível de duas horas de apresentação, foi uma linda noite em São Paulo. Foi mais um show para guardar na memória e ter saído de lá, completamente feliz e emocionado por ter assistido a um dos melhores shows do ano, realizado por uma gigantesca banda como é o LIVING COLOUR.

Setlist:

1. Preachin’ Blues (Robert Johnson cover)
2. Middle Man
3. Desperate People
4. Freedom of Expression (F.O.X.)
5. Funny Vibe
6. Wall
7. Memories Can’t Wait (Talking Heads cover)
8. Ignorance Is Bliss
9. Who Shot Ya? (The Notorious B.I.G. cover)
10. Open Letter (To a Landlord)
11. Swirl (Doug Wimbish song)
12. Glamour Boys
13. Who’s That
14. Love Rears Its Ugly Head
15. Type
16. Cult of Personality
17. Time’s Up
18. Get Up (I Feel Like Being a) Sex Machine (James Brown cover)
19. Drum Solo
20. Rock and Roll (Led Zeppelin cover)
21. What’s Your Favorite Color? (Theme Song)

Line-up:

Corey Glover – Vocal
Vernon Reid – Guitarra
Will Calhoun – Bateria
Doug Wimbish – Baixo

Giancarlo Rossi

Editor-Chefe em Imprensa do Rock
Cursando Rádio e TV. Escuta todas as vertentes do Rock e do Metal. E Adora Cinema.
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