Entrevista: Angry

Em ascensão pelo excelente disco lançado “Future Chaos”, o “Angry” se encontra com bastante garra e maturidade no quesito pancadaria. Diego, um dos membros nos concedeu uma excelente entrevista, explicando como está sendo a repercussão do debut, fala da cena pesada de Mauá e também como tem sido o underground hoje no país. Citou também uma polêmica recente sobre um vídeo da banda que fora censurado por alegarem conter cenas de violência. Confira a entrevista na integra.

– Parabenizando pelo excelente disco e desejando já bastante sorte, sabemos que “Future Chaos” está sendo bem aceito pelo público e também pela mídia especializada. O sentimento de “dever cumprido” é grande ou sentem que precisava de algo mais.

Diego – Primeiramente, muito obrigado pelas palavras. Foi trabalhoso o processo de composição e gravação de Future Chaos, mas ficamos bem felizes e satisfeitos com o resultado, mas nós do Angry nunca ficamos completamente satisfeitos, sempre buscamos algo a mais, buscamos aprimorar nossa música, ir além do óbvio.

– Nesse meio underground que vivemos e lutamos existem bandas que tem a intenção de querer “puxar o tapete” da outra pra tirar vantagem de algo?

Diego – Existem, mas o tempo prova quem é verdadeiro e íntegro no underground, normalmente as bandas que querem tirar proveito em cima das outras, acabam logo, porque não são verdadeiras. Temos amizades com bandas que nos apoiam e também os apoiamos, hoje em dia, esse lance de bandas trapaceiras está diminuindo.

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– Sabemos que a cena vem crescendo a cada ano que se passa e o Brasil é repleto de talentos que com certeza superam muitos gringos. Esse lance de rolar festival aqui no país e bandas lá de fora terem mais privilégios que as de casa é certo isso ou poderiam repensar esse ponto e igualar as forças.

Diego – Sim, existe um privilégio sim, mas assim, também entendo que essas bandas de fora, poucas vezes vem para nosso país e isso faz gerar uma comoção e privilégios, mas o que eu acredito é que os produtores poderiam melhorar as condições das bandas da casa, auxiliando desde a igualdade de direitos do uso de equipamentos até um melhor horário dentro do festival, para que o público possa ver dois grandes shows e não apenas um grande show com uma banda que mal teve tempo para tocar e ainda tocou com equipamentos ruins.

 – Como anda a cena por Mauá e Região?

Diego – A cena em Mauá anda excelente, temos grandes bandas despontando no cenário nacional, como é o caso dos nossos amigos do Setfire, Breakout e Final Nightmare e também estão nascendo novas bandas. Também temos uma grande cena no ABC, temos inúmeras bandas que estão fazendo acontecer, temos o Woslom, Chaoslace, Necromesis, além das lendas MX e Necromancia, entre outras.

Com relação a shows, a nossa cidade natal Mauá, ficou por anos sem ter nenhum show, mas agora por intermédio do Tiago Claro, estão acontecendo grandes shows e no ABC além do Tiago, temos o Eduardo Vieira do Ataque Extremo e o Luciano Piagentini da L13 que estão fazendo um excelente trabalho e trazendo shows de grandes bandas todo fim de semana, e o melhor, em sua total maioria com bandas autorais.

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– A banda passou por algo desagradável que foi a exclusão do vídeo clipe “Future Chaos” que estava no canal oficial da banda, a empresa alegando que o motivo da exclusão era por conter cenas de violência. Seguinte, hoje em dia tudo está mais explícito, seja sexo, violência, mortes, etc. Não foi um exagero essa exclusão?

Diego – Também acredito que foi exagerada essa exclusão, porque, além disso tudo que você falou, não fomos comunicados da exclusão do nosso clipe, simplesmente deletaram, sem dar nenhum motivo. Estávamos trabalhando bem a divulgação do clipe e o link do Youtube estava bem difundido em todo mundo, tivemos 11 mil acessos em apenas 4 meses e simplesmente apagaram, jogando fora todo nosso trabalho.

Depois de enviar e-mails para o Youtube para saber o que ocorreu, eles simplesmente alegaram que utilizamos uma imagem de uma criança com uma máscara de guerra e com isso eles são intolerantes. Não dá para entender como uma empresa pode deixar que se vincule cenas de sexo, violência, mortes, que são mais fortes que nosso clipe e ter barrado nosso clipe por causa de uma simples imagem de uma criança, alegando cena de violência.

– Como foi tocar com o Krisiun no Big Rocks Fest 2?

Diego – Foi excelente, foi uma enorme honra poder dividir o palco com eles, ainda mais em nossa cidade natal, eles são uma referência para a banda, somos grandes fãs deles.

Também temos que agradecer ao Tiago Claro pelo suporte e infraestrutura que nos foi concedida e as bandas que dividimos o palco: Necromancia e Chaoslace, que também somos grandes fãs deles.

– Qual foi o motivo da saída do guitarrista Renato?

Diego – Antes da gravação do Future Chaos, estávamos tendo grandes problemas com ele, como falta de compromisso e dedicação, sinceridade e clareza. Durante as gravações elas se agravaram e após também, por isso decidimos desligar ele da banda, mas não gostaria de entrar em detalhes sobre isso.

– Com relação ao feedback gringo, como tem sido a recepção do disco?

Diego – Tem sido excelente! Temos um contrato com uma gravadora de fora do país, a Cadaver Records, que lançou nosso disco para mais de 30 países e as primeiras mil cópias esgotaram em 4 meses, o que foi uma grande surpresa para nós. Além disso, temos recebido elogios de fãs de todos os cantos do mundo e grandes resenhas do nosso disco. Ficamos felizes que nosso disco esteja agradando.

 – Agradecendo aqui a oportunidade de termos essa conversa, deixo o espaço aqui para a banda, fiquem à vontade.

Diego – Muito obrigado Leandro e o pessoal da Imprensa do Rock pelo espaço. Queremos agradecer primeiramente a vocês, também agradecer nossas gravadoras Tor Entretenimento e Cadaver Records, a Débora e Rodrigo da Metal Media, ao Rone e Fernando da R&F, ao pessoal do Metal Friends, que sempre apoiam nosso trabalho, ao Gustavo Dias pela força que tem nos dado, as nossas namoradas, aos produtores e casas de shows, as bandas que sempre estão dividindo o palco com nós e claro, aos amigos e fãs que não só dão apoio para o Angry, como a cena em geral, muito obrigado mesmo, sem vocês, não existia cena.

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Edição: Leandro Fernandes
Entrevista: Angry // Agradecimentos: Metal Media
Imprensa do Rock

Victor Santos

Victor Santos

Editor-Chefe em Imprensa do Rock
Victor Santos é editor-chefe do Imprensa do Rock e Diretor Geral do Programa Unimetal. Desde 2011, vem trazendo conteúdo de qualidade para os amantes da música e do cinema.
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