Entrevista: Bate papo com Fernanda Hay da banda Overdrive

Uma das grandes revelações do Metal Nacional deste ano, o Overdrive vem fazendo um som que promete sim conquistar uma legião de fãs pelo país. Fernanda Hay nos cedeu um tempo para nos contar sobre o trabalho da banda, falou a respeito do grande sucesso do vídeo “Love Tricks” e também sobre agenda e projetos futuros da banda. Confira essa simpática e agradável entrevista.

I.D.R: Já parabenizando pelo excelente sucesso da banda e desejando também um excelente ano em 2015. Gostaria que se apresentassem.

Fernanda: Imagina muito obrigada. Sem dúvidas 2015 será um ano fantástico para todos nós, mas apesar desse friozinho na barriga de fim de ano, ainda tem muita coisa pra acontecer nesses dois meses de 2014! (risos).

Bom a OVERDRIVE é formada pelo guitarrista Luís Follmann, o baixista Diego Porres, o baterista Joel Jr e eu Fernanda Hay, nos vocais. A banda foi lançada juntamente com seu primeiro CD em Setembro de 2013, temos pouco mais de um ano e sem dúvidas, uma estrada muito longa e gostosa pela frente! =)

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I.D.R: Recentemente foi lançado o vídeo para a música “Love Tricks”. Como está a repercussão na mídia especializada?

Fernanda: Foi nosso primeiro videoclipe! Estamos bem felizes com os resultados que temos colhido e com a mídia espontânea, o pessoal tem sido incrível, tivemos vários compartilhamentos, resenhas e mais de 6mil visualizações em apenas quatro dias de lançamento. Não sabíamos ao certo o que esperar, por se tratar do nosso primeiro videoclipe, mas o resultado tem sido muito motivador e recompensador. Somos extremamente gratos a todos pelo apoio e carinho! ^^

I.D.R: Se tratando de uma banda bastante original em seu som e bem evoluída musicalmente, como está sendo a recepção do público?

Fernanda: Para ser bem sincera, tem sido muito melhor do que esperávamos! =) O público, tanto brasileiro quanto estrangeiro, tem se mostrado muito receptivo ao som. Por ter um instrumental mais elaborado, num primeiro momento pensei que não seria um som tão aceito para o grande público e que o caminho seria mais “ralado”, mas tudo tem se dado de uma forma muito natural e gostosa. Acredito que essa questão de trazermos um som diferente e com a nossa cara, é uma característica que tem nos ajudado muito, além de ser delicioso para nós como músicos.

I.D.R: A música “Midnight Sunlight” recebeu uma versão Blues, que por sinal ficou sensacional, para o programa Acústico Mundo Livre. Essa versão foi dada pelo formato do programa ou vocês queriam realmente arriscar em uma inovação que acabou dando muito certo?

Fernanda: Poxa, muito obrigada, ficamos muito felizes que tenha gostado! Na verdade a história é mais longa, fomos convidados pela Rádio Mundo Livre, para gravarmos o programa Geração Mundo Livre, que é acústico e ao vivo. Para isso, não poderíamos simplesmente mudar de instrumentos elétricos para acústicos e fazer o show normalmente com as músicas como são no CD, não caberia. Essa problemática nos levou a rearranjá-las, não só a Midnight Sunlight, mas todas. Assim como a Midnight Sunlight pediu um blues, a Circe pediu um jazz [com direito a bateria vassourada e tudo mais], a Overdrive um baião e assim por diante. Foi um trabalho muito gostoso, nos ensaios apenas combinamos algumas convenções e levadas, o show em si foi uma Jam muito divertida.

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I.D.R: Fernanda, você tem um timbre de voz inovado e ao mesmo tempo “old school”, isso ao meu modo de analisar. Você tem alguma inspiração de grandes cantoras do passado?

Fernanda: Uau! será que é tudo isso mesmo? Fico lisonjeada, muito brigada! Bebi muito daquele povo lindo da década de 30, a musica negra me encanta profundamente. Das worksongs ao soul, blues, jazz.. acaba que são as próprias raízes do rock. Mas acho que o que mais me atrai nesse povo é a paixão com que cantam e a vontade que sentem de transmitir o que transmitem. As letras e músicas da OVERDRIVE dizem muito, pelo menos pra mim, cada palavra foi pensada e inserida por um motivo, é inevitável que o “eu” e/ou o “eu lírico” se conecte com a mensagem ou história. A Love Tricks, por exemplo, puxa para um lado mais sensual do ser, ligado a descobertas e experimentações nesse âmbito, são problemáticas muito presentes na nossa vida e que também fazem parte do ser como um todo e perante o outro [talvez por isso o tema se polemize com tanta frequência ao longo das eras], a The Cave, que fala sobre se descobrir como ser pensante e “autônomo” (cuidado com essa palavra), Midnight Sunlight uma comunicação/ponte entre o verso e o uni, e assim por diante. Pra mim como cantora, isso que é especial e importante na musica e na arte, aí que nos conectamos, todos nós, é aí que me sinto realizada com a minha profissão e tenho minhas inspirações, como perguntou. =)

I.D.R: Recentemente rolou nas redes um desafio entre vocalistas e músicos no geral, algo muito interessante e sadio. Esse tipo de “brincadeira” aproxima mais as bandas uma das outras?

Fernanda: Sem sombra de dúvidas!! Pudemos ver como temos músicos sensacionais ao longo do nosso Brasil maravilho e bandas incríveis! Fico triste ao perceber às vezes certa disputa entre as bandas, quando todo mundo entender que “dar as mãos” é delicioso e só leva todos nós para frente, a reviravolta na cena será avassaladora! O desafio, além de divulgar as bandas, permitiu que muitos talentos fossem reconhecidos tanto por novos fãs como entre os músicos.

I.D.R: A banda já tem proposta para algo no exterior?

Fernanda: Sim, mas ainda não posso falar muito! (risos). Em breve postaremos as novidades!

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I.D.R: Em certos pontos do país, o underground não é muito valorizado, notamos shows vazios e um público pequeno, sendo que bandas já consagradas chegam ao país com ingressos esgotados. Pra vocês, a que se deve isso, será realmente o ditado “Santo de casa não faz milagre”? Pra mim, isso nunca irá prevalecer.

Fernanda: É natural que um show gringo encha mais, afinal, essas bandas vem raramente e fazem uma média de 3 ou 4 shows no país todo (levando muitas pessoas a se deslocarem para outras cidades), enquanto as bandas nacionais “tourneiam” não só nas capitais como também, dentro dos estados e com uma frequência maior no país em que reside. As bandas gringas certamente não enchem estádios 4 vezes por mês no seu país de origem, acho essa discrepância bem natural devido à logística e custos.

Mas de qualquer forma, acredito que esse fenômeno do qual falou seja passageiro, as coisas tem se mostrado muito melhores nos últimos tempos e sou otimista em relação ao futuro! Houve, sem dúvidas, uma grande mudança na relação público e shows nas ultimas décadas, devido ao desenvolvimento e expansão desta era tecnológica que trás consigo diversas facilidades aos fãs, talvez causando agora desinteresse no que antes era um momento mágico, estamos apenas em um breve período de adaptação e realinhamento. =)

I.D.R: Quais os planos para 2015?

Fernanda: Vamos fazer tours ainda com o repertório do álbum de estreia e já estamos trabalhando em um novo material que deve chegar no segundo semestre de 2015, cheio de novidades! 2015 promete ser um ano fantástico!

I.D.R: Muito sucesso a todos, agradeço muito por esse papo! Deixe aqui uma mensagem para os fãs.

Fernanda: Imagina, somos nós que lhe agradecemos! Aos fãs, nosso muito obrigado por todo carinho, vocês são incríveis e fazem desta estrada uma experiência deliciosa! Tenho certeza que ainda teremos muitas coisas boas para vivenciar juntos!
KEEP OVERDRIVING ,,/

Entrevista: Leandro Fernandes

Victor Santos

Victor Santos

Editor-Chefe em Imprensa do Rock
Victor Santos é editor-chefe do Imprensa do Rock e Diretor Geral do Programa Unimetal. Desde 2011, vem trazendo conteúdo de qualidade para os amantes da música e do cinema.
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