Entrevista: banda Ancesttral Thrash Metal Brasileiro

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As entrevistas não param por aqui! Na Imprensa do Rock depois da estréia do Cauê Leitão guitarrista do Andragonia e novo colunista do blog/site. Dessa vez com a banda Brasileira de Thrash Metal “Ancesttral”. A entrevista foi respondida inteiramente pelo vocalista e guitarrista Alexandre Grunheidt.

Criatividade aliada ao peso. Apesar do título de Thrash Metal, a proposta é compor sem se prender a rótulos, mesclando influências, usando liberdade e inteligência para construir seu próprio – e sólido – estilo!

As influencias e gosto musical ajudou na criação do nome da banda? 

Hoje somos 3 integrantes (estamos sem um baterista fixo no momento), que tem influencias diversas. Claro que todos temos o Thrash Metal de bandas como Metallica, Testament e Slayer no sangue, assim como sons mais modernos como Godsmack, Killswitch Engage e Rob Zombie, mas o Renato Canonico (baixista) curte coisas como The Cure e essas bandas meio góticas dos anos 80. O Leonardo Brito (guitarrista) já prefere bandas como Dream Theater, Van Halen, etc. Eu gosto de Hard Rock “farofa” tipo Motley Crue e Cinderella. Não que essas bandas tenham nos influenciado no som do Ancesttral, mas acabaram nos moldando como músicos.

O que podem falar da experiência que tiveram gravando o “The Famous Unknown” com músicos marcantes, alguns deles sendo Vitor Rodrigues (Torture Squad), Roger Lombardi (Goatlove, ex-Sunseth Midnight).

Isso sem falar em Paul “X” (ex-MonsteR), Marcello Pompeu e Heros Trench (Korzus). Foi um prazer e, principalmente, um privilégio contar com a participação desses amigos. Foi como ganhar um voto de confiança. Eles já tem carreiras estabelecidas e não teriam participado se não acreditassem que a banda pudesse fazer um bom trabalho, já que todos já tem uma carreira longa e estabelecida no Metal Nacional.

Em 2012 vocês lançam o EP “Bloodshed and Violence” e um cover do Black Sabbath. Por que resolveram fazer essa cena dentro do EP?

O cover do Black Sabbath seria para uma coletânea que estava sendo lançada na internet, inclusive antes da morte do Dio. Cada um escolheu uma música da Era Ozzy e uma da Era Dio. A música que foi unânime foi exatamente a “I”. Como demoramos demais para gravar, o Dio acabou falecendo, mesmo assim, resolvemos grava-la e serviu como uma homenagem.

Pode nos dar uma ideia do que vai ser o novo álbum?

Estamos terminando os arranjos de 15 músicas, das quais 10 serão gravadas para o CD. O título ainda não posso revelar. E hoje, ouvindo as músicas novas, o EP e o “The Famous Unknown”, posso dizer que existe uma ligação forte entre os três. Acho que as nossas influencias vão aparecer mais neste próximo CD, mas ao mesmo tempo criamos uma identidade. Não é nada “diferente” e nem estamos dizendo que estamos “criando um novo estilo”. Mas as pessoas que já escutaram nossos trabalhos anteriores vão ouvir e dizer “Sim! Isso é Ancesttral!”. Mas posso afirmar que este estilo está meio longe do Heavy Metal Tradicional.

– Hoje temos de longe um falso moralismo gigantesco entre as pessoas principalmente na internet. Cito um exemplo de imagens nas redes sociais sendo compartilhadas a todo momento, imagens que em instantes ganham 4, 5 e até 6 mil compartilhamentos por besteira. E ai fica a pergunta onde fica o bom senso dessas pessoas? Em vez de compartilhar imagens ou textos que realmente valem a pena nessa, compartilham imagens que não tem nada a ver. Inclusive o tema de vocês retratam bem sobre isso os assuntos do cotidiano, a hipocrisia e o falso moralismo, como vocês lidam com isso no dia-a-dia?

Sobre este assunto, vocês vão ler e ouvir bastante no próximo CD, pois ele vai tratar basicamente disso, por incrível que pareça. Normalmente a Internet cria Super-Homens, Mulheres-Maravilha e pessoas que se acham acima do bem e do mal. Todos tem opiniões, todos tem algo a dizer, mas a grande verdade é que ninguém age de acordo com o que escreve. Quantas vezes você lê que é um absurdo uma mulher que bateu em um cachorrinho, mas essa mesma indignação não acontece ao passar por uma criança abandonada na rua, passando fome ou até mesmo com políticos que roubam seu dinheiro na sua cara? Essa hipocrisia e todas as mentiras que se lê na internet tem sido a minha grande fonte de inspiração para as letras do próximo CD.

– Como é o trabalho da banda quando o assunto são “covers”, como vocês lidam com esse tipo de turma nos shows?

Isso faz parte da nova cultura do povo do metal. Eu tenho um cover do Metallica e do Rob Zombie. Me divirto e sempre soube tirar proveito dessas situações para divulgar o Ancesttral. É burrice lutar contra isso. O que podemos fazer é mostrar para os donos dos bares que um show legal de banda de som próprio pode ser tão bom e atrair tanto público quanto de uma banda cover. Mas enquanto o público não apoiar, vamos continuar nessa.

Pode-nos falar um pouco sobre os equipamentos e as marcas que cada integrante usa?

Meu equipamento com o Ancesttral é o seguinte: Guitarra ESP/LTD EC-401 FM (afinada em Drop C#), PRS SE Tremonti (reserva) e Ibanez Halbert (afinada em Drop C). UsoLine 6 X3 Live como efeito. Tenho ainda uma ESP/LTD Truckster, uma ESP/LTD Snakebite (ambas afinadas em Eb) e uma Shelter Rusty (afinada em D) para uso com o Damage Inc. (Metallica Tribute).

O Renato Canonico usa Baixos (Washburn XB400, Walczak Moddena Custom, ESP/LTD Vintage 204), Amplificador (Ampeg SVT7 PRO), Caixa (Crate 1×15), Efeito (Sansamp Bass Driver DI), Sistema Wireless (MIPRO).

O Leonardo Brito usa o seguinte equipamento: Guitarra LTD M1000 Delux em C# drop, LTD MH327 em C# drop (reserva), LTD MH327 em C drop, uma LTD EC1000 Delux em C Drop (reserva), amplificador Mesa Boogie Triple Rectffier Head, caixa Marshall M412 custom, Cry Baby Wah Dunlop Special Edition, BOSS Noise Supressor, MAXON OD808, BOSS Super Chorus, rack DIGITECH GSP1101 (backup), pedal HELECTRO HARMONIX #1 Eco, sistema wireless MIPRO.

– Cite sua opinião sobre os álbuns aleatórios a seguir:

* Fly By Night – Rush 

Gosto desse disco, mas conheci tarde. Não era o tipo de som que me fazia a cabeça, já que eu cresci ouvindo Hard Rock e Metal mais tradicional. Mas quando ouvi o Moving Pictures comecei a prestar mais atenção à banda. Para os fãs mais xiitas do Rush pode até parecer uma heresia o que eu vou falar, mas meu discos preferidos (além do Moving Pictures, claro) são Test for Echo e o Counterparts pois são mais diretos e pesados.

* Rude Awakening – Megadeth

Quem já viu uma vez na vida um show do Megadeth sabe que o Dave Mustaine não cantou ao vivo o que aparece neste disco. É um overdub descarado, mas todo mundo faz isso, certo?. Gosto do disco (tenho o CD e o DVD) e, ao contrário de muitos fãs de Megadeth, acho a performance do Al Pitrelli formidável neste show!

* Blizzard of Ozz – Ozzy Osbourne 

Randy Rhoads é Deus!!!

* Alice In Hell – Annihilator

Cresci ouvindo esse disco!!! Ainda hoje sei a letra de Alison Hell de trás para frente!

* Live After Death – Iron Maiden

Sou autodidata e nessa época não sabia notas musicais, partitura ou tablatura, mas sabia tocar o Live After Death do começo ao fim. Eu e um amigo que morava no mesmo prédio ficávamos corrigindo um ao outro e, no final das contas, tiramos o disco juntos. Ele era baixista, também se chamava Alexandre e com ele formei minha primeira banda, o Overdust. Acho que ainda sei tocar pelo menos 70% deste disco mesmo sem escuta-lo.

– Podem deixar um recado pra galera que acompanha diariamente o site? Até breve!

Gostaria de agradecer a oportunidade de poder falar um pouco sobre o Ancesttral e pedir aos leitores saiam um pouco mais da frente do computador e compareçam aos shows das bandas nacionais que eles curtem. Não quero fazer aquele discurso ufanista, tipo “vamos apoiar o Metal Nacional” porque isso não engana mais ninguém. Temos bandas sensacionais, mas também tem um monte de porcaria por aí. Por isso eu digo “Apoie as bandas que você gosta!”. Acho que as pessoas que dizem gostar de certas bandas deveriam realmente fazer algo que demonstre a sua admiração. E isso não se demonstra baixando seus CDs ou apenas dando um “Curtir” em uma página de Facebook. Quem gosta mesmo mostra a cara, vai agitar suas músicas favoritas no show, compra o CD, compra o merchandising, etc. Muito obrigado!

Victor Santos

Victor Santos

Victor Santos

Editor-Chefe em Imprensa do Rock
Victor Santos é editor-chefe do Imprensa do Rock e Diretor Geral do Programa Unimetal. Desde 2011, vem trazendo conteúdo de qualidade para os amantes da música e do cinema.
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