Resenha: Girlschool @ Hangar 110 – São Paulo, SP – 29/06/13

Estamos recebendo um carinho muito grande por conta de nossos leitores fiéis da Imprensa do Rock e recentemente recebemos a cobertura feita por colaboradores do show da banda GIRLSCHOOL realizado no Hangar 110 em São Paulo. Confira como foi!

Gostaria de começar agradecendo a todos que compareceram naquela tarde chuvosa do mês passado, que aguentaram anos de espera para rever essas garotas incríveis e também agradecer a organização do evento, mas não só pela vinda delas e sim por tudo que fazem pela cena underground.

Coincidência?

Logo na entrada do Hangar 111, lugar que foi realizado tal evento tivemos uma recepção diferente, já que na tal chamada recepção não tinha ninguém, apenas nos haviam informado que a casa abriria as 19:00 em ponto, mesmo assim queríamos informações e por conta disso encontramos a porta principal aberta, o que resultou em uma visão que sonhamos a vida toda, sim, lá estava ela…Kim Mcauliffe!

Estava conversando com alguém, não entendia, pois meu inglês é básico. Com isso entramos e quando chegamos perto os seguranças barraram e fomos para fora da casa, até então a expectativa aumentou.

Antes mesmo de o show começar, o público teve uma recepção maravilhosa e prestigiada das garotas, as mesmas não se importavam de sair pela porta da frente, de enfrentar o povão e dar todo aquele carinho, todas tiraram fotos, conversaram para depois irem a uma van, pra onde ela ia? Não sei.

19:00 em ponto e a casa abre! Sim, para nossa maior felicidade a casa abriu em ponto, coisa que em nosso país quase nunca rola (pontualidade), e fomos rumo ao palco. A primeira banda detonou e aumentou as nossas expectativas para a noite. A banda seria nada mais, nada menos que a AVC Rock, uma banda com forte pegada de Motorhead, mas que ainda sim sobressaltava em influencia própria e de várias outras lendas do Rock/Metal mundial oitentista, fora uma apresentação espetacular que eu nunca havia imaginado que fosse rolar.

Na sequencia:

Após muito Rock n Roll de primeira entra uma banda de outro mundo, com uma pegada oitentista também e com um grande diferencial, no começo lembrei-me da época Thundersteel do Riot, mas era só o começo. Então todos ficaram de boca aberta ao ver tal banda, suas execuções eram fora do comum, destaque para o baixista que agitou muito e passou uma grande energia ao público. Curioso para saber a banda? Ela é da capital paulista e como a AVC Rock, também usa visual oitentista… Estou falando do Armadilha!

E que o show comece!

E com o final esplendido da banda Armadilha faz com que todos fiquem ansiosos por toda a casa e o coro começa: GIRLSCHOOL, GIRLSCHOOL, GIRLSCHOOL! Enquanto as cortinas vermelhas faziam suspense e dando mais clima a grande noite. E por fim a sirene dispara! Emergencia total! Todos gritam nessas horas ninguém mais queria saber de nada, apenas de ver as Demolition Girls, as estrelas que mais brilharam naquela noite e começam com Demolition.

Elas aparecem de forma explosiva, como uma granada que dispara estilhaços, uma entrada simples, porém especial e única que só elas sabem fazer. O som seguinte foi com toda a energia ainda da primeira música, elas tocam Not For Sale, e a troca de energia e carinho dos fãs com a banda e vice versa fez com que a casa tremesse com um momento único, histórico. Logo em seguida foi a vez da matadora The Hunter, ouvir esse som em vinil/cd por tantos anos desde a ultima apresentação delas aqui (Rio Claro) me fez imaginar “Cara, que energia elas tem até hoje”. Acredito que a vontade de misturar o novo com o clássico fosse intenção da banda e com isso vieram Hit and Run e I Spy, essa segunda começou com um papo da Kim M Mcauliffe falando sobre Ronnie James Dio, o papo é sobre esse som ter sido feito em parceria com o mestre. Never Say Never do albúm Believe é executada com perfeição que só elas conseguiriam fazer, seguida por Everything’s the Same e entrando na era da metade dos anos 80 com Screaming Blue Murder e voltado para os materiais anteriores com Future Flash, Kick It Down, Watch Your Step, Take It All Away, Yeah Right e um dos melhores cover já feito: Race With Devil e finalizam com Emergency.

Vale lembrar que todas as execuções ficam “no talo” de boas, nenhum headbanger colocaria defeito em tal apresentação, com direito a troca de palavras de todas, brincadeiras, como por exemplo a Jax Chambers que pegava a guitarra e “raspava” no pedestal do microfone, Enid Willians e sua delicadeza ao enrolar uma toalha na cabeça e ainda sim tocar. E lá no fundo, há uma verdadeira guerreira, uma das melhores batera que há mundo a fora, Denise Dufort e sua pegada selvagem, mais realista e potente do que nos cds/vinis.

O público literalmente foi a loucura e pediram mais, sempre mais! Com tanto coro, grito e choro elas voltam sorrindo, falam algo que me foge a memória e aumentam o tempo de duração do nosso sonho, é hora de Tush e na sequência Please dont touch e para finalizar com C mon let’s go. E todos queriam mais, me lembro da Kim entregando palhetas ali na frente, por sorte duas amigas conseguiram pegar e entregamos a ela uma pulseira, ela dizia “thanks, thanks”.

Após o show houve uma grande mancada da casa com o povo, os seguranças proibiram a entrada, sem explicação alguma, apenas empurravam as pessoas como se estivessem açoitando ou tocando o gado, houve bate boca, agressões verbais e físicas por parte dos mesmos que agiam com grosseria e ódio, mas isso não estragaria a noite… Noite que ficou chuvosa e mesmo assim o público lá, comparecendo, não indo embora com a esperança de que nossas rainhas do metal passassem ali e tcham! Para a nossa surpresa ou não, elas saíram por aquela mesma porta na qual saímos, a Enid Willians saiu correndo, acredito que estava cansada e por isso não teve tempo de atender todos, mas em compensação todos puderam abraçar, conversar, beijar e pedir para elas voltarem para a Denise, Jax e Kim, que foram totalmente simpáticas, atenciosas e amorosas com todos e a noite termina com elas partindo rumo ao hotel.

E por fim fica o que aproveitei nessa noite especial. Um show exemplar, que começou em ponto, que tiveram bandas boas de abertura e um final conturbando que resultou em felicidade. Essa banda tem algo mais do que especial a partir desse dia, já que eu nunca tinha visto uma banda de fora receber os fãs com tanto carinho. Com certeza queremos mais Girlschool, queremos mais noites como essa, com Armadilha e AVC Rock.

 

Agradecimentos e créditos ao Casal Rock Bolívia e Cátia.
Facebook Girlschool // Armadilha // AVC ROCK
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Texto por: Doug Nogueira
Victor Santos

Victor Santos

Editor-Chefe em Imprensa do Rock
Victor Santos é editor-chefe do Imprensa do Rock e Diretor Geral do Programa Unimetal. Desde 2011, vem trazendo conteúdo de qualidade para os amantes da música e do cinema.
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