Imprensa do Rock TV #Piloto: entrevista com Stoneria

stoneriaidrtv1

Repórter da Imprensa do Rock recentemente conduziu uma entrevista com os integrantes do Stoneria (como forma de estreia do canal). Você pode assistir o bate papo no clipe do YouTube logo a seguir.

Ilustração da capa do CD:

Falamos para o designer Gabril Cainê criador da capa, que nosso primeiro objetivo era mostrar que somos uma banda de latino americanos, por este motivo temos a pirâmide, alguns símbolos que remetem a cultura inca, asteca e o cocar indígena no olho.

O “olho que tudo vê” seria a representação de algo acima de nós, aquele que observa o cotidiano cujo seu formato não importa. Para alguns ele pode ser Deus, alienígenas, natureza…um reconhecimento daqueles que vivem a vida cotidiana que existe algo acima de nós e que com simples palavras, não é possível explicar ou definir. Gabriel Cainê preferiu representar este ser como algo mais próximo de um alienígena.

Como foi o processo de gravação do disco de estreia:

O disco do Stoneria foi gravado inteiro ao vivo com metrônomo no Estúdio El Rocha, somente vocais e guitarras solos foram inseridas posteriormente. Não tivemos um processo diferenciado na gravação em determinada música, mas seguimos procedimentos para gravar o disco que foram os seguintes:

1 – Definimos no metrônomo qual o BPM de cada música, ensaiamos exaustivamente juntos em estúdio para não errarmos na hora da gravação e economizarmos no tempo/dinheiro.

2- Os vocais foram inseridos entre as gravações das bases. Gravar todos os vocais de uma vez é arriscado, pois a voz pode ficar desgastada e as últimas músicas ficarem fracas. Foram gravadas as músicas que exigem mais peso (Até Logo e Latino Americano), para depois gravar as demais músicas.

3 – A maior parte dos solos foram compostas antes de entrar em estúdio. Existe alguns que são improvisos, mas a grande maioria foi criada e lapidada antes de gravar.

4 – A gravação do disco durou 5 dias e meio. O restante foi usado para mix e máster (total de 10 dias).

Fernando Sanches (que gravou nosso disco), disse que nosso processo de gravação foi como “os gringos gravam”. E ele está correto. Antes de entrarmos em estúdio, tivemos o apoio do nosso amigo Flávio Gois que hoje mora na Califórnia e trabalha em estúdio. Ele viu inúmeros grandes artistas gravarem como Alice In Chains, The Strokes entre outros. Ele nos direcionou de como deveríamos nos estruturar antes da gravação. Foi exaustivo, mas rendeu muito bem e realizamos um ótimo trabalho com o recurso que tínhamos disponível.

As bandas no Brasil entram em estúdio e criam no meio processo de gravação, o que é uma loucura! Isto é jogar dinheiro no lixo. É muito mais prático e sem pressão utilizar um estúdio mais simples para criar tudo (ou seu próprio quarto), ensaiar com metrônomo e ir gravar com tudo definido. Temos que agradecer eternamente pelo apoio do nosso amigo Flávio Gois.

Claro, se você é um artista grande com recursos ilimitados, ai que se foda! Crie tudo no estúdio de gravação que é muito mais divertido! Três músicas que consideramos bons exemplos para falar da letra é: Guerra Civil, Latino Americano e A Cela.

Guerra Civil é uma história real. Escrita por nosso amigo Fabio Gois, ela fala da verdadeira história do Brasil. Ele passou um dia em uma favela em São Paulo , presenciou cada palavra e imagem que a música descreve.

Latino Americano fala sobre o povo latino que passou por ditaduras, vive uma extrema diferença de riquezas entre o povo e acima de tudo quer ser norte americano. A ignorância e falta de cultura faz parte do povo que prefere ver TV, beber para amortecer e não questionar.

A Cela trata sobre a prisão da cidade grande ou melhor, São Paulo. Nossa casa, apartamento, sala. Quatro paredes que nos isolam do mundo. A ambição que domina cada um de nós e que já perdemos qualquer tipo de sentimentos para o próximo e com nós mesmo.

Sobre a influência atual do Stoneria:

“…Rock Clássico seria a maior influência que temos. Claro, o rock moderno também faz parte do nosso repertório como Cachorro Grande, Slayer, Nação Zumbi, Queens of the Stone Age, Carcass, Imperial State Eletric entre outras bandas. Mas a influência sonora que consiste na criação do som, vem dos clássicos.”

Aos iniciantes no mundo da música:

“Não monte uma banda e estabeleça um modelo a seguir, exemplo “quero montar uma banda tipo Rage Against The Machine”, “quero montar uma banda tipo Charlie Brown Jr”, “quero um guitarrista tipo Edgard Scandurra”. Isto não passa de uma bobagem. Fico imaginando se quando o Slayer nasceu, os integrantes discutiam que “tipo” eles iriam ser!”

Pauta da Entrevista: Victor Santos // Repórter (EP Piloto): Samy Suki
Cinegrafista: Matheus Silva // Estúdio: Conspiração Records (São Paulo)

Victor Santos

Victor Santos

Editor-Chefe em Imprensa do Rock
Victor Santos é editor-chefe do Imprensa do Rock e Diretor Geral do Programa Unimetal. Desde 2011, vem trazendo conteúdo de qualidade para os amantes da música e do cinema.
Victor Santos