Resenha: Lollapalooza – São Paulo, SP

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A Imprensa do Rock foi conferir de perto os shows do dia 7, em São Paulo no festival Lollapalooza. Estrutura, organização, recepção, chegada ao festival e claro, qualidade técnica de som não passaram abatidos por nossos olhos e ouvidos.

A tão esperada volta de Dave Grohl & Cia era sem dúvidas a mais esperada de todo o festival. Tão esperada que sem sombra de dúvidas, foram os responsáveis por movimentar as 80.000 pessoas presentes que chegavam aos poucos sem tumulto dentre os 6 portões que foram disponibilizados para a entrada no festival.

Dentre os 6 portões que a organização do festival disponibilizou, entrei pelo portão(às 15h20) de número 2. Portão 2 que apesar de ser o principal para a entrada de menores de 10 anos, estavam liberando todo mundo que fazia o acesso por ali.

Recepção educada e simpática na porta do Lollapalooza, mostrava que aquele seria algo de outro padrão. Padrão que não estamos acostumados a ver em muitos eventos por ai. Para entrar, era só necessário a identidade estudantil e o RG para aqueles que compraram a meia-entrada. Para aqueles que compraram a inteira, só o RG era o suficiente.

Mostrado o suficiente, tinhamos mais um obstáculo em que muitos não estavam com paciência. A revista e a verificação para ver se o ingresso era original ou não-original. Sem pressa, os que cuidavam da área já pediram para todos que estava chegando(com mochilas) ali abrir-las para conferir se tudo estava em seu limite.

Último obstáculo vencido? Sim, o ”último”. Mas o último antes de você ter o acesso a região dos palcos e dos bares. Por que, os 80.000 que estavam chegando aos poucos estavam enfrentando vários e vários outros obstáculos que estavam relacionados com a seguinte palavra: filas.

Fila pra comprar a moeda do Lollapalooza – que cá pra nós, não havia a menor necessidade de criar esta moeda, foi a maior ”burrada” de todo o festival – , fila pra comprar sua bebida(bebidas e alimentos que não estavam sendo vendidos, há não ser no próprio bar) e fila lógico, para garantir o seu produto oficial.

Apesar das inúmeras lojas oficiais localizadas em pontos estratégicos, as filas que se formavam para garantir as camisetas, bonés, posteres etc. eram pequenas mais um tanto demoradas. Estava parecendo o tal caixa ”rápido” de um supermercado, que devia se chamar o caixa ”lento”. Como se não bastasse, os funcionários eram de contar nos dedos. No máximo, cinco. Dois de cinco que a cada 10 minutos, estavam saindo para dar uma conferida no que estava rolando no palco. Ai fica difícil, não é mesmo?

Por causa das filas a locomoção foi complicada, durante toda a área do Jóquei(correspondente a 22 campos de futebol).

SHOWS

Marcelo Nova

Marcelo Nova foi o segundo artista a se apresentar no dia 07, no Palco Cidade Jardim. Depois do O Rappa, foi a segunda principal atração nacional dos dias de Lollapalooza. Clássicos como: Hoje e Só o Fim, levantaram os milhares presentes que acompanharam o show.

Show com característica nítida nacional: rock direto. Com conversas bastante diretas com o público, Marcelo mostrou seus principais sucessos que compôs no Camisa de Vênus e em parceria com Raul Seixas.

Pelo meu ponto de vista, foi bom para todos que acompanharam o festival este show de Nova. Afinal, ”este tipo de show está sendo extinto”, disse ele. Então é melhor apreciarmos e parar de reclamar com o que temos.

O Rappa

Sem dúvidas, a melhor banda nacional de todo o festival. A única que conseguiu levantar a galera antes da principal atração do dia: Foo Fighters. Vocês devem estar se perguntando: “E a Joan Jett?” Sim, não duvido da Jett, mas o que me fez afirmar foi pelo motivo de boa parte do público não acompanhar o show dela.

O principal motivo que fez boa parte do público não ir acompanhar o eletrizante show da dona de um dos singles mais populares de toda a música(I Love Rock n’ Roll) foi a locomoção. Locomoção que iriam resultar na perca de um bom lugar para o Fighters.

Agora vamos ao show do O Rappa:

Dentre as 12 músicas reproduzidas e um cover, O Rappa fez um show totalmente apelativo. Apelativo pelas músicas e pela carisma esbanjada pelo vocalista, Falcão. ”Reza Vela” música que foi antecedida por um pedido/ordem: “Pô, galera! Primeira vez do Lollapalooza no Brasil! Merece um grito mais alto!”.

A qualidade do som teve alguns deslizes realmente preocupantes para o grupo, que se ”encolheu” ficando um pouco inseguros. Mas nada que atrapalhou os outros integrantes da banda a prosseguirem com sua tradição: mistura de rock com reggae e hip-hop.

”Hey Joe” e ”Me Deixa” foram as músicas que levou o público pagante ao delírio. A tradicionalidade sempre ajuda nessas horas, não é mesmo? ”Pescador de Ilusões” foi executada e recebida pelo público com um ar de ”saco cheio”.

Ainda teve tempo para a desnecessária reprodução(playback) de ”Killing In The Name Of”, enquanto os integrantes iam a loucura sem motivo de nenhum em cima do palco.

Mas tirando os erros técnicos grotescos, O Rappa fez uma grande apresentação.

Cage The Elephant

Mesmo sendo puxada e animada pelo vocalista, a banda conquistou o público que torrava sob sol da tarde de sábado. Era uma das principais atrações do dia, e como não iria ser diferente colocou as pessoas(e inclusive Dave Grohl) para dançar.

Apesar do show intenso, ainda teve tempo para Matt Schultz se jogar nos braços dos fãs e brincar. ”Nunca fui tão violentado em toda minha vida”. Apesar de ser ”violentado” pelo público e não ter as canções sendo cantada pelos 80.000 pagantes, o Brasil conquistou o Cage The Elephant fazendo o maior da América do Sul ser o preferido do grupo.

”O Brasil acaba de virar nosso país preferido”, afirma Matt.

Joan Jett

Sem dúvidas o pior show de todo o festival. O TV On The Radio não conseguiu mostrar sonoridade, nem o motivo para estar na lista das bandas do Lollapalooza. O grupo estava totalmente descompassado e sem concentração para tocar.

Sinceramente, antes de ir acompanhar o show dos caras ouvi comentários excelentes sobre o som do TV On The Radio, que sinceramente, não sei também o motivo e o sentido deles. Fizeram combinações extremamente ridículas, como por exemplo: rock melódico e hard rock.

Se eu tivesse a oportunidade de perguntar diretamente o que eles tentaram fazer neste show(que inclusive, parecia não acabar) eu iria agradecer bastante.

Foo Fighters

O show estava marcado para às 20h30 e exatamente às 20h31 ouvimos o primeiro grito de Dave Grohl e respectivamente, a bateria de Taylor Hawkins acompanhou dando uma introdução do caramba ao show. Introdução que foi o tempo dos caras emendarem a clássica ”All My Life” e incendiar o público.

E definitivamente os caras não estavam brincando em serviço, logo depois de ”All My Life”, reproduziram a popular ”Times Like These” dando mais energia para o público. A presença de palco de Grohl, foi a mais surpreendente de todos os shows em que eu já marquei presença. Correndo de um lado para o outro, Dave parecia não perder o fôlego.

Uma das partes mais incríveis do show, foi na música ”Best of You” que antecedeu o famoso ”BIS” que contou com participação de Joan Jett. O coro que se deu no meio da música, foi de arrepiar qualquer um.

Joan Jett ainda foi convidada à subir ao palco por Dave Grohl para tocar ”Bad Reputation” e a tradicional ”I Love Rock n’ Roll”. Estes dois singles deram uma ”relaxada” no público que estavam um pouco mais tranquilos para apreciar a romântica ”Everlong”.

‘My Hero”, “Everlong”, ”All My Life”, ”Times Like These”, “Walk” e ”Learn to Fly” todas essas quando reproduzidas levaram os fãs e amantes de uma boa música presentes ao delírio

Foi um show de calar os críticos do grupo que insistem em afirmar que o Foo Fighters não tem espaço na lista das mais bem sucedidas bandas de rock.

Victor Santos

Victor Santos

Editor-Chefe em Imprensa do Rock
Victor Santos é editor-chefe do Imprensa do Rock e Diretor Geral do Programa Unimetal. Desde 2011, vem trazendo conteúdo de qualidade para os amantes da música e do cinema.
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