Golpe de Estado em apresentação com ar comemorativo e nostálgico

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O Golpe de Estado vem fazendo alguns shows em comemoração a seus 30 anos, mas este com um sabor especial. Foi anunciado algo que provavelmente nenhum fã da banda imaginaria: a participação especialíssima de Catalau! Para quem não sabe, ele é um dos principais compositores da banda, além do saudoso Hélcio Aguirra (falecido em 2014), e foi o vocalista da fase em que a banda ficou bastante conhecida, no final dos anos 80 e começo dos 90.

Texto por Rodrigo Flausino

Revisão: Paula Alecio

Agradecimentos a Bolivia e Cátia Rock que gentilmente cederam as fotos para esse post.

O evento, que atraiu o interesse de um público que encheu a pista da Clash Club, tinha ar comemorativo e nostálgico. Antes de subirem ao palco foi exibido um minidocumentário com depoimento de pessoas que foram e continuam sendo importantes para a banda até hoje. Logo na sequência surge o quarteto que hoje conta com Marcello Schevano (guitarra), Nelson Brito (baixo), Roby Pontes (bateria) e Rogerio Fernandes (vocal). Uma formação bem diferente dos primeiros cinco álbuns, mas com coerência. Roby já está na banda há mais de cinco anos e gravou o último álbum “Direto do Fronte”. Rogerio (Carro Bomba) foi quem assumiu o posto quando Catalau deixou o grupo após a gravação do “10 Anos Ao Vivo” e, para o mesmo lançamento de 96, gravou duas faixas bônus matadoras com a banda em estúdio. Marcello (também Carro Bomba) já esteve envolvido com a banda na década de 2000 fazendo participações ao vivo inclusive tocando teclados. Já Nelson é membro original.

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“Nem Policia Nem Bandido” abriu o show. A participação do público cantando foi algo bonito de se ver. O que deixa evidente que o ícone do Hard Rock brasileiro (e em português!) marcou algum momento da vida de muita gente, mesmo a banda não tendo sido uma grande referência no “mainstream” brasileiro como conseguiram, por exemplo, Titãs e Capital Inicial. No repertório, músicas abrangendo praticamente toda a carreira, incluindo o mais recente álbum de 2012. O clima de alegria também era notório, como disse Rogerio Fernandes: “vamos celebrar a vida”. Mateus Schanoski (tecladista, Tomada) foi convidado para “Paixão” – e por ali ficou por boa parte do set. Luiz Carlini, lendário guitarrista do Tutti Frutti, foi recebido como “o maior guitarrista de Rock do país; Guitar Hero máximo” e tocou lap steel em “Moondog” revivendo sua participação no “10 Anos Ao Vivo”.

Veio então o momento de grande expectativa. Catalau surge com seu violão. “Meu amigo”, disse Nelson Brito. No palco estavam todos, inclusive, Carlini. “Que time é esse!?” disse o cantor. Era um misto de felicidade e ansiedade, tanto do cantor quanto do público. Tocaram “Olhos de Guerra”. Nesse e nos demais sons ele mostrou aquela mesma interpretação de antigamente; aquela coisa de cantar e “comentar” a letra entre os versos. “Real Valor” só aumentou a emoção – vi muito “marmanjo” chorando ali. Bem à vontade, Catalau entre outras palavras mencionou a presença de Renato Pelado (baterista do Charlie Brown Jr.), Luiz Calanca (do selo Barato Afins, que lançou a banda nos anos 80) e mencionou ser sobre “assuntos atuais” suas composições com o Golpe enquanto lia o setlist. Para quem pensou que ele “pegaria leve”, escolheu “Velha Mistura” para fazer – música com claras referências às drogas. Novamente com boa presença de palco e interação com a plateia lembrando vinte anos atrás. Bastante brincalhão e agradecido por estar ali, filmou boa parte de “Terra de Ninguém”. Essa ele inclusive trocou uma parte da letra para “de São Paulo a Brasília”. “Galera, tamo junto. Deus abençoe”. O hit “Caso Sério” que até hoje toca nas rádios não ficou de fora, e “Mal Social” com Rogerio Fernandes encerrou a participação especial sob alguns gritos de “volta Catalau”.

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Não terminou aí não. Tinha mais um convidado, o ex-goleiro do Corinthians e também cantor Ronaldo Giovanelli. Chegou para fazer “Noite de Balada”. A intenção foi boa, mas mesmo eu sendo corintiano e fã desde a época do “espalma Ronaldo”, confesso que achei sua participação fora de contexto para o show. Rogerio agradeceu a todos, “todas as bandas que ´trampam´” e fecharam com “Libertação Feminina”.

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Foi realmente uma noite bonita. Para o fã do Golpe que quis reviver um pouco do passado, tenho certeza que conseguiu. Como muitos sabem hoje o carismático Catalau é pastor da Igreja Bola de Neve. Esse show ajudou desmistificar um pouco a questão do “gospel” sobre o que um artista cristão “pode ou não fazer”, o que é benéfico para o fã de música no geral. Obviamente nunca mais será possível ver a formação original dessa banda que fez a cabeça de muita gente, inclusive a minha. Mas a obra do Golpe de Estado precisa ser espalhada por aí e acredito que os quatro membros têm muita moral para a tarefa. Além da história na banda, são excelentes músicos e têm grande bagagem no Rock nacional. E parabéns para o Rogerio Fernandes, que além de cantar muito proporcionou aos fãs esse momento com o antigo vocalista sem que o ego tomasse conta. Como mencionou Catalau em determinado momento do show: “fui bem representado”. Ou então, nas palavras de Nelson Brito: “logo depois que o Hélcio voltou pra casa, era uma dúvida, fazer o que, né? Mas essa banda nunca existiu, era um sonho coletivo…”, seja lá o que isso signifique.

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Set List

  1. Nem Polícia Nem Bandido
  2. Underground
  3. Feira do Rato
  4. Quantas Vão
  5. Cobra Criada
  6. Todo Mundo Tem Um Lado Bicho
  7. Paixão
  8. Não é Hora
  9. Zumbi
  10. Moondog
  11. Olhos de Guerra
  12. Real Valor
  13. Velha Mistura
  14. Terra de Ninguém
  15. Caso Sério
  16. Mal Social
  17. Noite de Balada
  18. Libertação Feminina