Abraxas Fest @ Fabrique Club – São Paulo/SP (13/10/2018)

Dias 13 e 14 de outubro, aconteceu o Abraxas Fest, um festival da produtora Abraxas comemorando seus cinco anos de existência. Os festivais aconteceram em São Paulo, na Fabrique Club no dia 13 e no Rio de Janeiro, no Cais da Imperatriz no dia 14. E para essa edição, a Abraxas chamou a lendária banda de metal e pela primeira vez no Brasil Eyehategod, os alemães do Samsara Blues Experiment e as bandas nacionais, porém, foram duas bandas diferentes para cada dia. Em São Paulo, foi o Noala e ITD (Into the Dust), e no Rio de Janeiro, Jupiterian e Pantanum. Estivemos presentes no dia 13, na Fabrique Club, para celebrar essa grande comemoração e prestigiar essas ótimas bandas em seus ótimos shows realizados.

Noala

Abriu os portões da casa e logo quando entramos, a banda brasileira Noala já estavam se posicionando para iniciarem a sua apresentação. E para começar, veio “Nostalgica” do primeiro álbum de estúdio intitulado “Humo” lançado em 2013. Um bom riff de guitarra, andamentos variados dos instrumentos, vocais agressivos e uma bateria pesada. Seguindo na ordem do disco, foi executada “Stuck in a Gastric Tube”, composição mais intensa. Indo para o segundo álbum lançado esse ano intitulado “Noala”, vieram “The Rain Falls Burning” e “Lava Agni”, duas faixas muito bem executadas pelo quinteto repleto de excelentes variações em seus ritmos e com uma pegada que percorre o sludge, progressivo, experimental, doom e até mesmo post-metal. Uma grande mistura em seus gêneros musicais. Esse foi o repertório do Noala, quatro músicas executadas dos seus dois lançamentos de estúdio. A casa ainda estava meio vazia mas conseguiram agradar o público presente com um show bem interessante.

Setlist:

1. Nostalgica
2. Stuck in a Gastric Tube
3. The Rain Falls Burning
4. Lava Agni

ITD

Segunda banda do Abraxas Fest, ITD (Into the Dust), banda brasileira de doom metal que realizou um show rápido mas que nos apresentou um ótimo som. Um repertório bem focado no EP intitulado “I.T.D.” lançado esse ano, deram início com “O Escolhido”, destacando seus excelentes riffs de guitarra. O vocalista e guitarrista Nossat, deu um salve para o público, agradeceram a produção do Abraxas e disse para procurá-los nas plataformas streaming de música, que lá tem os trabalhos realizados pela banda. Continuando, veio “Era Sombria”, faixa bem pesada com vocais urrados, riffs pesados e na execução, encurtaram a duração dela, do que em estúdio ela tem seus quase nove minutos, nessa apresentação, executaram aproximadamente metade de sua duração. Deve ter sido por causa do tempo, tanto que o Nossat, avisou antes de executá-la, que precisariam correr por causa do tempo. Mas isso não prejudicou nem um pouco o show. Em seguida, veio as excelentes “Relíquias do Caos” e “Penhor da Culpa”, sendo essa última, faixa do EP “ITD” lançado em 2014. O Nossat deu mais algumas palavras, agradeceu novamente a Abraxas e ao comparecimento da galera presente e finalizaram com “Peregrinação”, contendo um videoclipe no YouTube, que segundo o Nossat, um videoclipe “meio tosco”.

Setlist:

1. O Escolhido
2. Era Sombria
3. Relíquias do Caos
4. Penhor da Culpa
5. Peregrinação

Samsara Blues Experiment

Com a casa mais cheia, foi a vez de conferir os alemães do Samsara Blues Experiment, power trio de rock progressivo psicodélico formado por Christian Peters (vocal e guitarra), Hans Eiselt (baixo) e Thomas Vedder (bateria). Nessa apresentação, mostraram toda sua potência quando se trata em músicas de qualidade e uma técnica suprema. E essa técnica, já foi mostrada em sua primeira composição “Singata (Mystic Queen)” do “Long Distance Trip” de 2010, primeiro álbum de estúdio. Riffs estendidos, perfeitos solos de guitarra, vários efeitos, o show já começou nessa grande viagem psicodélica e prazerosa. E sem pausas, logo partiram para “Army of Ignorance”, seguindo a sequência do disco. Indo para o mais recente álbum “One With The Universe” lançado em 2017, veio a primeira faixa “Vipassana”, cada vez mais solos de guitarra, mais efeitos muito bem elaborados, efeitos “wah-wah” na guitarra, sons meio futurísticos, sons de ventos ao decorrer da execução, uma viagem completa que serve até mesmo para refletir e mergulhar nesse universo. E por falar em universo, viagens, aventuras, veio “One With The Universe”, com mais efeitos variados e aquelas magníficas técnicas dos integrantes. E para encerrar, “Center of The Sun” foi a última de sua incrível apresentação. Samsara Blues Experiment impressionou a todos os presentes, seus talentos magistrais e suas composições que fazem qualquer um entrar numa grande viagem alucinante e aventureira, fazendo até com que nossa imaginação se flui, foram o suficiente para nos cativar em um belíssimo show realizado no Abraxas Fest.

Setlist:

1. Singata (Mystic Queen)
2. Army of Ignorance
3. Vipassana
4. One With The Universe
5. Center of The Sun

Line-up:

Christian Peters – Vocal e Guitarra
Hans Eiselt – Baixo
Thomas Vedder – Bateria

Eyehategod

O headliner do evento ficou por conta da clássica banda de metal Eyehategod. Foi a primeira vez dos americanos no Brasil e com a fabrique bem cheia, sobem no palco o vocalista e maluco Mike Williams, o guitarrista Jimmy Bower, o baixista Gary Mader e o baterista Aaron Hill, vocês devem estar pensando, e o Brian Patton ? Cadê ele ? Infelizmente, o Brian saiu da banda e o Eyehategod realizaram a apresentação com apenas um guitarrista em palco. Eyehategod iniciou o espetáculo com “Agitation! Propaganda!”, do seu último álbum auto-intitulado de 2014. Na sequência, “Jack Ass in the Will of God” do “Confederacy of Ruined Lives” de 2000 e voltando para o “Eyehategod”, veio “Parish Motel Sickness”. Um agradecimento em português do Mike e partiram para o clássico “Take as Needed for Pain” de 1993, sendo tocado “Blank / Shoplift”.

Com essas composições executadas, os típicos ruídos de guitarra antes dos inícios das composições, os riffs pesados, os vocais brutais do Mike, a bateria potente, as grandes características do conjunto já se estabeleceu durante toda a apresentação. E seguindo nessa pegada, “Lack of Almost Everything” e “Blood Money” foram as próximas a serem executadas e logo em seguida, “Sisterfucker (Part I)” e “Sisterfucker (Part II)” vieram na mesma insanidade e loucura, assim como na “Medicine Noose” e “Revelation/Revolution”. Executaram alguns trechos da “Take As Needed For Pain” para vir “30$ Bag”, após, tocaram um single lançado em 2012, “New Orleans is the New Vietnam”. O Mike apresentou o guitarrista Jimmy Bower, que logo dava as primeiras notas de “Methamphetamine” e na sequência “Peace Thru War (Thru Peace and War)”, ambas do “Dopesick” de 1996. Após, o Mike disse que tocariam só mais uma, veio “Run It into the Ground”, do primeiro álbum “In the Name of Suffering” de 1992.

O Mike disse que amam o público, se despede e bastante ovacionados, se retiram do palco. Com vários gritos de “Eyehategod, Eyehategod…” vindo dos fãs, insistindo para que a banda toque mais uma, o quarteto atende ao pedido, voltam ao palco e acabam executando mais quatro músicas: “Dixie Whiskey”, “Left to Starve”, “White Neighbor” e “Serving Time in the Middle of Nowhere”. Eyehategod encerra a apresentação com vários agradecimentos do Mike ao público e claro, muitos aplausos dos fãs e gritando novamente o nome da banda.

O Mike Williams sem dúvidas foi uma das performances mais malucas e maníacas que eu já presenciei num show. Além de seus grandes vocais potentes e insanos, ele fez as suas mais bizarras atitudes durante toda a apresentação, como: jogou água no público, lambeu o pedestal do microfone, colocou a mão dentro da calça e depois a passou no próprio rosto, soltava catarro do nariz, enfim, essa performance completamente absurda, foi o suficiente para nos agradar e mostrar o quanto ele é excepcional e o quanto é maluco em cima do palco.

Obviamente, sem deixar para trás o restante da banda, todos os integrantes foram excepcionais. O guitarrista Jimmy Bower, fundador da banda, teve que assumir o posto sozinho e mesmo assim, a responsabilidade foi com bastante competência e admiração, seus riffs pesados e marcantes, se manteve durante todo o show e de vez em quando, assim como o Mike, soltava uns catarros do nariz. O baixista Gary Mader, presente na banda desde 2002, foi excelente em sua performance com suas notas intensas no baixo realizando os ótimos riffs e dando as intensas harmonias. E para completar, o baterista Aaron Hill, membro mais atual, fazendo parte do Eyehategod desde 2013 e desde esse ano, vem mostrando a sua ótima capacidade agressiva no instrumento e provando o porquê de estar na banda.

Um repertório bem extenso do Eyehategod, se passando por toda a sua discografia e executando aquelas ótimas pauladas insanas. A porradaria sonora percorreu durante os 80 minutos de apresentação da banda e não só a essa porradaria como também a porradaria realizada na pista da casa com as famosas rodinhas e os mosh-pits. Um show totalmente agradável e marcante, o Eyehategod provaram isso e provaram a importância deles na história do metal mundial. Essa primeira vinda do conjunto no Brasil, fez valer cada minuto. Esperamos o retorno deles logo em breve.

Abraxas Fest foi simplesmente incrível. Quatro excelentes bandas que tivemos o prazer em assistir ao vivo e nos impressionar o quanto essas apresentações foram magníficas e cativantes. Depois dessa grande edição do Abraxas Fest, não vejo a hora da próxima acontecer. Que venham mais.

Setlist:

1. Agitation! Propaganda!
2. Jack Ass in the Will of God
3. Parish Motel Sickness
4. Blank / Shoplift
5. Lack of Almost Everything
6. Blood Money
7. Sisterfucker (Part I)
8. Sisterfucker (Part II)
9. Medicine Noose
10. Revelation/Revolution
11. Take As Needed For Pain
12. 30$ Bag
13. New Orleans is the New Vietnam
14. Methamphetamine
15. Peace Thru War (Thru Peace and War)
16. Run It into the Ground
17. Dixie Whiskey
18. Left to Starve
19. White Neighbor
20. Serving Time in the Middle of Nowhere

Line-up:

Mike Williams – Vocal
Jimmy Bower – Guitarra
Gary Mader – Baixo
Aaron Hill – Bateria

Fotos: Leca Suzuki

Giancarlo Rossi

Giancarlo Rossi

Editor-Chefe em Imprensa do Rock
Cursando Rádio e TV. Escuta todas as vertentes do Rock e do Metal. E Adora Cinema.
Giancarlo Rossi

Giancarlo Rossi

Cursando Rádio e TV. Escuta todas as vertentes do Rock e do Metal. E Adora Cinema.