Camisa de Vênus @ Carioca Club – São Paulo/SP (09/02/2019)

No dia 09 de fevereiro, no Carioca Club em São Paulo, o dia foi marcado por nada mais nada menos que quatro grandes bandas do rock nacional. Os veteranos do Camisa De Vênus que está lançando seu novo DVD e CD ‘ao vivo’ “Dançando em Porto Alegre” (gravado em 2016), no caso, o nome desse show está como “Dançando em São Paulo”, o Golpe de Estado, outra banda da mesma época que o Camisa, completou 30 anos de carreira em 2017 e nesse show, estão lançando o novo single “A Fila Anda” que estará presente no próximo álbum do conjunto, a banda do ex-goleiro do Corinthians Ronaldo e os Impedidos e o Baranga, promovendo seu último trabalho “Motör Vermelho” lançado no final do ano passado. Rock nacional de peso que presenciamos nesse grande dia durante mais de quatro horas de puro rock n’roll e puro divertimento.

Baranga

Primeira banda do dia, os paulistanos do Baranga. Formada em 2000, o line-up conta com Xande (vocal e guitarra), Deca (guitarra), Soneca (baixo) e Paulão (bateria) e para começar a apresentação mandaram “Três-Oitão” do “O Quinto dos Infernos” de 2013 e “Filho Bastardo” do “Meu Mal” de 2007. O Xande deu um salve para a galera presente e anuncia “Boteco ao Lado” do disco novo “Motör Vermelho” lançado em 2018 e logo vêm “Pirata do Tietê” do “Whiskey do Diabo” de 2005, onde o próprio Xande relembrou o videoclipe da música. “O Céu é o Hell” do álbum homônimo de 2010 foi tocada e na sequência, outra do “Motör Vermelho”, “Rock de Rua”.

Após a execução, o baterista Paulão foi até o microfone anunciar “O Carona”, composição numa pegada bem rock n’ roll. O Xande disse que executarão uma carreta de músicas e depois “goodbye babies”, agradeceu o público e ainda disse: “A palavra de ordem do dia é o que ? Rock N’ Roll!”. Essa carreta começou com a bluzeira “Encrenca”, logo partiu para “Whiskey do Diabo” e depois, o baterista Paulão foi ao palco, jogou sua toalha para o público, pegou sua lata de cerveja e despejou-a sobe sua própria cabeça. Volta ao seu lugar e tocam “Meu Mal” e a saideira ficou por conta da “Chute na Cara”.

O Xande com seus ótimos vocais, o Soneca com seu jeito tranquilo, o Paulão bem agitado e o guitarrista Deca em sua performance maluca, realizaram uma apresentação bem energética. Iniciaram o dia com um repertório bem empolgante e mostrando todo o talento que o quarteto possui. Quem chegou mais cedo e assistiu a esse excelente show do Baranga, certamente se animou com tamanha diversão que foi.

Setlist:

1. Três-Oitão
2. Filho Bastardo
3. Boteco ao Lado
4. Pirata do Tietê
5. O Céu é o Hell
6. Rock de Rua
7. O Carona
8. Encrenca
9. Whiskey do Diabo
10. Meu Mal
11. Chute na Cara

Line-up:

Xande – Vocal e Guitarra
Deca – Guitarra
Soneca – Baixo
Paulão – Bateria

Ronaldo e os Impedidos

Segunda banda do cast, Ronaldo e os Impedidos. Liderado pelo ex-goleiro do Corinthians Ronaldo Giovaneli (vocais), a formação é completada por Fares Junior (guitarra), Tico Rizzo (guitarra), Daniel Kid (baixo) e Nina Pará (bateria). Subiram no palco e iniciam o repertório com “O Nome Dela” e logo, o Ronaldo já começou suas interações com o público, agradeceu muito aos presentes, disse que é um prazer se apresentar no Carioca Club e apresentar o som da banda a todos. Em seguida, executam “Invisível” e a marcante “Onde Está o Rock ‘n’ Roll?”. Depois de um “Vai Corinthians” gritado pelo Ronaldo, mandam a clássica “Hound Dog”, escrita por Jerry Leiber e Mike Stoller e originalmente gravada por Willie Mae “Big Mama” Thornton em 1952, ficando bem conhecida na regravação feita por Elvis Presley em 1956. Durante a execução, cada integrante realizou um pequeno solo, mostrando suas grandes habilidades, primeiro o guitarrista Fares Junior solou, depois o outro guitarrista Tico Rizzo, o baixista Daniel Kid e por último a baterista Nina Pará.

Prosseguindo, tocaram “Ouro no Dente” e num ritmo bem gostoso “Passaporte Falso” e na sequência, emendaram dois covers, “Como Vovó Já Dizia” do Raul Seixas e “Susie Q” do Creedence Clearwater Revival. Ronaldo pergunta ao público se curtiram a banda e claro, responderam positivamente e até fez algumas piadas sobre si mesmo em relação a sua posição de goleiro no passado. Tocaram “T.N.T.” e novamente, o Ronaldo volta a fazer mais piadas sobre goleiro, dessa vez, dizendo: “Tudo isso aqui é playback, onde já se viu um goleiro, cinquenta anos de idade cantando junto com essa turma, isso tudo é playback, é a tecnologia”.

Veio na sequência “Telefone Errado” e mais algumas palavras hilárias do Ronaldo: “Acho que a gente está fazendo muito barulho, é isso ai? Tem um pessoal lá do fundo que está dormindo. Vamos tocar uma música mais calma porquê o pessoal falou, meu, Ronaldo é rock, ou não é?! É sertanejo ? É samba ? Pagode vai pro inferno”. Outro cover executado, dessa vez, “Symphony of Destruction” do Megadeth. O Ronaldo interage mais um pouco com a galera, cita o Golpe de Estado, que está ansioso pelo show deles, uma banda que eles tem no coração, e faz mais algumas piadas em relação aos seus vocais. Para encerrarem a apresentação, executam “Jet Love” e o cover do Elvis Presley “Suspicious Mind”, linda composição. Ronaldo agradece a todos e suas últimas palavras foram: “O rock não vai morrer nunca”.

Setlist:

1. O Nome Dela
2. Invisível
3. Onde Está o Rock ‘n’ Roll?
4. Hound Dog (Big Mama Thornton cover)
5. Ouro no Dente
6. Passaporte Falso
7. Como Vovó Já Dizia / Susie Q (Raul Seixas cover/ Creedence Clearwater Revival cover)
8. T.N.T.
9. Telefone Errado
10. Symphony of Destruction (Megadeth cover)
11. Jet Love
12. Suspicious Mind (Elvis Presley cover)

Line-up:

Ronaldo Giovaneli – Vocais
Fares Junior – Guitarra
Tico Rizzo – Guitarra
Daniel Kid – Baixo
Nina Pará – Bateria

Golpe de Estado

Golpe de Estado foram os próximos. O baixista e fundador do Golpe de Estado Nelson Brito dá um alô para o público e com Marcelo Schevano (guitarra) e Roby Pontes (bateria) em palco, iniciam o repertório com as primeiras notas de “Terra de Ninguém” do “Forçando a Barra” de 1988 e rapidamente, o vocalista João Luiz sobe ao palco, dá um salve e prossegue a execução. Tocam “Sem Ser Vulgar” do debut “Golpe de Estado” (1986) e logo, o João chama o tecladista Matheus Shanoski para se juntar a banda, fica no canto direito do palco ao lado do Nelson e executam “Não É Hora” do “Nem Polícia Nem Bandido” de 1989. Um agradecimento do João ao público e mandam “Noite de Balada”, com os fãs cantando os trechos da música ao final da canção, simplesmente lindo, e como o próprio João disse, essa música dispensa qualquer apresentação.

“Onde há Fumaça, Há Fogo” e “Paixão” vieram na sequência, depois, o Luiz faz uma breve interação com o público, disse que esse ano o “Nem Polícia Nem Bandido” completa 30 anos e segundo ele, vêm algo especial ao decorrer do ano. Na próxima música, o João ainda falou: “Por falar em clássico, não tem como fazer um show do Golpe de Estado e não tocar essa canção”. Assim, foi tocada a belíssima “Caso Sério” do “Quarto Golpe” de 1991, emocionando a todos os presentes. Com a banda bem alegre, o Nelson disse, “Maravilhoso ver o Carioca Club lotado, com essa galera apoiando o rock nacional, isso é simplesmente inesquecível”, logo completa o João dizendo, “Não vamos deixar o rock morrer não galera!”.

Em dedicação ao amigo deles que estava no merchandising da banda, pelo seu aniversário, executaram a pesada “Sanguessugas”. O Matheus deixa o palco e o Nelson dá algumas palavras referentes à próxima música do setlist, é o primeiro single do Golpe de Estado desde o “Direto do Fronte” (2012), intitulado “A Fila Anda”, música que segundo o Nelson, estará presente no próximo lançamento de estúdio da banda, e que por sinal, foi muito bem recebido pelos fãs. “Pra Poder” do álbum homônimo de 2004 foi tocada e chegando para o final do show, a banda agradeceu a todos pela presença, agradeceu ao Carioca Club, a produtora do evento, as bandas do festival e que estavam muito felizes por fazer parte dessa grande festa. Para encerrar essa magnífica apresentação, a música escolhida foi o clássico “Nem Polícia Nem Bandido”, como o João já havia falado e volta a repetir, faixa-título do disco que está completando 30 anos. Após, uma foto com a galera no final e aos gritos de “Olê olê olê olê Golpe, Golpe…” feitas pelo público, a banda se despede com o João dizendo: “Longa vida ao rock n’ roll”.

Setlist:

1. Terra de Ninguém
2. Sem Ser Vulgar
3. Não É Hora
4. Noite de Balada
5. Onde há Fumaça, Há Fogo
6. Paixão
7. Caso Sério
8. Sanguessugas
9. A Fila Anda
10. Pra Poder
11. Nem Polícia Nem Bandido

Line-up:

Nelson Brito – Baixo
João Luiz – Vocal
Marcelo Schevano – Guitarra
Roby Pontes – Bateria
Matheus Shanoski – Teclados

Camisa de Vênus

Um excelente público no local, foi hora do momento mais aguardado da noite. Robério Santana (baixo), Drake Nova (guitarra), Leandro Dalle (guitarra) e Célio Glouster (bateria) sobem ao palco e mandam os trechos iniciais de “Bota Pra Fudê” e dentro de uns dois minutos, Marcelo Nova (vocais) aparece no palco e dá continuidade na canção, com seu refrão sendo cantado pelo público com total empolgação e energia. Durante a execução, Marcelo já nos apresentou a banda e logo foi nos apresentado os ótimos trabalhos de cada um. “Dançando na Lua” do álbum homônimo de 2016, último lançamento da banda, foi a próxima a ser tocada, composição bem viciante e novamente os fãs cantando os refrões. Marcelo sempre bastante comunicativo, disse que esse ano, o Camisa completa 39 anos de carreira e manda a clássica “Deus me Dê Grana” do “Correndo o Risco” de 1986, uma composição extremamente marcante da banda.

Falando em clássico, Marcelo anuncia “Bete Morreu”, do primeiro disco de estúdio “Camisa de Vênus” de 1983, na gravação do álbum, a duração dela é bem rápida, porém, na execução, estenderam a música e obteve certas adaptações, o público ainda cantou novamente o refrão de “Bota Pra Fudê”, daí, o Marcelo foi e disse, “Esse é o nosso grito”. Na hora da execução “Rosto e Aeroportos”, o microfone do Marcelo estava dando alguns problemas, mais especificamente, o som dele estava muito baixo e quase nem ouvimos sua voz nos trechos iniciais da canção, logo, o problema foi concertado e podíamos ouvir sua voz, porém, o Marcelo e a banda pararam de tocar e relatou o problema para todos, acertaram direito o problema e logo o Marcelo disse, “Essa canção não é para ser tocada de qualquer jeito”, reiniciaram a música e deixou todos os fãs ainda mais empolgados. Composição do segundo álbum de estúdio “Batalhões de Estranhos” de 1984, que segundo o Marcelo, uma de suas canções favoritas do Camisa e até disse: “É que o nosso primeiro disco é cheio de malcriações, nós éramos muito jovens, era todo mundo malcriadinho. Mas apenas dois anos depois, a banda tinha amadurecido, tinha outras ideias”.

Depois de muitos anos inativos, Marcelo cita o DVD e CD duplo “Dançando na Lua” e o “Dançando em Porto Alegre”, a próxima canção está em ambos os discos, “Vento Insensato”. Mais gritos de “Bota pra fudê, bota pra fudê…” vindas do público e mandam “Crime Perfeito” e depois, um excelente medley contando com as músicas, “Quem é Você?”, “Cidade Fantasma”, “Cidade Bunda”, “Gotham City” e “Rock And Roll”. Num ritmo bem gostoso, foi a vez de tocarem “Passatempo”, com a inclusão de diálogos cômicos pelo Marcelo, fazendo todos os presentes gargalharem e após, “A Raça Mansa”, sem dúvidas, uma das melhores faixas do “Dançando na Lua”. O Marcelo novamente apresenta os integrantes da banda, primeiro os integrantes mais “novos”, o guitarrista Leandro Dalle, o baterista Célio Glouster, o guitarrista e filho do Marcelo Drake Nova e por último, o amigo de longa data Robério Santana. Apresentação feita, executaram o grande clássico “Só o Fim” e “A Ferro e Fogo”, ambas do “Correndo o Risco”.

Em seguida, vieram “Hoje”, a versão do Camisa de Vênus de “My Way”, ao decorrer da música, o próprio Marcelo sentou no palco ficando bem próximo do público para admirar os fãs cantarem os trechos da canção, foi simplesmente lindo. Na execução de “O Adventista”, ao decorrer dela, o Marcelo ajoelhado no palco, recita a oração do Pai Nosso. Chegando para o final da apresentação, Marcelo dá uma boa noite a todos e manda a clássica “Eu Não Matei Joana D’Arc”. Durante a execução, mais gritos de “Bota pra fudê, bota pra fudê…” feitas pelos fãs e uma certa extensão na música, foram repetidos diversas vezes o refrão da canção, além dos excelentes solos de guitarra e ao seu final, a banda finalizando e retornando para cantar o refrão, isso algumas vezes e chegar ao seu fim. A banda extremamente feliz agradece muito ao público pela presença e se despedem.

Marcelo Nova com seus vocais inconfundíveis, bem comunicativo, engraçado e deixando o público cantarem os refrões de todas as músicas do setlist, mostrou ser um ótimo frontman em palco e alegrou a todo mundo que compareceu ao show. Robério Santana, que mesmo sendo o mais quieto em palco, sua presença foi digna. E os integrantes mais recentes, no caso, integram no Camisa desde 2015, o ótimo baterista Célio Glouster e os guitarristas Drake Nova e Leandro Dalle, realizando os ótimos riffs e intercalavam nos solos, foram excepcionais em palco. Nesse tempo, já percebemos no perfeito entrosamento da banda, vide o mais recente álbum lançado e nesse show sensacional que realizaram.

Assim, esse grande dia rock n’ roll, chegou ao seu fim. Quatro excelentes bandas nacionais que nos cativaram pelos seus shows fascinantes que tivemos o prazer em assistir. A quem esteve presente no Carioca Club, presenciou um dia extremamente prazeroso, memorável e mostrando o quanto a cena nacional é poderosa e respeitável.

Setlist:

1. Bota Pra Fudê
2. Dançando na Lua
3. Deus me Dê Grana
4. Bete Morreu
5. Rosto e Aeroportos
6. Vento Insensato
7. Crime Perfeito
8. Quem é Você? / Cidade Fantasma / Cidade Bunda / Gotham City / Rock And Roll
9. Passatempo
10. A Raça Mansa
11. Só o Fim
12. A Ferro e Fogo
13. Hoje
14. My Way
15. O Adventista
16. Eu Não Matei Joana D’Arc

Line-up:

Marcelo Nova – Vocal
Robério Santana – Baixo
Drake Nova – Guitarra
Leandro Dalle – Guitarra
Célio Glouster – Bateria

Fotos: Diego Andrade

Giancarlo Rossi

Giancarlo Rossi

Editor-Chefe em Imprensa do Rock
Cursando Rádio e TV. Escuta todas as vertentes do Rock e do Metal. E Adora Cinema.
Giancarlo Rossi

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