ANGRA – ØMNI “evoluindo e ousando sem perder a essência”

O ANGRA chega ao seu nono disco de estúdio, segundo com o vocalista FABIO LIONE (Rhapsody of Fire, Vision Divine, Labyrinth), após os bons, mas nada mais que isso, Aqua (2010) e Secret Garden (2014), a banda retorna com “ØMNI”, que numa tradução livre do latim quer dizer “tudo”. E é exatamente o que podemos ouvir neste disco, uma enorme variedade de sons, mas ainda assim sem perder a essência natural do nome ANGRA.

Por Júnior Pontes

O grande desafio da banda era como seria o primeiro disco sem um dos seus principais nomes, o guitarrista Kiko Loureiro hoje no MEGADETH.

Kiko está muito bem representado por Marcelo (Almah).

Outro desafio era o que esperar de um novo álbum com Lione nos vocais, inegável sua capacidade em executar de maneira primorosa toda e qualquer música, no entanto, substituir dois grandes ídolos, não seria tarefa fácil pra ninguém. Porém nesse novo disco, Fabio se mostra muito mais a vontade, e  acredito que que mais um clássico pode estar nascendo.

O álbum abre com a avassaladora “Light of Transcendence” com velocidade típica do metal melódico e rica em melodias, com solos incríveis e riff’s poderosos. O refrão é impactante, assim como a música num todo, o peso lembra muito algumas músicas do disco Temple of Shadows (2004), destaques para Lione e o baterista Valverde, que vem cada dia se consolidando como um dos melhores do estilo. Apesar de não ser num todo conceitual, eles usam temas embasados na ficção cientifica, no futuro e na consciência humana.

“Travelers of Time”, lançada como primeiro single, vem na sequência com aquele início a lá “Holy Land”, do disco clássico lançado em 1996. Possuí coros muito bem executados, assim como os solos, contando ainda com partes cantadas de forma impecável por Rafael, grande destaque desta faixa.

“Black Widow’s Web” é aquela música que já causou polêmica mesmo antes de ser lançada, contando com as participações vocais de Sandy (Sim, a cantora pop que fazia dupla com seu irmão Junior Lima) e Alissa White-Gluz (Arch Enemy), a música começa de forma suave a calma com os vocais limpos e angelicais de Sandy, tendo o piano ao fundo. Depois ganha um tom mais acentuado, até entrar os vocais de Lione e abrindo espaço para ferocidade da voz de Alissa. O belo refrão é grudento, forte e impactante. Definitivamente podemos afirmar que Lione é o vocalista do ANGRA, se sentindo a vontade, executando as linhas de forma perfeita para o som que a banda sempre fez, a parte negativa é a pequena participação de Sandy, que retorna novamente ao fim da música. Tenho a sensação de que seu potencial poderia ter sido melhor aproveitado, e a letra que deixa um pouco a desejar, mas nada que tire o brilho da excelente música, uma das melhores do disco.

A quarta música do álbum é “Insania” que em minha opinião, é a melhor do disco. Possuí uma letra bem positiva, assim como a melodia, e pode ser denominada como o paraíso do futuro, talvez por isso seja tão emocional e carregada de alegria. Começa com um magistral coro e levadas de bateria, dando espaço para as belas linhas de baixo de Felipe Andreoli, com seus vocais acentuados Lione, que vai conduzindo até chegar ao refrão que fará com que você não queira parar de ouvir. Seguindo uma linha progressiva assim como faz a banda kAMELOT, tornando assim a música mais atraente e de fácil assimilação, temos ainda um ótimo trabalho de guitarras sendo executados, belos solos cheio de harmonias e emoção. A maneira absurda que  Valverde esta conduzindo as baquetas está demais.

Na sequência “The Bottom of My Soul” tem como vocais principais Bittencourt, trazendo uma carga emocional gigantesca para a música, evoluindo cada vez mais neste segmento, fazendo até que não sintamos falta de Lione, certamente a faixa fará partes dos shows ao vivo.

A sexta do disco “War Horns” que será o próximo vídeo clipe da banda, é pesada com o progressivo característico da banda, contando com a participação do guitarrista Kiko Loureiro fazendo os solos, não temos nada de novo aqui, apenas o peso não muito usual, que faz com que a música seja mais atraente. Não deixando a poeira baixar “Caveman” chega com levadas bem progressivas, lembrando o DREAM THEATER, iniciando com um divertido coro cantado em português, seguindo com os vocais certeiros de Lione, uma faixa de fácil assimilação e bem gostosa de ouvir, outra com grande destaque do baterista.

Chegamos à oitava do álbum “Magic Mirror” progressivo na veia, com pegadas a lá PAIN OF SALVATION e ARK, dramática com múltiplas variações de harmonia e vocais, aliadas ainda a um belo refrão, mais uma aula do mestre Lione de como cantar heavy metal. Vamos falar de Marcelo que se encaixou muito bem à banda e pode mostrar seu potencial em “ØMNI”. Logo após temos “Always More” delicada e bela, se estivéssemos nos anos 80, ela seria a mais tocada nas rádios certamente, com uma pegada country tendo o violão e acordes de guitarra como base, puro romantismo.

Depois da calmaria vem “Silence Inside” diferente do que o título sugere, a música é grandiosa e nos remete ao passado, por passagens que lembram muito o álbum Holy Land (1996), começando num êxtase insano com os violões de Bittencourt e variações instrumentais beirando o absurdo. Rafael solta sua voz imponente e dramática até chegar ao refrão onde Lione se faz presente. A obra-prima lembra muito ao trabalho feito pela banda em Temple of Shadows (2004) e também o The Black Halo (2005) da banda KAMELOT dada à dramaticidade e a orquestração ouvida nesta faixa. Pra finalizar o disco temos a instrumental “Infinite Nothing” é orquestrada do inicio ao fim, é o “ØMNI” o tudo do disco, passeando por diversos momentos de cada faixa, deverá ser o encerramento dos shows, uma bela música para fechar de forma grandiosa o disco.

Quando ouvi o primeiro single “Travelers of Time” confesso que fiquei com uma pulga atrás da orelha, pensei é ANGRA, mas é mais do mesmo de novo? Ai após ouvir o disco, minhas conclusões são que a banda está de volta, onde Lione parece ter encontrado seu lugar, Rafael  soube conduzir as coisas de forma grandiosa mesmo sem o Kiko , Marcelo  se mostra um ótimo músico e encaixou muito bem na banda. Andreoli só continua sendo o melhor baixista do Brasil e Valverde, eu destacaria como o Homem do álbum, um baterista com uma carreira promissora. Destaco ainda a excelente produção de Jens Bogren que já havia trabalhado com a banda no Secret Garden (2014), mas desta vez ele acertou em cheio. “ØMNI”volta a colocar o ANGRA de volta ao cenário, não que ela tenha saído algum dia, mas coloca novamente ao topo do estilo e como um dos grandes nomes do heavy metal.

 

ANGRA – ØMNI (2018)

Gravadora – Ear Music

Track-list:

  1. Light of Transcedence
  2. Travelers of Time
  3. Black Widow´s Web (Feat. Sandy and Alissa White-Gluz)
  4. Insania
  5. The Bottom of My Soul
  6. War Horms (Feat. Kiko Loureiro)
  7. Caveman
  8. Magic Mirror
  9. Always More
  10. ØMNI – Silence Inside
  11. ØMNI – Infinite Nothing

Line up:

Fabio Lione – Vocal

Rafael Bittencourt – Guitarra/Vocal

Marcelo Barbosa – Guitarra

Felipe Andreoli – Baixo

Bruno Valverde – Bateria

Revisão Paula Alecio e Jair Gomes

 

Jair G. Silva

Jair G. Silva

ADM e Fotógrafo em Imprensa do Rock
A Imprensa do Rock foi fundada em novembro de 2011 para proporcionar o melhor do Rock N' Roll e Metal com Notícias, Artigos, Agenda, Entrevistas nacionais e internacionais, Coberturas de shows e Resenha CD's.
Jair G. Silva
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