Exodus: repleto de polêmicas ainda garantiu a boa violência amigável

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O show do Exodus em São Paulo, no último domingo (24), estava envolto por uma atmosfera polêmica. Primeiro a notícia de que Gary Holt não participaria da turnê por compromissos agendados pelo Slayer, depois pelo cancelamento do show em Fortaleza. A boa notícia é que o Exodus tocou em São Paulo e o Imprensa do Rock estava lá para contar detalhes para os leitores.

Os fãs se reuniram no Carioca Club, casa que já recebe a banda desde os últimos três shows que realizaram em São Paulo, e nesses três show já vimos de tudo: Rob Dukes com Gary Holt, Steve Zetro com Gary Holt e Steve Zetro sem Gary Holt, mas com  Kragen Lum (guitarrista do Heathen). Pra quem não sabe Lee Altus, guitarrista do Exodus, também faz parte do Heathen (thrash metal da Bay Area) desde 1984. Kragen Lum é seu companheiro nas cordas e agora em drobro, cobrindo os shows no lugar de Gary Holt.

A abertura da casa ficou por conta da banda Sinaya, formada exclusivamente por mulheres. A escolha da produtora me pareceu um tanto inusitada, tendo em vista que no último show levamos de brinde a incrível apresentação do clássico MX. Mas ainda acredito que oportunidades como essa amadureçam novas bandas como a Sinaya, que apresentou um show mediano para pouco público.

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O show do Exodus começou dentro do horário previsto, cerca de 20h. A casa já estava cheia e muito ansiosa para ver como é um show sem Gary Holt. Deu até briga entre defensores do Holt e fãs menos apegados, mas na hora que o show começou todos tinham razão. “Black 13” e “Blood In, Blood Out” deram o pontapé inicial para que o som da casa se acertasse, o vocal de Zetro foi regulado e nas músicas seguintes se destacou muito mais. “And then there were none”, do clássico álbum “Bonded By Blood” foi executada com emoção por todos. Lee Altus ganhou destaque na apresentação, pois a todo momento estava interagindo com o público de uma forma que não tinha visto ainda em nenhum dos shows no Brasil: sorridente!

Jack Gibson estava mais parado que o habitual, mas teve seus momentos de glória como em “Body Harvest”. Kragen Lum também deixou a desejar no palco, talvez até pelo costume de ter uma presença frenética em forma de guitarrista solo, que levanta a guitarra com a alavanca e faz milagres com confiança.

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A banda não trouxe o cenário do álbum “Blood In, Blood Out”, mas manteve a bandeira tradicional, old school. A faixa “Deranged” do álbum “Pleasures of the Flesh” foi um presente inesperado, digno da animação geral. Steve Zetro ressaltou a todo o momento que voltariam com Gary Holt e que São Paulo era sua segunda casa. Como uma forma de homenagear o público anunciou clássicos em sequência: “Metal Command”, “Piranha” e “A Lesson in Violence”.

Tom Hauting é uma figura que também nunca deixa a desejar, subiu na bateria algumas vezes e como sempre tocou com empolgação.

O que não faltou foi stage dive e mosh pit. “Impaler” levantou o chão do Carioca, não tinha como ficar parado. O público de idade diversa compartilhava a mesma emoção. O wall of death também é uma característica insana da banda que garante uma grande concentração de pessoas preparadas para a morte (digo, diversão) certa. De plano de fundo “Strike of the Beast” que finalizou com chave de ouro.

Gostaria de elogiar o grupo de seguranças do Carioca Club que agiu com a consciência de que stage dive é normal, de que um ou outro subir no público é normal, de que mosh pit é normal e com certeza garantiram a prática dessa cultura com responsabilidade sem invadir ou machucar ninguém.

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No final do show os membros tiraram poucas fotos com os fãs e partiram para o hotel, deixando a sensação de que a promessa da volta se realizaria em breve.

Resenha por: Yasmin Amaral
Fotos gentilmente concedida por: Wallace Andrade (A Ilha do Metal)
Edição: Victor Santos
Agradecimento pelo Credenciamento: The Ultimate Music

Victor Santos

Victor Santos

Editor-Chefe em Imprensa do Rock
Victor Santos é editor-chefe do Imprensa do Rock e Diretor Geral do Programa Unimetal. Desde 2011, vem trazendo conteúdo de qualidade para os amantes da música e do cinema.
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