Entrevista: Vitão Bonesso o locutor da Rádio Backstage na KISSFM

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Tive a honra de entrevistar o meu xará (diga-se de passagem) Vitão Bonesso (apresentador do programa Backstage na KISS FM). O cara que sempre foi uma inspiração no mundo da música para mim após meu pai, irmão, primo e amigos. Nessa entrevista invertemos os papéis, o mesmo que costuma fazer em suas entrevistas, agora tendo um tempinho para ser o entrevistado da vez. Confira um pouco sobre os seus primeiros discos, como se tornou locutor e mais algumas coisas.

Você se lembra dos seus primeiros discos? Lembrando, cite três deles e comente algum fato curioso que os tenha marcado!

Um dos primeiros foi com certeza um compacto duplo dos Ventures, que tinha uma versão bem legal, instrumental de California Dreamin’, do Mamas & The Papas. Na verdade, o disquinho era do meu pai, mas depois de algum tempo ficou pra mim e o tenho até hoje. Outros que eu comprei com meu próprio dinheiro foi o “Muscle Of Love”, do Alice Cooper, e o “Burn”, do Deep Purple; isso em 1974. Acredito que foram os álbuns que eu mais escutei na minha vida (risos)!

Como foi que você chegou à conclusão de que seria locutor?

Não cheguei, chegaram em mim (risos). Eu era apenas um colaborador de conteúdo da 97 FM e um dia o diretor da rádio me propôs que eu comandasse um programa meu. A proposta na verdade foi uma intimação, pois em uma semana eu tive que inventar um programa, dar nome a ele e colocar no ar. Na verdade nunca tive a intenção de ser locutor… simplesmente aconteceu.

Para chegar à criação da “Rádio Backstage”, o que foi necessário?

Foi necessário eu perceber que a Brasil 2000 seria arrendada e que em alguns meses tudo acabaria no segmento Rock por lá. Aos poucos fui fazendo a Rádio Backstage e quando finalmente eu sai da Brasil 2000, em janeiro de 2006, eu já estava com quase tudo pronto para colocá-la no ar. Além disso, precisei de coragem para acreditar nessa modalidade que na época era inédita no Brasil: uma webradio. Ninguém botava fé que vingaria. Ouvi palavras bem desencorajadoras a respeito, e de pessoas que eu precisava contar para tornar a Rádio Backstage uma realidade. Felizmente essas pessoas estavam erradas e, aos poucos, o nome Backstage se fez presente.

Uma curiosidade, você possui uma banda cover de Black Sabbath chamada “Electric Funeral”. Conte-nos um pouco sobre por que uma banda cover e não própria.

Porque não tenho saco de compor, essas coisas. Gosto de Black Sabbath, cresci ouvindo essa banda, copiando cada virada do Bill Ward e me divirto com o Electric Funeral, apesar da seriedade que temos com a banda.

O vídeo abaixo contém a apresentação do cover de “Black Sabbath & Ozzy Osbourne” de um primo. Essa apresentação é de quase um ano atrás, no BlackMore em SP (detalhe: ele é o vocalista). Contando com sua experiência de mais de anos tocando o melhor do Sabbath nas noites de São Paulo, deixe um comentário sobre o que gostou na banda e o que eles devem fazer pra melhorar.

Olha é difícil captar alguma coisa com o áudio do You Tube… Mas os moleques tocam bem. Tem um andamento fiel às musicas originais. Uma produção de palco, com roupas e um pano de fundo seria legal. Mas num geral é bem legal a banda.

Em sua opinião, o que as bandas covers acrescentam no mundo da música? Por que vemos ótimos músicos espalhados por aí que do nada correm para algo que já existe?

Acrescentam divertimento. O que muita gente não se liga é que por trás de um músico que está ali no palco tocando cover existe uma família a ser sustentada, e se ele faz isso às vezes é por quê a música autoral não está sendo suficiente para isso. Não vejo nenhum mal em bandas cover, já que existem muitas bandas por aí tentando fazer musica própria onde o resultado é lastimável.

Qual foi a melhor entrevista que você realizou até hoje? Conte-nos sobre ela.

Todas com Ronnie James Dio, ou seja, umas 9… e foram sensacionais. A entrevista com Rick Wakeman também foi bem legal e divertida. A mais desafiadora foi com Ritchie Blackmore, já que o gênio do cara não é dos melhores. Porém, peguei ele num dia inspirado e tudo correu bem.

Das muitas entrevistas já realizadas por você. Qual foi a que menos te agradou e por quê?

Glen Danzig foi uma delas. O cara se acha a última bolacha do pacote e depois de duas perguntas que eu fiz e que as respostas foram sem nexo, desliguei o gravador e pedi para o responsável da gravadora dele aqui no Brasil tirar aquele imbecil da minha frente. O Tony Martin também não virou de forma legal. O cara pode ser um ótimo compositor, mas ao vivo é uma porcaria e além de tudo se acha uma estrela só por quê estava cantando no Black Sabbath. Eu tinha uma entrevista com ele de 20 minutos e quando deu 15 minutos ele simplesmente desligou o telefone na minha cara, sem ao menos dizer nada. Eu fiquei na minha já que entrevistar Tony Martin e o jornaleiro da esquina pra mim era a mesma coisa. Mas logo em seguida a gravadora ligou pra mim e perguntou como havia sido a entrevista. Eu disse: Tão boa quanto a voz desse otário, e relatei o que ocorreu. A gravadora não aceitou aquilo. Ligou para o Tony Martin e exigiu que ele voltasse a fazer contato comigo e fizesse o trabalho completo. E foi o que ele fez, me ligou se desculpando não sei de que, ai quem disse que não poderia dar sequência naquela entrevista era eu. O Zakk Wylde é outro problema. Me ligou duas vezes para uma entrevista completamente bêbado. Depois de uma pergunta e de uma resposta que eu não entendi nada, desliguei o telefone. O empresário ligou puto pra mim perguntando porquê eu não havia feito a entrevista e eu só respondi: “Por que não perco meu tempo falando com bêbado”. Por fim, o empresário me pediu desculpas.

Quais foram as suas 10 últimas aquisições? Faça uma lista delas…

Hummm….

  • Anvil (Hope In Hell)
  • Judas Priest (Epithaph)
  • Blackmore’s Rainbow (Black Masquerade Live 1995)
  • Rick Wakeman (Journey To The Centre Of The Earth – regravação)
  • Paul Mc Cartney (Rock Show)
  • Whitesnake (Made In Britain)
  • Whitesnake (Made In Japan)
  • Black Sabbath (13 deluxe edition)
  • Dio (Sacred Heart – Expanded Version)
  • Blackmore’s Night (Dancer And The Moon)
  • Blue Öyster Cult (The Columbia Collection).

Você que tem o costume de fazer as entrevistas. Conte como é a experiência de ser o entrevistado da vez tanto na Imprensa do Rock como em diversos outros sites.

Eu acho legal falar do meu trabalho para grandes e pequenos veículos. E uma questão de respeito que as pessoas têm com nosso trabalho e que na medida do possível eu retribuo com muito prazer.

Uma pergunta bastante polêmica ultimamente. Você que pegou toda essa época dos anos 80 e 90 sabe como que é o verdadeiro cenário aqui no Brasil. Dê sua opinião sobre o Rock/Metal nacional dos dias de hoje. O que é necessário fazer pra acabar com essa mania de dizer “o metal nacional está morto”.

Definitivamente o Metal nacional não esta morto. As pessoas que dizem isso não têm ideia de como é difícil ter uma banda e fazer ela ir pra frente. É fácil demais fazer críticas quando se está de fora. Aqui, como em tantos outros países, existem as excelentes, as simplesmente boas e as ruins. O público sabe muito bem dividir isso. Tudo depende também do mercado, da situação financeira do país, mas longe de decretar a morte de qualquer coisa que for. É uma questão de trabalhar e trabalhar para se conseguir resultados positivos. Nada cai do céu.

Vitão, (meu xará), muito obrigado por ter respondido a entrevista para a Imprensa do Rock e deixe um comentário tanto para os seus fãs como os nossos. Até breve!

Victor (meu xará, risos), parabéns pelo trabalho e espero vê-los cada vez maior. Obrigado pela oportunidade e disponham sempre do Backstage. Abraços, Vitão Bonesso.

Victor Santos

Victor Santos

Victor Santos

Editor-Chefe em Imprensa do Rock
Victor Santos é editor-chefe do Imprensa do Rock e Diretor Geral do Programa Unimetal. Desde 2011, vem trazendo conteúdo de qualidade para os amantes da música e do cinema.
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