Choque de etnias marca o retorno de Orange is The New Black

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A quarta temporada de Orange is The New Black foi ao ar nesta sexta feira (17), trazendo conflitos novos para as detentas de Litchfield.

Por: Victoria Cardoso
Edição: Victor Santos

Além de dar continuidade aos temas propostos na 3ª temporada – como estupro, aborto e as consequências às famílias das prisioneiras –, a nova fase do seriado traz a tona duas problemáticas muito atuais: a xenofobia e a superlotação de penitenciárias (assunto comum, quando se fala de Brasil). A temporada 2016 de Orange is The New Black deu foco à temas sociais e que refletem a atual situação dos norte-americanos, diminuindo a atenção dos romances lésbicos e conflitos amorosos abordado em suas outras três temporadas.

Sabe-se que, entre os atuais candidatos a presidente dos EUA, está o republicano Donald Trump, que recentemente em sua campanha, afirma que se for eleito no dia 8 de novembro, irá se utilizar de uma lei antiterrorismo para impedir que a multidão de pessoas que moram nos EUA ilegalmente continue crescendo, a não ser que o México faça um pagamento único estipulado entre US$ 5 bilhões e US$ 10 bilhões para erguer um muro que ficaria na fronteira entre os territórios da nação norte-americana e mexicana.

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O executivo nova-iorquino chegou à atrair fortes críticas por sua retórica grosseira contra muçulmanos, mulheres e imigração, e chegou a se referir a alguns imigrantes ilegais como criminosos. Porém, assim como essa população vem crescendo, proporcionalmente o peso demográfico da população latina é considerado um dos elementos chave nas eleições presidenciais de 2016, sendo o voto latino um dos mais cortejados pelos candidatos.

E isso se reproduz em nossa série. A população hispânica forma quase 20% da total estadunidense, sendo a maior parte imigrantes ilegais, onde alguns precisam praticar crimes para se manterem e às suas famílias. Portanto, quando o cárcere  –  já dividido entre negras, brancas e latinas de forma bem demarcada  –, recebe um contingente forte de novas integrantes visando a diminuição de gastos da administração privada dessa penitenciária federal, ocorre um grande aumento das falantes do espanhol dentro das grades fictícias de Litchfield. Esse aumento gera grande tensão entre etnias, demonstrando preconceito e aversão.

A série segue a tendência de mostrar trechos da vida das prisioneiras antes que estivessem confinadas, demonstrando os crimes causados pelas mesmas e a tensão entre os povos hispânicos, que demonstram não ser todos iguais, embora possam estar unidos por um objetivo.

A série se iniciou em 2013 e é baseada no livro de Piper Kerman, ‘Orange Is the New Black: My Year in a Women’s Prison’, que retrata o ano em que a autora esteve detida em uma penitenciária feminina. Produzida por Jenji Kohan, a trama de comédia dramática se tornou um lar de diversidade de mulheres fortes, guerreiras, amorosas, mães, irmãs, filhas e outra infinidade de palavras que não as definem, crescendo e nos fazendo conhecer a realidade (ou não) dessa parte da população.

No início do ano, foram confirmadas outras três temporadas (quinta, sexta e sétima), ainda sem data de lançamento.

Victor Santos

Victor Santos

Editor-Chefe em Imprensa do Rock
Victor Santos é editor-chefe do Imprensa do Rock e Diretor Geral do Programa Unimetal. Desde 2011, vem trazendo conteúdo de qualidade para os amantes da música e do cinema.
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