Entrevista: Dry

Com um misto de peso e um alternativo bem trabalhado, a banda Dry vem desenvolvendo um excelente trabalho com seu som cativante. Oriundos de Goiás, a banda vem se destacando e mostrando sua qualidade e carisma com belos shows e participações em ótimos festivais. Tivemos uma conversa bastante agradável com o Pedro (guitarrista) que nos conta sobre os projetos futuros da banda e também sobre a dificuldade de viver musicalmente no país. Confira:

– Primeiramente gostaria de elogiar o trabalho bastante original que a banda vem fazendo. Seguinte, sabemos que o estado de Goiás é conhecido por ser uma terra de sertanejos. Hoje em dia isso não se leva muito em conta mais, pois sabemos que o rock e o metal vêm predominando e muito em todo o país. O “Dry” encarou ou encara alguma dificuldade relacionada a esse tema?

Pedro: Essa questão do sertanejo em Goiás é interessante. É o estereótipo que predomina, até por causa de toda a bagagem histórica e por causa da agricultura e pecuária serem uns pilares econômicos aqui, mas essa é só uma das caras da cultura do estado. O cenário de rock e metal aqui é bem forte, o que dá pra notar pela quantidade de bandas goianas produzindo em alto nível, pelo número e pela longevidade dos festivais de música alternativa… E a grande questão: todo mundo (ou quase) se conhece, ouve as músicas uns dos outros, vai aos shows uns dos outros, veste as camisetas das bandas uns dos outros… Existe um lance de união aqui, e isso que é fundamental porque amplia e solidifica um universo de música pesada que existe paralelamente ao sertanejo sem ser engolido por ele. Ou seja, Goiás é terra de sertanejo, como também é de rock.

– “Dry” é um nome curto e de fácil pronuncia. Conte de onde e como surgiu esse nome?

Pedro: Surgiu da dificuldade de se encontrar um nome bom, haha. Ser simples era intencional. Quanto menos dificuldade as pessoas tiverem para nos encontrar, ou falar sobre a banda, melhor. Agora, se isso realmente deu certo, sei lá… hahaha

– O primeiro debut da banda “Enjoy the Fall” saiu conforme o esperado ou teve aquele sentimento de “poderíamos ter feito tal coisa”.

Pedro: Sempre há aquele sentimento de “hum… aquele negócio ali podia ter saído melhor…”. E, sem dúvida, isso vai acontecer em todo novo disco porque parece uma coisa natural de qualquer atividade de criação. Mas ficamos sim satisfeitos com o álbum.

– Com relação ao exterior. A banda já recebeu algum feedback sobre o debut ou até mesmo relacionado sobre o trabalho da banda?

Pedro: Sim, já tivemos alguma repercussão. Como o álbum é virtual e livre para downloads e compartilhamentos (baixem lá, galera, mostrem pros seus amigos, usem nas suas festas de aniversário, formatura e nos seus homes vídeos eróticos), essas fronteiras são mais transponíveis. Daí, demos algumas entrevistas pra um pessoal da Europa e dos EUA, e isso ajuda a espalhar o disco e divulgar a banda para além do Brasil. Vamos ver até onde isso tudo chega. 🙂

– A influência da banda com a turma de Seattle dos anos 90 é realmente evidente. Vocês gostam de ser taxados por grunge ou não preferem especificar tal estilo para a banda.

Não é um problema chamar a gente de grunge, até porque grunge é um nome tão vago que pode significar um monte de coisas. Sabe? Pearl Jam, Nirvana, Alice in Chains, Soundgarden etc são chamadas de grunge, mas além das camisas xadrez, se parecem no que mesmo? Hahah Então a gente mesmo não usa o termo… A gente prefere um mais vago ainda: banda de rock. 😀

– Estamos no segundo semestre de 2014, como anda a agenda para esse período do ano e conseqüentemente para o ano de 2015.

Há datas já definidas e outras ainda nos “finalmentes”. Mas devemos voltar ao interior de São Paulo (e passar pela capital também), Minas Gerais, devem rolar também umas datas no Rio e se pá, também no Rio Grande do Sul. E interior de Goiás também, claro! Mas, na real, o plano é tocar no país inteiro. 😀

Dry-palco

– Já existe material iniciado ou pronto para um futuro disco?

Desde antes do primeiro disco já existia material pro segundo, hahah.

– Quais as influências de cada membro da banda?

O Marco (vocal) é o cara do Doom metal. Tipo Pentagram, Trouble, essas coisas, mas também curte altos Faith No More, Pantera… O Gustavo (baixo) tem muitas influências de hardcore, além de outras coisas também, tipo Down. Aliás, todo mundo ouve muito Down na banda! O Augusto (bateria) é bem influenciado por coisas como Miranda, da Argentina e Engenheiros do Hawaii. E é fã de Oswaldo Montenegro. Eu, putz… Mastodon, Primus, Opeth, Pink Floyd. Bandas de música comprida haha

– Gostaria de agradecer pela entrevista e desejar bastante sucesso e realizações ao longo dos anos para a banda. Esse espaço aqui é de vocês, digam o que quiser.

Valeu cara! Procurem a gente na internet, no site (www.dry.fm, onde está o disco inteiro), na nossa página do facebook, no Deezer, no Rdio, Grooveshark, Youtube etc.

Victor Santos

Victor Santos

Editor-Chefe em Imprensa do Rock
Victor Santos é editor-chefe do Imprensa do Rock e Diretor Geral do Programa Unimetal. Desde 2011, vem trazendo conteúdo de qualidade para os amantes da música e do cinema.
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