Classiqueira: Mestre Bob Dylan – múltiplos talentos ao inusitado prêmio Nobel de Literatura

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Dono de múltiplos talentos, senhor Bob Dylan, compositor, cantor, pintor, ator e escritor norte-americano deu o que falar nas últimas semanas após ser o protagonista de um fato inusitado: ser o primeiro músico a receber o prêmio Nobel de Literatura. As opiniões divergem quanto a esta questão, mas aqui no “Classiqueira” vamos conhecer um pouco deste músico atemporal que influencia não só jovens músicos, como também grandes nomes da música até hoje.

Texto: Sarah Ferrer

Revisão: Paula Alecio

Indo do Hard Rock em nosso artigo anterior, e agora chegando ao Blues, Folk e Rock para falar de Robert Allen Zimmerman, mais conhecido como “Bob Dylan”. Nascido em 24 de Maio de 1941, hoje com 75 aos, sua vida nas artes começou cedo: aos 10 anos já havia despertado interesse pela literatura, escrevendo poemas e autodidata na adolescência aprendeu a tocar piano e guitarra sozinho.

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Aspirando viver na música… foi nos covers que Dylan começou a se apresentar, imitando artistas da época, como Little Richard e Buddy Holly. Na Universidade voltou-se para a música folk e logo estava inserido dentro deste gênero musical. Foi neste período que escolheu como queria ser chamado: Bob Dylan. Mas a época universitária não durou muito, e em sua busca por se apresentar e viver de música foi apenas em 1962 que Dylan lançou seu primeiro trabalho auto-intitulado, porém não conseguiu grandes êxitos com o trabalho.

Foi com o disco “The Freewheelin’ Bob Dylan”, lançado em maio de 1963, que ele começou a fazer seu nome como cantor e compositor. Com sua mente geniosa, compondo letras imersas em jogos de palavras, com canções de protestos e em defesa dos direitos humanos, cantava com sua voz fanha acompanhado de seu violão e uma gaita, e assim começou a conseguir grande destaque. Sua música mais famosa daquela época é “Blowin’ in the Wind” que claramente questionava todo status quo social e político daquele tempo.

Entre 1964 e 1966 Dylan passou por um período de transição musical aproximando-se mais do Rock, tendo seus trabalhos aclamados pela crítica. Tanto que nesse período tornou-se influentes entre grandes artistas, como John Lennon. É dessa época que surge os mais clamados discos de sua carreira, com um repertório que conta com uma serie de canções que atravessam gerações, e renderam grandes frutos ao músico, como: “Maggie’s Farm”, “Subterranean Homesick Blues”, “Gates of Eden”, “It’s Alright Ma (I’m Only Bleeding)”, “Mr. Tambourine Man”, “Ballad Of A Thin Man”, “Like a Roling Stone”, “Just Like a Woman”, entre outras, inseridas em seus álbuns mais inspiradores: “Bringing It All Back Home” e “Highway 61 Revisited” de 1965 e o duplo “Blonde on Blonde”, de 1966.

Na década de 70, o trabalho de Dylan passou por algumas mudanças na sonoridade devido aos altos e baixos da carreira, tanto na vida profissional quanto pessoal, que influenciariam diretamente suas composições. Mas  algumas canções durante este período destacaram-se, como: “If Not For You” (1970), “Knockin’ on Heaven’s Door” (1973) – lançada especialmente para a trilha sonora do filme ‘Pat Garrett & Billy the Kid’ e é sem dúvida uma de suas canções mais famosas de todos os tempos -, “Forever Young” (1974). Mas ao voltar a excursionar acompanhado pelo grupo The Band, retorna à evidência e ao sucesso, principalmente pelo elogiado duplo ao vivo “Before the Flood” (1974). Na retomada da carreira de forma mais ativa, Dylan produziu “Blood On Tracks” (1975) e “Desire” (1976), considerados seus melhores discos nos anos 70, aclamados pela crítica.

Foi nos anos 80 que ele voltou às suas raízes musicais, mantendo o equilíbrio na vida artística com o disco “Infidels”, inclusive neste período, o músico participou do especial “We Are The World” junto a 40 grandes nomes da música americana em prol da fome na África.

Já nos anos 90,  dá uma pausa na carreira fazendo um balanço de seus 30 anos de estrada para o qual em 92 foi realizado um grande show tributo com a presença de vários artistas cantando suas músicas, tais como: Eddie Vedder, Stevie Wonder, Neil Young, Eric Clapton dentre outros. A década seguiu com um acústico produzido pela MTV em 1994, o disco “Time Out Of Mind” veio em 97 repleto de inéditas e junto com ele, vários prêmios Grammy, e o feito continuou com o disco seguinte “Love and Theft” de 2001, muito bem aceito pela crítica.

São mais de 50 anos de carreira consolidados em 37 álbuns de estúdio, reverenciado na música por grandes nomes de suma importância. O que fica claro que Dylan é um artista completo, além de ser o único a possuir diversos prêmios, dentre eles: Emmy, Grammy, Oscar e Tony, também recebeu o prêmio Pulitzer, a Medalha Presidencial da Liberdade, e o mais recente e comentado: Prêmio Nobel da Literatura.