Entrevista: Ricardo DeStefano (ex-Andragonia)

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andragoniaformacaoantigaHoje, na tarde desta terça feira, 21, tivemos a honra e a oportunidade de ter uma entrevista exclusiva com o vocalista Ricardo DeStefano da banda de Progressive Metal Andragonia.

Tivemos um papo bastante interessante sobre o inicio da carreira da banda, as suas principais influências, coisas que marcam o inicio de qualquer banda por ai. E novidades sobre o novo álbum que irá ser lançado em breve. Acompanhe como foi a entrevista. E terá informações sobre algumas novidades que estão por vir ainda muito boas sobre a banda.

Entrevista e Edição por: Victor Santos

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Como foi o início de carreira para a banda? Tiveram exceções e conseguiram sucesso rápido ou foi como qualquer outra banda batalhando desde o início para conseguir fama?

Bom, na carreira aconteceram as duas coisas! Desde o começo nós tivemos que trabalhar muito mesmo! A nossa única diferença é que tínhamos e temos o estúdio a nossa disposição, além do que todos trabalhamos apenas com música, o que nos dá total disponibilidade pra sempre atender as demandas da banda. Sempre trabalhamos muito, tanto que nossos dois discos levaram mais de um ano cada em estúdio, entre composição, produção, gravação e finalização. Claro que nesse meio caminho tivemos algumas coisas que não esperávamos e que nos ajudou bastante, mas sempre, desde o início, somos uma banda que vai atrás.

Algum fato que marca o início da banda? Algum acontecimento estranho ou mesmo normal (tanto inesperado), em alguma parte da carreira do grupo?

Não temos assim nenhum fato inusitado pra contar. Talvez, o que tenha nos chamado muita a atenção foi quando lançamos o clipe para a música “Undead” na MTV. O video foi lançado em um Sábado de manhã, e só no boca-boca, a gente conseguiu mobilizar a galera a entrar em contato e pedir o vídeo. Resultado: em 28 dias, o vídeo foi exibido 22 vezes. O que se tratando de uma banda independente é uma vitória!

Quais são as influências da banda? há gêneros ou mesmo artistas conhecidos/desconhecidos? Cite-nos alguns.

Todas que você pode imaginar! Somos uma banda bem eclética nesse ponto! Temos como influências bandas como Iron Maiden, Metallica, Helloween, Ark, Megadeth, Queensryche, Fates Warning, Freak Kitchen, Gotthard, Journey, Nickelback até Engenheiros do Hawaí.

A bastante tempo atrás vocês disponibilizaram músicas próprias numa paródia de Guitar Hero chamada “Guitar Flash” nas redes sociais como o orkut e facebook (que aliás jogo até hoje as músicas de vocês. risos). Qual foi a experiência nesse ponto? Conseguiram uma boa divulgação da banda depois disso?

O Guitar Flash foi algo que nos ajudou e ainda nos ajuda muito! Graças ao mesmo, muitas pessoas que nem conheciam nosso trabalho passaram a se interessar e hoje são fãs da banda! Eu diria que boa base de nossos fãs está focada nesse público. Como já tínhamos umas quatro músicas no jogo, nos foi pedido que fizéssemos uma música que fosse de nível extremo de dificuldade, e aí nós sentamos e combinamos “vamos ferrar com tudo então, risos”. E ai nasceu a “Guitar Flash”. Tanto que é uma música que tem pouco vocal, e muito calada no instrumental. Ainda hoje, temos números que de nossas músicas são muito jogadas, tanto por quem já jogava, como por quem ainda está começando. Assim sendo, só dentro do “universo” guitar flash, nós já estamos tendo a renovação do nosso público.

Realmente me ferrou nessa música (risos).

Cara, ferrou todo mundo (risos). Eu mesmo nem me atrevo a jogar (risos).

Agora sobre o novo álbum. O que espera para o novo álbum “Memories”? Que será lançado em breve? E quando será lançado?

Cara, sinceramente, e de forma bem resumida, espero que esse disco consiga chegar ao maior número de pessoas possível! Falo isso por que nós fizemos um disco muito com muito coração mesmo, e exploramos nossos limites ao máximo desta vez! Quero dizer, não nos preocupamos em soar apenas como uma banda de progmetal, e fomos além. Evidentemente que existem as características da banda lá, mas buscamos novas influências também! Temos a inclusão de elementos eletrônicos, usamos percussão também, uma faixa acústica, e muito peso mesmo nas canções. Ou seja, é um disco do Andragonia, principalmente com a cara do Andragonia HOJE. Nossa ideia é de lançá-lo agora em abril/maio.

“Memórias” é o tema do novo álbum. Algum detalhe para que esse nome tenha sido escolhido? Do que se trata? Algum fato especial?

Exatamente como o título sugere, “Memórias”. Na verdade, o conceito parte de um momento muito intenso que eu estava vivendo em meados de 2010 e 2011 na minha vida pessoal! Muitas transformações e acontecimentos na minha vida, e acabou nascendo o “Memories”. Então, eu costumo dizer que o novo álbum é muito pessoal pois ele é baseado em fatos reais que aconteceram comigo e com pessoas muito próximas a mim. Inclusive, diferente do “Secrets”, eu deixei pra finalizar as letras o mais perto de gravar a música, justamente pra registrar o momento que eu estava vivendo até então, praticamente em tempo real. Assim sendo, e essa é a ideia que queremos passar, a pessoa que adquirir o “Memories” vai ter a exata noção de que está lendo um blog ou um diário.

A previsão de alguma turnê ser iniciada em alguma parte do globo ou mesmo alguns shows tanto de promoção do álbum ou aleatórios aqui pelo Brasil?

Cara, nossa vontade é de levar o Andragonia pra todos os cantos do mundo! Posso te adiantar, já montei aqui em casa um set list base, pelo menos para um show de lançamento, e posso dizer: está ANIMAL! Assim sendo, seria muito legal levar o show do Andragonia, de preferência completo, pra todos os cantos. O único porém é que pra que isso aconteça, seja necessário o mínimo de estrutura possível para que banda e público saiam ganhando. Também estamos observando com muito carinho o mercado internacional, e é bem possível que façamos um giro pra fora do país, mesmo que tenhamos que custear esse giro. O que precisamos mesmo, é de apoio do público! A banda só é chamada pra tocar se tem procura. O promotor de show não vai investir em um produto que ele não sabe se vai dar retorno. Aí, entra a parte do público: O público não tem ideia do poder que ele tem nas mãos nos dias de hoje. Se o público pedir e fizer barulho, a banda estará presente.

Realmente hoje em dia as bandas principalmente nacionais dependem muito do Público. Se as bandas que são empenhadas ao máximo para fazer com o que a base do “Rock está morto” vire lenda e reviva não sejam reconhecidas. Não teria uma boa razão pra eles (todos nós) continuarmos reclamando.. Principalmente a indústria da música nacional. Já que é uma das mais criticadas por todo fã de Rock.

Na verdade, é uma equação simples: público e banda depende dos promotores de shows! É muito mais fácil você investir num artista que dá retorno só de você ligar pro cara, do que em algo novo, e nisso o promotor está certo: ninguém investe nada pra perder. Acontece que hoje, com os downloads, as gravadoras pouco tem feito, e então fica muito difícil você quantificar o quanto uma banda é rentável Então, você precisa mais do que nunca do público! Recentemente, nós tocamos em uma cidade do interior de São Paulo, e o dono do bar nos disse que sua caixa de e-mails estava lotada de tanto que tinha gente pedindo o Andragonia por lá.

Isso foi uma boa.. Mas outra talvez “pequena” mais não tão pequena razão também. Seria talvez os impostos? Um CD simples internacional aqui no Brasil que lá fora custa em torno de 25 Reais (uns 15 Dólares digamos) aqui custa absurdos 35, 40 reais dependendo do artista ainda. E fora que eu me lembre a 8, 9 anos atrás ingressos para shows custavam no máximo 60 reais.. Se os produtores não fossem tão gulosos… Uma pessoa que ganha um salário minimo de 600 Reais com certeza compraria a discografia de sua banda preferida inteira. Em semanas. Mas com o alto custo pra completar uma discografia demora meses. E fora que por causa de milhões de downloads também o preço dos ingressos subiram demais.. com a queda de venda dos CD’s.

É isso mesmo! em relação a shows, eu cheguei a ir no Monsters of Rock de 1998 pagando 40 reais no ingresso (inteiro). O show do Shaman (que gerou o ritualive) eu paguei 50 reais. Fui no Dream Theater, em 1997, em Santo Andre, e contando ingresso/viagem/alimentação, eu gastei 80 reais. Atualmente 80 reais você paga MEIA entrada de um ingresso de pista, isso pra não falar das pistas VIP. Eu sou do tempo que eu podia comprar CD no “escuro”, e fiz muito disso! Comprei muitos CD’s por gostar da capa, por ouvir uma música na loja, ou por ler uma resenha em revista, e pagava cerca de 12, no máximo 15 reais. Ou seja, não é um dinheiro pesado, visto que você gasta isso de condução em 2 dias da semana pra trabalhar. Hoje, disco nacional já sai na média de 25 reais, é muito dinheiro pra você investir no escuro, ainda mais levando em conta que o público de metal é formado por muitos jovens, que ainda não tem estabilidade financeira. CD internacional, hoje você não paga menos do que 70 reais…

Eu tento ao máximo evitar os downloads mais cada vez que vou numa loja, com uma grana que sobra pra comprar um CD. É muito tenso. Até mesmo um Single com 2 ou 3 músicas. você só acha por 30 reais pra cima… (Mas, enfim… Vamos continuar a entrevista que já está quase no fim (risos).

Demorou. (risos)

Nem me toquei mais a gente até conversou sobre um pouco o tema da última pergunta (risos). Qual a sua previsão para o mercado brasileiro de Rock e Heavy Metal daqui pra frente? previsão/opinião?

Bom, é o que estamos falando. Acredito que esse evento, o M.O.A (Metal Open Air) vai ser de suma importância pra cena, pra poder alavancar mesmo! O grande problema, ao meu ver, é que no Brasil não existe a separação de bandas nas categorias que deveriam. Nós não temos bandas pequenas, médias e grandes. Aqui, nós temos apenas “Underground x Grande”. Então, pra você ter uma estrutura boa pra tocar, você tem que sair do Underground, mas a distância é gigante até você chegar na categoria grande. Assim, muitas bandas acabam ficando e até morrendo no Under. Se tívessemos essa cultura de banda Média, teríamos muitos shows e eventos acontecendo aos montes, com muitas bandas boas tocando, sem necessariamente ser para um público de 5.000, 6.000 pessoas. O problema do Underground é que está todo mundo misturado no mesmo barco, e o público sabe disso! Então, na cabeça do público, como ele vai se motivar a sair da sua casa, ir em um evento só com banda desconhecida, com péssima qualidade de som, sendo que ele já tem a ideia que de 5 bandas que ele vai ver, apenas 1 ou 2 ele vai gostar e achar boa banda?

Outro ponto interessante também. é que a gente (todos) acabamos que abandonando o cenário nacional e partindo para o internacional enquanto bandas nacionais morrem por aqui. Muitas outras bandas internacionais Metallica, Deep Purple, Megadeth, Iron Maiden e como tantas outras estão lotando suas agendas com shows aqui no Brasil. Por que aqui da um lucro enorme nessa época agora. Sendo que… em uma certa época essas bandas vinham a cada 10 anos e olhe lá.

Essas bandas descobriram a mina de ouro aqui no Brasil. O Megadeth não sai mais daqui. Eles tocaram em Novembro no SWU agora vão tocar no Metal Open Air.

Iron Maiden: 2008/2009/2011. Com quase 15 shows realizados… Nunca que a 10 anos atrás por exemplo iria acontecer isso.

Exatamente por que o cara prefere investir $$$ em garantia de satisfação rápida. Um show do Iron Maiden é sempre bom! Mesmo a banda não sendo a mesma de outra hora, os caras no palco são fenomenais! Então o cara paga 200 reais no Iron Maiden, mas antes de comprar o ingresso ele já sabe que o show vai ser foda! É preciso entender o lado do público também. O cara já tem um monte de compromisso financeiro, ai ele vai pagar 20/30 reais para ir num bar, sabe-se lá aonde, com péssimo atendimento, as vezes nem tem estacionamento e os carros ficam nas ruas, com um palco pequeno e péssimo sistema de som… Parece que é bobagem, mas isso faz diferença. É a mesma coisa que está acontecendo com o público em estádio de futebol, que também está cada vez mais vazio.

Realmente os preços é meio que a centralização de todo esse problema… Se tudo fosse a um nível em que todos pode-sem degustar seria difícil haver uma reclamação de preço, mais dependendo do lugar as coisas sobem demais.. Favelas (não só favelas): Pirataria. subindo de nível, classe baixa, média, média/alta, alta. Preços.. Uma coisa mais organizável tanto em Mídia/show teria um retorno melhor.

É a mania de querer ganhar dinheiro rápido e a qualquer custo, pensamento imediatista! Por quê os CD’s custam tão caros hoje em dia? Por que com a venda de um CD, o cara quer recuperar a perda da venda de dois CD’s. Por quê os shows são caros? Por que o cara quer em 100 ingressos recuperar o investimento dele, e depois tudo é lucro. Assim segue…. Existem bons profissionais no meio sim, mas eles ainda são muito poucos tem uma empresa que começou a pouco tempo, e está fazendo um puta trabalho que é trazer muitos shows de rock/metal, e sempre de casadinho, ou seja, 2 bandas de uma vez. Só que se você pegar o valor do ingresso e dividir por 2, você tá pagando barato por show Agora, como eu vou cobrar presença de público, quando eu subo no palco, e vejo que o amplificador da guitarra ta com os falantes estourados? o público não é besta. Imagina você com sua namorada, ou um amigo seu, em um local extremamente barulhento? você não aguenta, ninguém aguenta.

Exato… Então cara, encerrando a entrevista. Algum recado pra galera ativa que acompanha em peso o Imprensa Do Rock?

Galera, muito obrigado pelo espaço e pela entrevista! 2012 está aí e, como disse no começo, somos uma banda que sempre foi atrás pra fazer as coisas, e não será diferente agora. Contamos com o apoio de todos e agradeço muito por isso! Pro que precisarem, o Andragonia está a disposição!!! Sucesso pra todos nós e um forte abraço!

Victor Santos

Victor Santos

Editor-Chefe em Imprensa do Rock
Victor Santos é editor-chefe do Imprensa do Rock e Diretor Geral do Programa Unimetal. Desde 2011, vem trazendo conteúdo de qualidade para os amantes da música e do cinema.
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