King Crimson @ Espaço das Américas (São Paulo/SP) – 04/10/2019

A lendária banda inglesa de rock progressivo King Crimson, desembarcou pela primeira vez no Brasil para duas apresentações, no dia 04 de outubro no Espaço das Américas em São Paulo e no dia 06 de outubro em pleno Rock in Rio, fechando o palco sunset. Atualmente, King Crimson conta com o líder e único membro da formação original Robert Fripp (guitarra), Mel Collins (saxofone e flauta), Tony Levin (baixo, chapman stick e vocal de apoio), Jakko Jakszyk (vocais e guitarra), Pat Mastelotto (bateria), Gavin Harrison (bateria) e Jeremy Stacey (bateria e teclados), membros que estavam prestes a realizarem uma apresentação histórica em São Paulo. Expectativa era altíssima, seria um daqueles shows que certamente, ficaríamos sem palavras ao terminar. Bom, realmente, tudo isso aconteceu, mas aconteceu muito mais.

Chegando ao local, já nos deparamos com o palco fabuloso do King Crimson, as três baterias na plataforma de baixo e acima, os quatro lugares do restante da banda, seus instrumentos já estavam expostos, tudo arrumado. E neles, também haviam dois avisos sobre a proibição de fotos e gravações do público durante a apresentação, e mais dois avisos nos dois telões da casa. Só para constar, isso já tinha sido avisado meses antes nas redes sociais da própria produtora do show, a Mercury Concerts, mas claro, é sempre bom deixar novamente o aviso.

Dado o horário, um ótimo público na casa, todos se acomodando em seus lugares, um pequeno aviso é anunciado: “Mergulhe no momento, use seus olhos para ver, seus ouvidos para ouvir e vamos comemorar. A banda informa que nessa apresentação, haverá um intervalo, será um intervalo de vinte minutos, entre o primeiro ato e o segundo. A outro anúncio da banda, o baixista Tony gostaria de fotografar vocês e para compensar, se vocês quiserem tirar fotos da banda, poderão fazer no final do show. E a dica para vocês e suas câmeras de celulares é, quando o Tony pega a câmera dele, vocês também podem pegar as suas”.

King Crimson sobem ao palco bastante ovacionados pelos fãs, que aplaudiam de pé, tomam seus respectivos lugares e os três bateristas, Pat Mastelotto, Jeremy Stacey e Gavin Harrison, iniciam a apresentação com “The Hell Hounds of Krim”, uma sincronia incrível dos músicos, logo, com a banda toda tocando, partiram para “Larks’ Tongues in Aspic, Part One”, que já foi altamente bem recebida pelo público, os riffs poderosos de guitarra, as baterias energéticas, o ritmo frenético, o Mel aproveitou e durante a execução, mandou um trecho de “Garota de Ipanema” do Tom Jobim na flauta. Numa pegada blues, veio na sequência “Suitable Grounds for the Blues” e depois, “Red” do álbum homônimo de 1974.

A linda “Epitaph” do primeiro álbum de estúdio da banda “In the Court of the Crimson King” de 1969, fascinou todos que estavam presentes naquele local, o Jakko deu um show com seus vocais magníficos. Pat, Jeremy e Gavin realizam um som extraordinário, hora, os três executando as mesmas batidas, hora, cada um com suas próprias notas, tudo ao mesmo tempo, outra sincronia impressionante, para assim, o conjunto tocarem a metade da música “Neurotica” do “Beat” de 1982. “Moonchild”, outra linda canção do disco “In the Court of the Crimson King”, obteve certas adaptações com improvisações do Tony no baixo, do Robert na guitarra e do Jeremy nos teclados, foi muito bem vinda e novamente, a belíssima voz do Jakko em seu começo. “Radical Action II”, uma composição de duração curta, e “Level Five”, do último álbum de estúdio “The Power to Believe” de 2003, vieram numa tacada só e finalizaram o primeiro ato sendo aplaudidos de pé pelo público.

Como anunciado antes do início do show, houve um intervalo de vinte minutos. Nessa primeira parte do show, que durou aproximadamente 60 minutos, foi um espetáculo. Público bastante empolgado, fascinados, com o som impecável que o grupo realizava e com os talentos supremos de cada integrante. E falando um pouco deles, o líder Robert Fripp posicionado na ponta direita da plataforma de cima e tocando sentado durante toda a apresentação, é um mestre nas melodias, ao seu lado, o vocalista e guitarrista Jakko Jakszyk com sua linda voz, o baixista Tony Levin que além do baixo, assumiu seu charmoso chapman stick, um violoncelo e ficou nos vocais de apoio, o Mel Collins se responsabilizou no saxofone e na flauta, e os três bateristas, Pat Mastelotto, Jeremy Stacey e Gavin Harrison, com suas técnicas e sincronias perfeitas. Só lembrando que o Jeremy se responsabilizou também nos teclados. Sobre o palco, haviam dois telões nas laterais projetando o show num único ângulo, bem centralizado mostrando o palco inteiro. Não havia nenhuma bandeira ou imagem ao fundo do palco, apenas um fundo preto, com uma iluminação azul se cruzando, e na banda, luzes naturais, brancas. Um palco grande e bem atraente.

Após os vinte minutos, a banda retorna e dão início ao segundo ato, novamente, com Pat, Jeremy e Gavin, realizando um excelente som e o King Crimson com suas brilhantes técnicas, darem início com “Cirkus” do “Lizard” de 1970, contendo algumas quebras de ritmos. Bem comum em suas músicas. “Easy Money” do “Larks’ Tongues in Aspic” de 1973 e a pesada “Larks’ Tongues in Aspic (Part IV)” do “The ConstruKction of Light” de 2000, deram continuidade. “Islands” do álbum homônimo de 1971, é uma música linda, emocionante e profunda, Jakko com sua voz atraente, bonitas melodias nos teclados e no saxofone. “Indiscipline” do “Discipline” de 1981, contou com mais improvisos em seu início, notas graves do chapman stick do Tony, riffs de guitarra pesados, os três bateras impecavelmente. A clássica “The Court of the Crimson King” foi simplesmente maravilhosa e vibrante.

A sensacional “Starless” do “Red”, com seus riffs suaves realizados pelo Robert, o baixo atraente do Tony, a voz do Jakko, as variações nas melodias, foi no mínimo encantadora. No bis, para encerrar o show, o septeto mandaram a fenomenal “21st Century Schizoid Man”, ao decorrer, mais improvisações, repleta de melodias fantásticas, uma técnica magistral, inigualável da banda. Ao finalizarem, não tinha como não aplaudir um show como esse de pé. Inúmeras vibrações do público, até gritos de “King Crimson, King Crimson…” pode se presenciar. E como foi anunciado, antes de iniciar o show, quando o Tony Levin fotografar, o público também pode, então, vários presentes tiveram esse momento, de fotografarem e registrarem esse maravilhoso acontecimento, esse maravilhoso show, que ficará guardado na memória de quem teve a honra de presenciar um show tão espetacular como foi a do King Crimson.

Setlist:

Set 1:

1. The Hell Hounds of Krim
2. Larks’ Tongues in Aspic, Part One
3. Suitable Grounds for the Blues
4. Red
5. Epitaph
6. Drumzilla
7. Neurotica
8. Moonchild
9. Radical Action II
10. Level Five

Set 2:

11. Drumsons
12. Cirkus
13. Easy Money
14. Larks’ Tongues in Aspic (Part IV)
15. Islands
16. Indiscipline
17. The Court of the Crimson King
18. Starless

Encore:

19. 21st Century Schizoid Man

Line-up:

Robert Fripp – Guitarra
Mel Collins – Saxofone e Flauta
Tony Levin – Baixo, Chapman Stick e Vocal de Apoio
Jakko Jakszyk – Vocais e Guitarra
Pat Mastelotto – Bateria
Gavin Harrison – Bateria
Jeremy Stacey – Bateria e Teclados

Giancarlo Rossi

Editor-Chefe em Imprensa do Rock
Cursando Rádio e TV. Escuta todas as vertentes do Rock e do Metal. E Adora Cinema.
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