Entrevista: uma conversa com Gregório, vocalista do Deceivers

Gregório, vocalista do Deceivers nos concede uma entrevista e fala sobre os projetos, novo disco e as origens da banda. Confira:

I.D.R: A banda se iniciou no ano de 1994, época em que o rock / metal teve uma excelente fase no país e também na Europa. Vocês nasceram juntos ali com o Korn, Deftones, Kittie. Isso de certa ajudou a dar um impulso ao trabalho inicial da banda?

Gregório: Não digo impulso direto, pois eles serviram de inspiração. Nascemos em 1994 e essas bandas chegaram por aqui perto de 96, 97… Mas a grande verdade é que mesmo naquela época no nosso país nunca teve um mercado mesmo, algo que impulsionasse de verdade quem estava começando. Ao mesmo tempo em que a molecada se impressionava com os instrumentos, cabelos e estilos dessas bandas, outra meia dúzia montava suas próprias bandas baseadas nesses sonhos. Nunca estivemos muito inseridos nisso, pois apesar de gostar dessas bandas fodas do new metal, tínhamos como referência o DFC, Restless, Death Slam, Ratos de Porão e por aí vai… essas bandas “sofridas” do Brasil é que nos fizeram aguentar firmes até aqui.

I.D.R: O álbum “Third Machine” obteve uma grande repercussão e abriu portas para festivais e shows. Comparando aquela época até o presente momento, como é o público de hoje e como é a recepção do mesmo quando a banda se apresenta.

Gregório: Ouso dizer que aquela época se perdeu… mudou mesmo e não volta nunca mais. Rs! Mas não tenho nenhum remorso nisso, pois os tempos atuais também trouxeram outras vantagens, como a facilidade de exposição e a segmentação do público, que realmente sabe o que quer. Acredito que hoje a banda está muito mais agressiva na forma de se apresentar, com um som mais forte que nunca, mais conciso e com as ideias mais consolidadas. Isso é uma evolução, e obviamente a fase Third Machine foi essencial para isso. Na época do Third Machine não tinha nenhuma banda fazendo o que a gente fazia, de forma indie mesmo, e por isso a coisa repercutiu tanto. Espero que possamos trazer o mesmo sentimento de originalidade que o Third trouxe, vai ser o máximo!

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I.D.R: O próximo disco está em fase de produção com Jacob Hansen que é um cara bastante

respeitado no meio e trabalha com grandes bandas. Como tem sido esse processo com ele?

Gregório: Infelizmente não o teremos mais no projeto do disco novo. Coisas inerentes à comunicação nossa com ele atrapalharam bastante. O cara está longe, isso é sempre difícil… Procurar um produtor de fora parece “lindo” à primeira vista, mas os entraves são inúmeros. Já temos algo bem especial para o novo disco, pode esperar.

I.D.R: No ano de 2006, o disco “Everbreathe” foi lançado na Europa. Como foi a repercussão,

vendas e aceitação do público?

Gregório: Por lá o disco foi licenciado para uma gravadora indie, ou seja, a gente nunca fica sabendo mesmo o que deu… rs! Mas é bem certo que ele conseguiu atingir muita gente, mais pelo lado exótico que qualquer outra coisa. “Caramba, os caras são do Brasil” deve ter pensado o gringo que nos encontrou numa banquinha de cds. A gravadora tinha planos de nos levar para lá, o que teria mudado bastante todo esse resultado, mas que infelizmente não rolou por motivos pessoais de membros da banda na época. Não fez mal, em alguns meses fomos para os EUA, onde moramos e fizemos o Everbreathe alcançar alguns ouvidos bem importantes. Essa é a parte mais legal de tudo isso!

I.D.R: Nos encontramos já no final de 2014. Como está sendo os trabalhos para 2015.

Gregório: Estamos focados 96% no disco, e alguns 4% para shows mais especiais que pintarem. Como agora, que tocamos em SP, em algumas datas, inclusive o SPHC Fest, um “senhor” festival indie! Tocaremos em poucos dias com o Bane (USA), entre outros por vir. Mas 2015 é o ano do disco, e muita lenha ainda vai queimar.

I.D.R: Alguma previsão para apresentações fora do país?

Gregório: Pretendemos trabalhar o disco lá fora sim, de uma forma de outra, aparecer no palco de um país de diferente, e pisar em outro solo faz parte do nosso sonho. Lembrando que somos uma banda independente, e cada camiseta ou cd vendidos, se transformam em mais uma camiseta ou cd lançado. Quem nos faz existir é que mantém essa cena viva e acredita em bandas como nós, não só ouvindo, mas acompanhado, contribuindo, apertando nossa mão mesmo.

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I.D.R:Com relação a um registro da banda de algum show ou um apanhado de músicas ao vivo para se criar um debut, estão pensando nessa possibilidade?

Gregório: Sempre pensei nisso, particularmente, gosto de tudo ao vivo. Devemos fazer algo do tipo no disco novo. Para se ter uma ideia gravamos o Valendo no Orbis, um programa ao vivo, sem overdubs que dá pra se ter uma bela ideia da banda tocando mesmo.

I.D.R: Há alguns anos atrás, vocês chegaram a residir em Los Angeles e fizeram grandes shows por lá. Existe ainda algum elo de amizade com produtores, empresários…

Gregório: Sempre existiu, e procuramos manter isso. Temos muitos amigos por lá em bandas conhecidas também; mas é importante saber que a cena por lá mudou muito também, e passa por severas crises. As bandas indies que antes tinham como “comer” dos seus shows e cds, já estão minguando. Ou você faz parte do jogo business mesmo, ou não. Não tem mais meio termo por lá… O meio termo é que fazia bandas mais verdadeiras, mais sonoras evoluírem. Hoje vemos muita coisa fabricada, que já chega pronta, e não engana os mais velhos como eu. Já a molecada mais nova até curte por uma época, mas troca rapidamente pela que oferecer uma “roupa mais bonita” talvez. Não acho isso ruim ou errado, é só uma realidade dos novos tempos. Deceivers toca para todos os públicos, nossa ideia é agregar ao máximo, levar a mensagem e a música para quem quiser ouvir e nos der essa chance.

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I.D.R: Sobre o lançamento do novo trabalho, já existe algum selo responsável para divulgação no exterior?

Gregório: Ainda não, veremos isso em breve com o material mais finalizado.

I.D.R: Agradecendo a oportunidade da entrevista e desejando um 2015 de muito trabalho e sucesso, esse espaço é livre para deixar uma mensagem aos fãs e leitores do site.

Gregório: Agradecemos muito ao Imprensa do Rock a oportunidade de estar aqui! E agradecemos também a dedicação de vocês em manter esse trabalho essencial para a cultura de verdade, para a música pesada e marginal que a gente faz. Nos vemos nos próximos shows! Um forte abraço.

Entrevista: Leandro Fernandes

DECEIVERS lançou um novo vídeo para a versão demo de uma nova música chamada “Poisoning”, além de vídeos ao vivo no projeto “Valendo no Orbis”, ambos com aceitação impressionante nos canais de mídia e redes sociais.

Em poucos meses, a banda entra em estúdio para gravar seu próximo álbum, a ser lançado em 2015. Com isso, a banda espera elevar ainda mais sua música e sua presença para níveis ainda não alcançados!

Confira o vídeo:

Vídeos ao vivo, gravados em estúdio, sem overdubs:

Victor Santos

Victor Santos

Editor-Chefe em Imprensa do Rock
Victor Santos é editor-chefe do Imprensa do Rock e Diretor Geral do Programa Unimetal. Desde 2011, vem trazendo conteúdo de qualidade para os amantes da música e do cinema.
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