“Chester não recebeu bem as críticas negativas à ‘One More Light'”, diz Sean Dowdell do Grey Daze

Em uma recente entrevista, o baterista do Grey Daze, Sean Dowdell, revelou que Chester Bennington se sentiu incomodado com as críticas negativas que o último disco do Linkin Park, “One More Light” recebeu. Ele comenta:

“Vou dizer algumas coisas aqui. Pode não ser muito popular, mas é a verdade. E não que eu queira trazer os caras do Linkin Park para a conversa, mas acho que eles concordariam com isso. Quando eles lançaram o álbum ‘One More Light’ (dois meses antes da morte de Chester), ele não foi recebido da maneira que eles pensavam que seria, ou pelo menos da maneira que Chester pensou que seria recebido, e ele teve muita negatividade dos fãs, e isso realmente o incomodou. Ele ficou tão chateado e detonou as pessoas no Twitter, e ficou mal por fazer isso. E eu diria a ele: ‘Cara, não deixe essas pessoas te derrubarem. Não vale a pena. A música é boa, cara. Não se preocupe com esse tipo de porcaria. Para esses caras, eles trabalharam tanto para montar esses discos e estão tão acostumados a receber esses elogios da base de fãs. E então, quando lançaram um álbum como ‘One More Light’,  ainda 95% das pessoas gostam da música dali. Mas são esses 5%  que apenas reclamam e passam muito tempo na internet – esses perdedores no porão, como gosto de chamá-los – onde tudo o que eles têm é apenas tempo para sentar e escrever em um teclado sobre o perdedor que você é.Mas na verdade é, “o que você fez com sua vida?

“Eu não entendo o que faz alguém que é fã do Chester, amar tudo o que ele fez, ou quase tudo o que ele fez, e então ele faz uma música que você não gosta e esse mesmo alguém sente que precisa falar mal dele ou dizer que ele é péssimo e todo esse tipo de porcaria. E essas coisas realmente pesaram nele. Então, eu acho que isso realmente contribuiu para parte de sua cabeça virar naquela hora. Ele teve algum abuso sexual quando criança, e isso sempre pesou sobre ele, e esse tipo de negatividade culminou nesse processo de pensamento em que Chester nunca sentiu-se bem o suficiente ou nunca se sentiu apreciado ou nunca sentiu que valeu a pena. Ele tinha esse vazio interior que eu não acho que ele poderia explicar para muitas pessoas. Eu conheci esse lado dele muito bem. Depois de um show, milhares de pessoas, querendo conhecê-lo e dizer o quão grande ele é e o quanto ele tocou a vida deles de uma maneira profundamente emocionalmente positiva, deram a eles uma saída para sua própria dor e seu próprio sofrimento e, internamente, Chester não ouvia isso. Ele dizia: “Obrigado”, e ainda assim sentia que não era o suficiente. Teríamos essa conversa e ele se sentiria como, “Eu simplesmente não sinto vontade, não sou esperto o suficiente, não me sinto bom o suficiente. E eu dizia: “Chester, você é uma pessoa tão boa. Esqueça o canto. Eu não me importo com você como cantor; eu me importo com você como um ser humano. Eu não me importo que você seja uma ótima pessoa” cantando, lamento que você seja uma pessoa tão boa. Ele foi um dos melhores amigos que você poderia ter.

Recentemente o Grey Daze lançou o disco “Amends“, que traz nova gravações de faixas registradas por Chester em sua primeira banda, além de várias participações especiais. 

One More Light” foi lançado em 19 de maio de 2017 pela Warner Bros. Records, tendo a produção de Mike Shinoda e Brad Delson. O disco mostrava a banda indo numa direção musical bem diferente das apresentadas nos dois primeiros álbuns, indo para um lado muito mais eletrônico e a música pop, mudança esta apresentada de uma forma mais branda no disco anterior, “The Hunting Party“. Essa mudança acabou gerando críticas bastante duras ao registro tanto da crítica especializada, como dos fãs. 

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Marcio Machado

Estudante de História pela Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), mas com o pé no jornalismo musical, desde os 12 anos se arriscava à escrever sobre o que ouvia em cadernos, se enveredando pela escrita jornalistica do Metal desde 2016 com o Whiplash, tendo de lá para cá, 80Minutos, Headbangers News, Gaveta de Bagunças, Headbangers Brasil e recentemente o Imprensa do Rock, como casas para seus textos e chatices. Tem como bandas de cabeceira Korn, Alice in Chains e Pantera, mas fã de muita coisa dos anos 90, a melhor década.