Iron Maiden trouxe o livro das almas para show imperdível em São Paulo

Os britânicos do Iron Maiden encerraram nesta noite de sábado (27) em São Paulo a turnê “The Book of Souls” no Brasil com o Allianz Parque tendo sua capacidade máxima incrivelmente esgotada.

A abertura ficou por conta do The Raven Age, banda do guitarrista George Harris, filho de um dos maiores baixistas de todos os tempos, Steve Harris e a sequência ficou por conta da estadunidense Anthrax.

Iron Maiden

O Iron Maiden é como um time de futebol: faz barulho por onde passa, até quem não gosta da banda para pra ouvir ou comentar algo a respeito dos integrantes que viam na TV ou em algum site de notícias.

Com singelos 20 minutos de atraso, os primeiros acordes de “Doctor, Doctor”, do lendário U.F.O ecoa nas caixas de som e é impossível não vibrar, já que essa é a música que dá início a todos os shows da banda e como os fãs já sabem muito bem disso, era melhor se preparar para os gritos de “Maiden, Maiden, Maiden!” que começou devagar, mas logo de fileira em fileira o estádio foi tomado.

Em continuidade o estádio se apagou, os dois telões laterais começaram a exibir o vídeo de introdução para “If Eternity Sould Fail”. De repente, as luzes se acendem e um altar aparece no palco. Bruce Dickinson vestido com uma blusa e encapuzado, um cenário ritualístico da coisa e chamas… Por todos os lados do palco, os outros integrantes entram com tudo. Dickinson mostrou que, após uma verdadeira luta contra o câncer, estava devidamente recuperado e com a voz intacta, era o que os fãs simplesmente esperavam.

O clássico “Scream For Me, São Paulo!” do vocalista veio à tona antes de chegar mais uma inédita no Brasil, a música “Speed of Light”, a qual fez um verdadeiro furor na época de lançamento, prestando homenagem a diversos games em um clipe todo animado.

A clássica “Children of The Damned” do aclamado “The Number of The Beast” de 1982 tomou forma e em série vieram mais inéditas como “Tears of A Clown” e “The Red And The Black”. Bruce Dickinson pediu para que os fãs erguessem suas mãos. “Esse é o nosso último show no Brasil, vocês são mais de 40 mil e nós guardamos o melhor para o final”, disse. O estádio entrou em completa euforia por estarem sendo de certa forma “privilegiados”.

A “Tears of A Clown” foi dedicada ao ator Robin Williams, que se suicidou em 2014. “Essa é uma triste história sobre um homem engraçado”, disse Bruce.

Na faixa título do recente álbum “The Book of Souls”, o vocalista comenta sobre a situação política atual no Brasil, na qual estamos dia após dia inseridos, vendo o que realmente está acontecendo: “São vários os conflitos no mundo de hoje, basta assistir os noticiários e vocês perceberão”. E continuou: “São situações que afetam pessoas que não ligam para religião e para impérios que ainda existem. Essa próxima música nasceu de algo que notamos há muito tempo atrás. O que nós aprendemos com os impérios do passado? Não importa o quão grande sejam, impérios podem se levantar mas sempre vão cair”. O “novo” Eddie aparece e Bruce entra em batalha arrancando seu coração e o estourando no meio do palco.

“Hallowed Be Thy Name”, “Fear of The Dark” e “Iron Maiden” deram seu parecer para encerrar a primeira parte do show. Confesso que senti falta de “Run To The Hills”, porém “Hallowed” deu direito à encenação de enforcamento quando Bruce Dickinson canta com uma corda no pescoço. É claro que “Fear” foi acompanhada pela plateia cantando em peso e a faixa “Iron Maiden” encerra grandiosamente o primeiro ato.

O encore veio devidamente recheado com “The Number of The Beast” tendo direito à uma estatueta de demônio gigantesca no lado direito do palco e fogos por toda parte, “Blood Brothers” do álbum “Brave New World”, lançado em 2000, deu uma acalmada nos fãs para “respirarem um ar fresco” e o show foi finalizado por “Wasted Years”, com o Allianz Parque cantando em plenos pulmões a letra completa da música.

The Raven Age

O filho do baixista do Iron Maiden mostrou estar presente para realmente conquistar o público. Músicas rápidas e que (com o tempo) podem até entrar na cabeça dos fãs mais exigidos da “Donzella”. Os integrantes mostraram seriedade em cima do palco, foram lá realmente para mostrar o que melhor sabem fazer.

Anthrax

O Anthrax veio como convidado de honra do Iron Maiden e aproveitaram para divulgar a turnê do recente e sensacional disco “For All Kings”. Presença de palco desse grupo inigualável, Joey Belladona (vocalista) mostrando carisma e Scott Ian (guitarrista) mostrando para que veio com solos sensacionais. Ao lado da banda, representando o metal nacional, Andreas Kisser que já participou de alguns shows do Anthrax substituindo o próprio Scott. A música escolhida foi “Indians” do clássico “Among the Living” e também uma leve referência à Refuse/Resist do “Chaos A.D.” do Sepultura, encerrando a abertura com chave de ouro.

ironmaidensaopaulo2016

Victor Santos

Victor Santos

Editor-Chefe em Imprensa do Rock
Victor Santos é editor-chefe do Imprensa do Rock e Diretor Geral do Programa Unimetal. Desde 2011, vem trazendo conteúdo de qualidade para os amantes da música e do cinema.
Victor Santos