Insanidade, brutalidade e muito satanismo no Clash Club

Na última quinta-feira, dia 13, aconteceu no Clash Club, o show do VITAL REMAINS e junto com eles, contaram com mais três bandas brasileiras do metal extremo. Com uma formação nova do VITAL REMAINS, fui lá dar essa conferida no resultado e claro, presenciar as bandas brasileiras que merecem mais reconhecimento por todos que apreciam o Metal Extremo e de qualidade.

Chegando por volta das 19:00 e a primeira banda a abrir os portais do inferno, foi o Coldblood. Banda de Death Metal fundada em 1992 no Rio De Janeiro, estão divulgando o terceiro álbum “Indescribable Physiognomy of the Devil”, lançado em 2016. Formada por três integrantes, foi uma apresentação de mais ou menos uns 40 minutos de muita agressividade e brutalidade sem dó, fazendo com que os nossos tímpanos sejam destruídos. Um repertório variado entre os álbuns de estúdio, onde continham músicas mais antigas, músicas do mais recente álbum e até um cover do Ratos de Porão com a música “Morrer”, foi uma boa performance da banda que souberam agradar os fãs e mostrando a potência do som que faz o Coldblood.

A próxima foi o Justabeli, trio de Death/Black Metal formada em Diadema (SP). Divulgando o segundo álbum de estúdio, o excelente “Cause The War Never Ends…”, lançado em 2015, foi uma apresentação de mais ou menos uns 40 minutos, com repertórios antigos e do mais recente álbum. Sonoridade extrema, fazendo um estilo bem apropriado ao estilo, com talentosos músicos, letras envolvendo guerras e o anti-cristianismo e a simpatia da banda, foi os destaques da performance deles. Músicas bem aceleradas, vocais potentes e andamentos velozes dos instrumentos, foi o suficiente para mostrarem um trabalho bem realizado e satisfatório.

Em seguida, foi a vez do NervoChaos, banda de Death Metal fundada em 1996. Formada por quatro integrantes, estão divulgando o mais recente disco “Nyctophilia” lançado nesse ano, somando o sétimo álbum da banda. Uma apresentação bem apreciativa e do mais puro Death Metal, foram mais ou menos 40 minutos de show, assim como as durações das bandas anteriores que se apresentaram. Um repertório variado das músicas, tocando as mais antigas e do mais recente álbum, foi uma performance bem agressiva e extremamente insana. Músicas muito bem compostas e desempenhadas com vocais guturais bem potentes e cadências aceleradas dos instrumentos em conjunto, foi o que ocorreu na apresentação deles. Destaque na música “Ad Majorem Satanae Gloriam”, onde o Lauro Nightrealm convidou para subir no palco os integrantes do Justabeli, mais especificamente, o War Feres (vocal e baixo) e o Blasphemer (guitarra), para cantarem juntos a música, o que deixou ela mais brutal e insana. Destaque também para os bons backing vocals da Cherry (guitarra), onde mandou muito bem nos gritos infernais em certas músicas específicas. Uma apresentação extremamente pesada e digna ao estilo apresentado e por ser uma banda empenhada e de extrema capacidade.

Encerrando as bandas brasileiras e partindo para a apresentação principal e a mais esperada da noite, a americana banda de Death Metal VITAL REMAINS. Com o Clash Club não muito cheio, mais ou menos as 22:00, já ouvimos a introdução “Where Is Your God Now” do álbum “Icons of Evil” (2007) e a banda toda já subia no palco e de cara, o vocalista Brian Werner chegou com uma bíblia aberta na mão pegando fogo enquanto estava tocando a intro, e quando fechou a bíblia, já iniciaram na sequência, justamente a “Icons of Evil”. Só com essas atitudes, já percebemos que a banda veio para destruir e fazer uma performance insana e macabra em São Paulo. E foi exatamente isso que aconteceu, um show extremamente energético, intenso e muito satânico, para falar o pouco dele.

Foram mais ou menos, uma hora e vinte minutos de apresentação e que espetáculo fizeram nessa noite diabólica que estava acontecendo em São Paulo. Cada música executada de forma pesada e extremamente rápidas para todos entrarem no clima. Entre elas: “Scorned”, “Devoured Elysium”, “Descent into Hell”, a nova música “In A World Without God”, entre outras insanidades. A sonoridade e a técnica da banda, são impressionantes e muito apreciáveis de serem presenciadas. O talento do conjunto, mostra o porquê eles são uma das bandas mais renomadas e representativas do Death Metal. Eles fazem o estilo deles se desenvolverem e sempre mantendo na qualidade de suas músicas com ótimas melodias formadas seja pelas guitarras e pelos vocais, e pelas harmonias que são executadas de uma brutalidade insana e sempre nos andamentos vertiginosos. Músicas geralmente sempre em durações um pouco mais extensas que se costuma fazer no Death Metal, mas nunca ficam arrastadas e nem cansativas, mas sim, prazerosas, apreciativas, admiráveis e mostrando a técnica, qualidade e as ótimas elaborações delas.

Destaque na música “Hammer Down the Nails”, onde o vocalista pediu para formarem um “Wall of Death” na pista e foi isso que aconteceu. Muito bem respondido pelos fãs e fizeram um “Wall of Death” insano e cheio de brutalidade correndo a solta.

Destaque também para o final da apresentação, onde tocaram a intro “Let the Killing Begin” e novamente, o Brian voltou no palco com a bíblia aberta pegando fogo e quando fechou-a, logo na sequência, iniciou a própria “Dechristianize”, talvez a música mais conhecida e de maior sucesso da banda. Muito bem concretizada e empolgante com a sonoridade pesada que ela tem e numa velocidade para balançar a cabeça até quebrar o pescoço.

Foi impressionante os membros da banda. Cada um deles executando ótimos trabalhos e mostrando a capacidade e o talento deles. O vocalista Brian Werner com seus vocais guturais e sinistros, fazendo uma performance assustadora e maligna, seja pelos seus vocais ou pelas suas atitudes em cima do palco e algumas vezes, interagia com os fãs, falando o quanto estava satisfeito com a presença deles e agradecendo-os. E umas duas vezes, se direcionando para os moshs feita pela galera da pista e ele no meio interagindo com os fãs. O guitarrista, fundador e único membro original da banda Tony Lazaro mostrando a capacidade e as boas técnicas que tem na guitarra base, fazendo excelentes riffs em andamentos ferozes. O baixista Gator Collier assim como a guitarra, teve seu ritmo veloz e pesado no instrumento e sempre com expressões sérias e enfurecidas, para fazer o clima do show e fazer o estilo da banda. E sempre ajudando nos vocais de apoio.

O baterista Eugene Ryabchenko devastando no instrumento com altas velocidades extremas e impressionantes ‘blast beats’ apreciáveis e muito bem executados. E o guitarrista Dean Arnold, que sinceramente falando, talvez o maior destaque do grupo. Novo guitarrista da banda e fiquei impressionado e fascinado com a técnica e a dedicação dele. O domínio dele no instrumento é magnífico, ótimos solos técnicos e riffs bem elaborados e cadenciados. Esse guitarrista provou que veio para ficar e não estava de brincadeira.

O VITAL REMAINS, sem dúvidas, sempre foi e sempre será uma das melhores bandas de Death Metal da história. Foi uma experiência muito agradável de ser vista. Uma banda muito dedicada com o talento dela e disposta a nos proporcionar o maior prazer possível. Sem contar também as bandas brasileiras que arrasaram em suas performances em cima do palco. Com altos gritos e homenagens a “Satanás” seja feito pelos fãs ou pelas próprias bandas, foi uma noite memorável e para quem estava presente no dia, com certeza, saíram dos portais do inferno mais do que satisfeitos por presenciar um dia cheio de satanismo e de muita extremidade.