Deep Purple, Cheap Trick e Tesla @ Solid Rock – Allianz Parque – São Paulo/SP (13/12/2017)

Solid Rock foi o festival para fechar 2017 com chave de ouro. Com o line-up monstruoso composta por três bandas que simplesmente fizeram história ao rock, esse festival tinha de tudo para dar certo e registrar um acontecimento histórico no Brasil.

Pela primeira vez, a banda de hard rock, Tesla, se apresentou no Brasil e por mais que foi uma apresentação até que rápida, mostraram todo seu charme que sabem fazer no palco. Cheap Trick substituiu o Lynyrd Skynyrd e assim como o Tesla, a banda também fez a sua estreia em terras brasileiras, nos apresentando um grandioso show surpreendente e muito divertido. E o mais esperado da noite, um dos pioneiros do hard rock e do heavy metal, Deep Purple, que já passou várias vezes pelo Brasil, fez uma extraordinária e inesquecível apresentação, que registrou mais um acontecimento histórico no país.

Tesla

A primeira banda a subir no palco foi o Tesla. Formada em 1981 pelo guitarrista Frank Hannon e pelo baixista Brian Wheat, o vocalista Jeff Keith, o baterista Troy Luccketta e o guitarrista Tommy Skeoch, integraram a banda em 1984 e conseguiram alcançar um grande número de fãs e críticos especializados por realizarem álbuns de estúdios bem conceituados e extremamente admiráveis. Em 1996, a banda se acabou, mas felizmente, retornaram os trabalhos em 2000. “Into the Now” de 2004, foi o último álbum com o guitarrista Tommy Skeoch, sendo assim, substituído pelo Dave Rude, que integra a banda até hoje.

Primeira vez do Tesla no Brasil e simplesmente fizeram uma apresentação super divertida que alcançou a todos que estavam presentes nesse maravilhoso espetáculo. Chegando na metade da música “The Way It Is”, o show deu prosseguimento com a excelente “Hang Tough” e “Heaven’s Trail (No Way Out)”, três músicas do clássico “The Great Radio Controversy” de 1989. Em seguida, executaram um cover, a balada “Signs” do Five Man Electrical Band. Nesses momentos, a banda estava cada vez mais empolgados e mostrando o quanto eles são talentosos e eficientes ao realizarem um espetáculo como esse. Percebemos nos grandes riffs de guitarra, na bateria e no baixo bem executados e nos vocais do Jeff bem atraente e cativante.

Depois, o Jeff apresentou os guitarristas Dave Rude, o integrante mais novo da banda e o co-fundador da banda Frank Hannon, para realizarem um som rápido, porém, muito bonito. Partindo daí, já entraram com a balada romântica “Love Song”, um dos hits de maior sucesso da banda, onde notamos um trabalho ainda maior nos vocais do Jeff. Um aspecto impressionante e totalmente agradável. Chegando para o final da apresentação, veio dois clássicos do seu primeiro álbum de estúdio “Mechanical Resonance” de 1986: “Little Suzi”, cover da banda Ph.D. e “Modern Day Cowboy”, outro hit da banda, onde os guitarristas Frank e Dave mostraram excelentes performances nos riffs e solos.

Um público razoável para a apresentação do Tesla, mas que conseguiram agradar a todos que estavam presentes. Uma excelente banda de Hard Rock que marcou a década de 80 e marcou o cenário do Rock e que continua na ativa realizando ótimos trabalhos. E realizaram uma ótima apresentação na primeira edição do Solid Rock em São Paulo. Um repertório composto por clássicos que marcaram a banda e com altas performances dos integrantes, Tesla deu um grande início ao festival e provou o quanto eles são renomados quando se trata de Hard Rock.

Setlist:

1. Edison’s Medicine
2. The Way It Is
3. Hang Tough
4. Heaven’s Trail (No Way Out)
5. Signs (Five Man Electrical Band cover)
6. Love Song
7. Little Suzi
8. Modern Day Cowboy

Line-up:

Frank Hannon – Guitarra e Violão
Brian Wheat – Baixo
Jeff Keith – Vocal
Troy Luccketta – Bateria
Dave Rude – Guitarra

Cheap Trick

Fundada em 1974, atualmente é formada por Robin Zander (vocal e guitarra), Rick Nielsen (guitarra), Tom Petersson (baixo) e Daxx Nielsen (bateria). Com um enorme sucesso desde a sua origem, a banda vem totalizando 19 álbuns de estúdio, sendo que esse ano, lançaram dois discos. Sem contar na quantidade enorme de shows que fazem ao redor do mundo.

Todo esse tempo de banda e nunca passaram pelo Brasil. E para quem é fã da banda, finalmente chegou o momento de vê-los em palco. E que privilégio em assistir um show do Cheap Trick. Só lembrando que o Cheap Trick foi substituído pelo Lynyrd Skynyrd, devido por alguns problemas pessoais de um dos integrantes da banda. E que espetáculo fizeram em palco. Um repertório muito bem escolhido com os maiores clássicos da banda e executado com as maiores perfeições pelos integrantes. Cada minuto da apresentação foi prazeroso e de extrema diversão para qualquer um assistir e ficar surpreendido pelo tamanho talento que possuem.

Os trabalhos foram iniciados com “Hello There” e logo já emendaram “Big Eyes”, duas espetaculares músicas do clássico álbum “In Color” de 1977. A empolgante “California Man”, do “Heaven Tonight” de 1978 e cover da banda The Move, foi a próxima. Depois, a música nova “You Got It Going On” do “We’re All Alright!” lançado esse ano, veio na sequência e que conseguiram agradar o público por ela manter as características da banda e por ser um excelente som. “Ain’t That a Shame” cover do Fast Domino foi executada e depois, duas músicas do “One on One” de 1982 foi tocada: a fascinante “If You Want My Love” e “She’s Tight” com a participação do guitarrista Frank Hannon do Tesla assumindo os backing vocals.

“When I Wake Up Tomorrow” e “Long Time Coming”, outra canção do “We’re All Alright!”, que por sinal, uma excelente música, vieram na sequência. O show estava nessa pegada, excelentes composições atrás de excelentes composições. Clássicos atrás de clássicos. Executados da melhor maneira que a banda consegue. Sendo assim, veio, “Baby Loves to Rock”, “In the Street”, cover da banda Big Star e “Stop This Game”. Em seguida, o Tom Petersson, fez um ótimo solo no baixo e ficou o responsável em assumir os vocais na música seguinte, “I’m Waiting for the Man”, cover da banda The Velvet Underground. Aproveitou e emendou, trechos curtos da música “Heroin”, também do The Velvet Underground.

A balada e talvez uma das melhores canções executadas no show, “The Flame”, deu prosseguimento ao espetáculo. Destaque ao grande desempenho dos vocais do Robin Zander, não só nessa espetacular música, como em todas as composições tocadas na noite. Que privilégio de ouvir essa voz tão magnífica como é a dele. Dois hits vieram na sequência: “I Want You to Want Me” e “Dream Police”, onde o Robin, pegou a bandeira do Brasil e colocou em suas costas durante a execução da música e depois, pendurou-a na bateria. Uma grande honra em presenciar duas excelentes composições clássicas como são elas. “Run Rudolph Run”, do álbum “Christmas Christmas”, lançado esse ano e cover do Chuck Berry, foi executado.

Chegando para o final da apresentação, a clássica das clássicas “Surrender” foi executada. Um imenso prazer por estar presente num momento como esse. Um dos hinos do Rock da década de 80 sendo executado ao vivo e de maneira impecável pela banda. E para encerrar, tocaram “Goodnight Now”, uma música como uma forma de se despedir do público. Um aspecto interessante, é que o ritmo e a letra dessa canção, é igual à da primeira executada da noite, “Hello There”, porém, uma por se tratar de que o show está começando e a outra pelo show estar se encerrando. Muito legal essa atitude da banda.

Com aproximadamente 90 minutos de apresentação e com a execução de 20 incríveis músicas, Cheap Trick fez o que uma extraordinária banda costuma fazer. Um incrível, fantástico, inacreditável show que entrou para a história. Primeira vez no Brasil e fazem um show como esse, é para ficar de bocas abertas e aplaudi-los a cada instante e não saber a hora de parar. Sem dúvida alguma, eles serão sempre bem-vindos aqui no Brasil e esperamos que essa foi a primeira de infinitas vezes que se apresentarão em terras brasileiras.

Setlist:

1. Hello There
2. Big Eyes
3. California Man (The Move Cover)
4. You Got It Going On
5. Ain’t That a Shame (Fats Domino cover)
6. If You Want My Love
7. She’s Tight
8. When I Wake Up Tomorrow
9. Long Time Coming
10. Baby Loves to Rock
11. In the Street (Big Star cover)
12. Stop This Game
13. Bass Solo
14. I’m Waiting for the Man (The Velvet Underground cover) (with ‘Heroin’ snippet)
15. The Flame
16. I Want You to Want Me
17. Dream Police
18. Run Rudolph Run (Chuck Berry cover)
19. Surrender
20. Goodnight Now

Line-up:

Robin Zander – Vocais e Guitarra
Rick Nielsen – Guitarra
Tom Petersson – Baixo
Daxx Nielsen – Bateria

Deep Purple

Tão esperado show do Deep Purple finalmente aconteceu e segundo eles, essa seria a turnê da despedida da banda. Com as pistas cheias do Allianz Parque, percebemos na excelente decoração do palco para o Purple. Um cenário de rochas fazendo referência tanto ao clássico álbum “Deep Purple in Rock” de 1970 quanto ao nome do próprio festival. O que foi muito bacana de terem feito isso.

Já falo que assistir a um show do Deep Purple é algo incomum e uma experiência quase inexplicável. Uma clássica banda como é o Deep Purple, que fez grandes histórias para a música e continua fazendo grandes histórias, é algo único de ser presenciado e só quem presenciou um acontecimento como esse nesse grande festival, sentiu a emoção que foi.

Iniciando com a intro mecânica “Mars, the Bringer of War” do Gustav Holst, o Deep Purple logo sobe ao palco ao som de “Highway Star”. Para já deixar o público empolgado com esse clássico absoluto do rock ‘n’ roll. Acelerada e com os fãs cantando os trechos da música, a banda já se mostrou competente só por essa energética canção. Continuando no clássico “Machine Head” de 1972, veio “Pictures of Home”. Assim como na anterior, os integrantes executaram a música de maneira eficaz e caprichada. O Steve Morse nos riffs estava incrível, o Roger Glover teve seu momento de mostrar seu talento que sempre permaneceu, o Ian Gillan com seus vocais cativantes, uma completa honra em assistir um dos maiores bateristas de todos os tempos Ian Paice e o Don Airey nos teclados que estava simplesmente fantástico.

“Bloodsucker” do clássico “Deep Purple in Rock” de 1970, veio para mostrar ainda mais as habilidades dos membros da banda. Os grandes solos do Steve Morse estavam cada vez melhores, os vocais do Gilian, as grandes notas do Don Airey, enfim, uma grande aula de rock ‘n’ roll. “Strange Kind of Woman”, uma das melhores músicas já feitas pela banda, foi executada. Sem dúvidas, o refrão dela, é um dos melhores já realizados pelo Purple. Depois, uma linda homenagem ao falecido Jon Lord (ex-tecladista da banda e que já passou pelo Whitesnake e teve uma carreira solo), com a linda canção “Uncommon Man” do Now What?! (2013). “Lazy” foi a próxima, onde cada integrante teve seu momento e seu destaque. Seja pelas grandes melodias dos teclados, ou pelos incríveis solos de guitarra, ou pelas excelentes harmonias na bateria, enfim, que canção maravilhosa e extremamente técnica.

“Birds of Prey”, do mais recente álbum “Infinite”, lançado esse ano, veio em seguida, para depois vir “Knocking at Your Back Door”, outra que entra no ranking das melhores músicas da banda. Possui um maravilhoso refrão, riffs bem aplicados, teclados exercendo suas funções excepcionais e os vocais carismáticos do Ian, faz com que a canção seja sensacional e marcante na carreira da banda. Depois, o Gillan apresentou o tecladista Don Airey e ele realizou um extraordinário solo de teclado de aproximadamente 6 minutos e nesse tempo, mostrou todo o seu gigante talento que possui no instrumento. Impressionante e admirável. Logo que acabou seu solo, ele já chamou com sua poderosa introdução, a fantástica “Perfect Strangers”, novamente, outra canção que entra no ranking das melhores. Melodias fascinantes nos teclados, grandes riffs de guitarra, um refrão memorável, é o que se encontra nesse clássico.

“Space Truckin’” foi a próxima e depois, a clássica das clássicas “Smoke on the Water” foi executada com a total maestria da banda. Não tem como esquecer de um riff como esse e nem de um refrão como esse, ainda mais que foi cantado pelo público numa grande potência. E o solo que possui a música, foi improvisado pelo Steve Morse. Chegando a vez do “bis”, executaram “Hush”, do primeiro álbum de estúdio “Shades of Deep Purple” de 1968 e por ser cover do Joe South. Antes da execução da música, tocaram pequenos trechos de “The Peter Gunn Theme” do Henry Mancini. A execução do “Hush”, teve uma versão estendida com várias melodias excepcionais de todos os instrumentos, cada integrante teve seu momento e seu destaque. Além disso, ela possui um refrão divertido e muito empolgante. Para encerrar o espetáculo, foi executado “Black Night”, com um solo estendido do Roger Glover em sua intro e a música sendo executada numa versão estendida pela banda, foi de surpreender a cada momento da execução dela. Novamente, cada integrante, deu um show a parte. Suas técnicas extraordinárias e dignas, fez com que a execução ficasse perfeita.

Shows como esse, é para ficar na memória e sentir, o quanto valeu cada minuto da apresentação de uma banda tão fantástica como é o Deep Purple. Considerado um dos pioneiros do heavy metal e do hard rock, que marcaram várias décadas para o rock ‘n’ roll, eles continuam na ativa mostrando o quanto são capazes de realizarem maravilhosos e impressionantes shows. Em aproximadamente 100 minutos de duração, Deep Purple provou que sempre será uma das maiores bandas de rock que já existiu no planeta. Só esperamos que essa não seja, definitivamente, a turnê da despedida.

Agora é torcer para que tenha mais edições do Solid Rock nos próximos anos. Nessa primeira edição, trouxeram três bandas clássicas que fizeram histórias ao rock. Esperamos que esse festival tenha sido o primeiro de infinitas edições e trazendo bandas de alto nível como trouxeram nessa edição. Um festival que valeu cada minuto, ou melhor, cada segundo.

Setlist:

1. Highway Star
2. Pictures of Home
3. Bloodsucker
4. Strange Kind of Woman
5. Uncommon Man
6. Lazy
7. Birds of Prey
8. Knocking at Your Back Door
9. Keyboard Solo
10. Perfect Strangers
11. Space Truckin’
12. Smoke on the Water

Encore:

13. Hush (Joe South cover)
14. Black Night

Line-up:

Ian Gillan – Vocal
Ian Paice – Bateria
Roger Glover – Baixo
Steve Morse – Guitarra
Don Airey – Órgão e Teclado

Fotos: Marcelo Rossi (T4F)

Giancarlo Rossi

Giancarlo Rossi

Editor-Chefe/Redator em Imprensa do Rock
Cursando Rádio e TV. Escuta todas as vertentes do Rock e do Metal. Adora Cinema. E é maníaco por WWE.
Giancarlo Rossi

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