Ave Sangria: ressurgindo como uma fênix em noite paulista.

Em plena época de efervescência política, a banda pernambucana de rock psicodélico  Ave Sangria, que foi marcante durante os “anos de chumbo”, ressurgiu como uma fênix sangrando e esquentando a noite paulistana do último dia 17 de outubro, em show comemorativo de 40 anos no Sesc Belenzinho.

Surgida nos anos 70, tendo como cenário de suas viagens musicais e performáticas, o nordeste pernambucano. A banda contemporânea de Novos Baianos, Mutantes e Secos e Molhados teve influências diversas e fundiu ritmos brasileiros com tendências psicodélicas. Além disso, tornou-se polêmica em suas atitudes que batiam de frente com os valores e costumes da sociedade conservadora da época.

Com performances mais suaves, diferentes das que eram feitas durante os anos de ditadura, subiram ao palco os resistentes da formação original: Marco Polo (vocal), Paulo Rafael (guitarra), Almir Oliveira (violão) e Ivinho (guitarra).

Foto Por: Gil Oliveira // © Todos os direitos reservados.

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Auxiliados pelos novos integrantes Juliano Holanda (baixo) e Do Jarro (bateria), Gilú Amaral (percussão) e o convidado Zé da Flauta. Esse show do Sesc Belenzinho, marcou o relançamento de seu único LP, resultante do último show “Perfumes Y Baratchos”,  gravado ao vivo no Teatro Santa Isabel em 1974.

O início do voo da Ave Sangria aconteceu às 21:30, marcado por uma certa tensão no palco, com trocas de olhares e demonstrações de irritabilidade de Ivinho (guitarra), ocasionada pela desafinação de sua guitarra e possíveis erros dos músicos: Paulo Rafael (violão, guitarra), Almir de Oliveira (violão), acompanhados por Juliano Holanda (baixo), Junior do Jarro (bateria), Gilú Amaral (percussão) e o Zé da Flauta, envolvidos no tema instrumental de abertura.

Foto Por: Gil Oliveira // © Todos os direitos reservados.

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Em seguida, surgiu Marco Polo cantando a música “Lá fora”, sem gerar muito fervor na plateia que presenciava atenta esse encontro. O show seguiu com “Por que?”, “Janeiro em Caruaru”, “Hei! Man”,“Vento Vem (Boi Ruache)” e a instrumental “Grande Lua”, que serviu para o descanso do vocalista.

Com o fim da “Grande Lua”, o sereno e discreto Almir de Oliveira assumiu o microfone de Marco Polo para canção, “Dois Navegantes”, tendo  a  introdução de Zé da Flauta e o forte coro de acompanhamento do público, sendo uma das canções de grande destaque do show.

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Marco Polo retornou ao palco mais descontraído com as seguintes faixas: “Três Margaridas”,“O Pirata”, “Sob o Sol de Satã”, “Corpo em Chamas”, “Geórgia, a Carniceira”, aproximando-se e animando ainda mais o público, que aparentava estar mais envolvido ao show em relação as músicas iniciais. A plateia que presenciou essa viagem nostálgica a “psicodelia brasileira” foi marcada por uma geração de vanguarda e por jovens da nova geração, que se dividiam em acompanhar o show cantando e dançando ou  simplesmente admirá-los em silêncio, com uma satisfação de presenciar esse encontro histórico.

Foto Por: Gil Oliveira // © Todos os direitos reservados.

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O “bis” e encerramento da noite aconteceu com a polêmica música, “Seu Waldir” – foco de censura pela letra, considerada homossexual nos anos 70 – Após quatro décadas, a lendária banda Ave Sangria teve boa receptividade em seu retorno com  novos seguidores de suas viagens e a fidelidade de seus antigos viajantes, tornando  essa noite de relançamento em São Paulo, tão histórica como a noite de lançamento do seu primeiro LP – “Perfumes Y Baratchos” em 1974.

Resenha por: Valéria Lima // Fotos por: Gil Oliveira
Edição: Victor Santos
Agradecimento pelo credenciamento: Sesc Belenzinho

Victor Santos

Victor Santos

Editor-Chefe em Imprensa do Rock
Victor Santos é editor-chefe do Imprensa do Rock e Diretor Geral do Programa Unimetal. Desde 2011, vem trazendo conteúdo de qualidade para os amantes da música e do cinema.
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